Vocês já conhecem o projeto “Corpo Meu, Mando Eu”? É do fotografo de Floripa, Walmor de Oliveira. Nada como as próprias palavras dele para explicar, né?
“Corpo Meu, Mando Eu” trata da violência contra a mulher e do assédio em variadas formas. A intenção é colaborar para tornar mais visível o sofrimento cotidiano de tantas mulheres submetidas a piadinhas, cantadas, abusos físicos, sexuais e psicológicos, ou seja, ao total desrespeito com que o universo masculino ainda se manifesta para com as mulheres e seu corpo.
É um projeto cujo objetivo maior é, portanto, jogar mais luz sobre a violência silenciosa, aquela que não aparece em estatísticas e nem é muito debatida, essa que as mulheres estão sujeitas diariamente, durante toda uma vida e que é independente de origem e classe social. Essa violência, resultado da educação e da cultura machista e patriarcal, passa frequentemente desapercebida, sobretudo no mundo restrito aos homens, que repetem comportamentos sem questionar sua origem ou motivação.
Além disso, com essa proposta, queremos ampliar o debate sobre a repercussão desses comportamentos na educação infantil. Acreditamos que nosso dever é tratar e educar filhos, netos e alunos como seres humanos, evitando sua diferenciação como meninas e meninos, distinguindo compromissos, direitos e obrigações. A divulgação do respeito mútuo, seja para com pessoas do mesmo sexo ou de opções ou gêneros distintos, incorporando a tolerância de limitações quando existirem, é básico e deveria ser a norma e não a exceção.
Em tempo, queremos colaborar para desmistificar a visão do corpo da mulher, do nu. Para isso é relevante apresentá-lo de uma maneira natural, orgânica, validando o empoderamento da mulher sobre o seu próprio corpo e o direito de usá-lo como quiser.
Por ser um projeto fotográfico, escolhemos como plataforma o Instagram, sendo que todas as fotos são em PB (preto e branco). O destaque do corpo da mulher fotografada permite o questionamento da violência desse corpo pelo homem e pela sociedade como quando deseja determinar o uso de muita ou pouca roupa e, dependendo dos objetivos a que venha servir, permiti-la e incentivá-la como por exemplo, no caso onde a nudez feminina é utilizada para ser consumida pelos homens como produto.
Finalmente, “Corpo Meu, Mando Eu” pretende ter a abordagem mais ampla possível, fotografando e expondo no decorrer da execução do projeto, um panorama feminino diversificado, seja no biotipo, no gênero, na classe social, na idade, e sobretudo expressando sua cara e sua voz.”
No Outubro Rosa, as mulheres lindas que participaram foram as Cats Selma Borges (39), Simone Costa Henrique (43), Myriam Marques (46), Lisa Guedes (48) e Silma Borges Terra (54). Confira:
“Quando soube que estava com câncer nos seios, o chão se abriu…
Não achei que iria morrer por causa da doença, minha preocupação foi com a minha autoestima, morrer como mulher.
Retirar os seios não era problema, pois isso eu poderia esconder, mas e os cabelos??
Ficar careca!!!??
Meu cabelo era lindo, ia até a cintura…
Perder ele seria perder toda a minha feminilidade, toda a minha identificação como mulher, identificação social.
Mas a vida é engraçada, assim que raspei os cabelos e me vi no espelho, me aceitei.
Tudo é superação, me vi uma pessoa mais forte!
Sou assim, forte, bela e careca !
Selma Borges, 39 anos, Administradora.
Foto @walmordeoliveira
Projeto @corpomeumandoeu
“Aos 37 anos a minha preocupação, além de trabalhar muito, era com a vaidade, e me submeti a uma cirurgia bariátrica, perdi 50 kilos.
Ao me preparar para as cirurgias plásticas, descobri um câncer no reto…
Minhas preocupações passaram à ser as cirurgias, as quimioterapias, as radioterapias e suas consequências, que me cozinharam, literalmente, de dentro para fora, e a colostomia.
Nessa fase vi a morte de perto…
Foram 1 ano e 8 meses convivendo com a bolsa, e a dificuldade de se utilizar ela em público, tentar ter uma vida normal e não encontrar nenhum local apropriado para o manuseio dela.
Quando retirei a bolsa, me preparei para ter uma vida normal, mas três meses depois descobriram um câncer de mama.
Mais cirurgias, mais quimios, mais cicatrizes, e agora, a ausência das mamas.
Mas para mim, não existe outra opção, a não ser lutar pela minha vida!
Olhar para as minhas cicatrizes, representa o meu processo de luta e de cura, dia à dia.
Cura das vaidades bobas, das vaidades de consumo, e aprender a se olhar, se amar, se cuidar como mulher e como ser humano.”
Simone Costa Henrique, 43 anos, Empresária.
Foto @walmordeoliveira
Projeto @corpomeumandoeu apoia o Movimento Outubro Rosa.
“No final do ano de 2013, aos 43 anos, eu ainda estava em plena forma física, jamais imaginei um dia ser alcançada por alguma doença grave. Como profissional de Educação Física (professora de natação e hidroginástica) e surfando, mantinha meu corpo aparentemente saudável, apesar da correria e stress do dia a dia, mas a vida prega peças e um câncer de mama veio silencioso, se instalou e, sem que eu percebesse, já estava bem avançado e mudou radicalmente a minha vida, em todos os sentidos. Era tudo tão insignificante diante da possibilidade de partir tão cedo e não estar junto das pessoas que eu amava que a vaidade ficou em segundo plano. No meio de tantas perdas, era das coisas simples que eu mais sentia falta. Durante o tratamento percebi que poderia fazer muito mais por mim e pelos outros, que poderia consertar algumas coisas e ser uma pessoa melhor. Nesse período, a leitura e a fotografia foram pra mim uma terapia. Sim, porque nos redescobrimos, nos reinventamos, quando não conseguimos mais fazer o que é de nosso cotidiano. Com a quimioterapia não podia mais surfar, então passei a fotografar os que podiam. Foi uma experiência bem gratificante, pois muitos nunca haviam tido fotos de suas manobras e assim fiz ricas amizades do mar, que cultivo até hoje. De uma forma ou de outra eu consegui voltar à minha segunda casa, o mar. Se foi tudo muito tranquilo no meu tratamento? Não, não foi, mas eu prefiro lembrar das coisas boas que a doença me trouxe: a paciência, a compaixão, a serenidade, a leveza e a gratidão, que tentamos aprender a cada dia e, claro, ter conhecido novos amigos de luta. Hoje continuo em controle de dois nódulos, no pulmão e fígado, mas estou bem tranquila, mantendo o equilíbrio, dando o peso certo pra cada coisa, tentando ser mais humana e agradecendo todos os dias por essa maravilhosa VIDA neste plano.” Myriam Marques, 46 anos, Profissional de Educação Física.
Foto @walmordeoliveira
Projeto @corpomeumandoeu apoia o Movimento Outubro Rosa.
“CORPU NU
Amar meu corpo é um aprendizado diário, ele é minha identidade, oferece conforto e segurança ao meu ser.
A mama que tive o câncer é bem menor que a outra e obviamente isso não é uma cena que não se faça notar. Lembro todos os dias…não tem como não lembrar…. não com dor…. mas sim com orgulho. Olho pra mama e lembro que ali já tiveram dois tumores que poderiam ter me roubado a vida; vida e seus mistérios. Eu venci. A mama imperfeita é a marca da minha vitória.
Observar meu corpo nú, meu rosto liso sem as rugas que determinam as marcas do tempo. Natureza perfeita, quase um conto de fadas, que não permite sentimentos de carregar o corpo como se fosse uma carga qualquer. Observo o corpo jogado ao ostracismo, mas que vibra ao ouvir a voz da pessoa amada ou a música que marcou o primeiro encontro.
Um corpo que me transporta, que anima a minh’alma, que eu sinto escravizar tamanho as exigências que eu imposto a ele nesta vida concreta, real.
Um corpo com suas marcas e cicatrizes, que o espelho insiste em mostrar, mas que constroem uma história que não passa em vão.
Corpo de um ventre vivo que gerou duas vidas, e que me impulsiona sensações em abundância, apesar de não ser esteticamente perfeito. Um corpo que não paralisou nas intempéries e este é o seu grande poder.
Apesar do peso, o sinto leve, suave igual a uma apresentação de balé e antagonicamente uma agitação desenfreada que ecoam desejos.
Meu corpo que uso por inteiro, de forma tentadora, que me prende em armadilhas. Um corpo que me leva por aí, com uma alegria que enaltece o espírito, com positividade, com capacidade de mobilizar suas energias internas, e dar a perceber que não há cativeiro capaz de segurá-lo se não for o seu bem querer, que me faz relaxar numa noite de lua cheia, céu perfeito de estrelas.” Silma Borges Terra, 54 anos, Mestra de Cerimônias, autora do blog syltherra.blogspot.com.br
Obs: Silma descobriu há 10 anos o tumor em uma das mamas, durante um exame, e foi salva, inclusive de retirar a mama por inteiro, pelo diagnóstico precoce. Se toque!
Foto @walmordeoliveira
Projeto @corpomeumandoeu apoia o Movimento Outubro Rosa
“Em outubro de 2009, fiquei grávida e tive um bebê. Sempre fui magra, tive uma vida saudável, era uma gaúcha que não comia carne, não bebia, não fumava, praticava atividades físicas e nunca houve casos na família de CA nas mamas, stress normal..
Mas, em novembro de 2010, antes da Rafa completar um ano, descobri um câncer de mama, em estágio bem avançado (III), que provavelmente eu já tinha na gestação.
Uma das coisas que não aceito, é que a gente trás a doença, eu não trouxe a doença, em todo momento eu trouxe a saúde, a força, a fé, a vida!
Fiz a cirurgia dez dias depois do diagnóstico, uma mastectomia total da mama esquerda, com esvaziamento axilar e invasão linfática e sanguínea. Iniciei tratamento estadia mentor III, ou seja, 16 quimioterapias, 30 radioterapias e 5 anos de anti hormônio (tamoxifeno).
Na primeira quinzena de março apresentei cansaço, tosse e dispneia intensa.
Depois de várias consultas e exames, em 30 de março, dia do meu aniversário, recebi o diagnóstico, câncer metástico de pulmão, fui hospitalizada por dez dias, quando drenaram sete litros de água dos pulmões.
Após ter alta desta internação, fui para um exame mais complexo, de PET Scan, onde apareceram metástases ósseas, no externo, fêmur direito e esquerdo, crista ilíaca direita e esquerda e três vertebras, além de comprometimento do pulmão direito e esquerdo com múltiplas lesões, fígado, tireoide, e glândula cervical esquerda.
Iniciei quimioterapia e o uso de Fosfoetalonamina americana, em 16 de abril.
Todas as lesões sumiram!
Hoje tenho alguns pontinhos no pulmão, conforme o PET Scan, de 29 de setembro.
Sigo feliz e forte, em tratamento, fazendo tudo que eu quero.
CORPO MEU, MANDO EU.
Meu corpo ė apenas a casa que preciso para estar aqui.” Lisa Guedes, 48 anos, mãe da Maria Júlia, 20 anos e Maria Rafaela, 7 anos, Gastrônoma.
Foto @walmordeoliveira
Projeto @corpomeumandoeu apoia o Movimento Outubro Rosa.
Saiba mais sobre o projeto: http://corpomeumandoeu.com.br/


