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Grandes Mulheres: Mara Gabrilli

Cats, queridas, hoje a grande mulher da nossa série especial da semana das mulheres é Mara Gabrilli, psicóloga, publicitária e atualmente deputada federal de São Paulo.

Mara sofreu um acidente de automóvel, em 1994, e passou cinco meses internada – dentre os quais dois em respirador artificial – para então receber a notícia de que perdera os movimentos do pescoço para baixo. Estava tetraplégica.

Três anos depois, fundou a organização não-governamental Instituto Mara Gabrilli, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Entre os projetos do instituto, está o Cadê Você?, que localiza pessoas com deficiência em comunidades carentes e oferece recursos para melhorar sua qualidade de vida.

Também foi responsável pelo patrocínio da vinda de uma cientista indiana para trocar experiência com a pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Lygia Pereira, o que resultou na primeira linhagem brasileira de células-tronco embrionárias, a BR-1. Além disso, o Instituto Mara Gabrilli foi o responsável pela ida de três atletas às Paraolimpíadas de Pequim, além do projeto Natação Paraolímpica.

Mara desenvolveu dezenas de projetos na cidade de São Paulo em infraestrutura urbana, educação, saúde, transporte, lazer, cultura e emprego. Isso resultou no aumento de 300 para cerca de 3 mil do número de ônibus acessíveis; na reforma de 400 quilômetros de calçadas adaptadas, inclusive na Avenida Paulista, que se tornou modelo de acessibilidade na América Latina; na criação de 39 núcleos municipais de reabilitação e saúde auditiva; no emprego de mais de mil trabalhadores com algum tipo de deficiência; nas versões em braile ou áudio de todos os livros das Bibliotecas Municipais (Ler pra Crer).

Na Câmara Municipal de São Paulo protocolou dezenas de projetos quanto a acessibilidade de deficientes na cidade de São Paulo, dentre os quais sete foram aprovados e são Leis Municipais.

Tendo acumulado experiência na luta para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência, Mara decidiu expandir essa ajuda para todo o país. Se tornou candidata a deputada federal e foi eleita com 160.138 votos. Desde então, tem sido atuante em diversos projetos para a cultura, educação e bem estar de vida para as pessoas com deficiência.

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Grandes Mulheres: Bertha Lutz

Cats, queridas, hoje o destaque da nossa série de postagens “Grandes Mulheres” fica com a incrível Betha Lutz. Já ouviu falar dela?

Betha Lutz foi uma bióloga brasileira, filha do famoso cientista Adolfo Lutz, e uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no Brasil no século XX. Se formou em ciências naturais em Paris e no ano seguinte passou em um concurso, tornando-se docente e pesquisadora do museu nacional e a segunda brasileira a fazer parte do serviço público no país.

Tomou contato com movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos e acabou por criar as bases do feminismo no Brasil. Apoiou o sufrágio feminino, que foi um movimento de social, político e econômico, com o objetivo de estender o direito ao voto às mulheres.

Se tornou advogada em 1933 pela Faculdade do Rio de Janeiro, que depois foi incorporada à UFRJ, e foi eleita suplente para deputada federal em 1934. Em 1936 assumiu o mandato que durou pouco mais de um ano. Lutou por mudanças na legislação trabalhista com relação ao direito feminino ao trabalho, contra o trabalho infantil, direito a licença maternidade e pela igualdade em salários e direitos. Deixou o cargo em 1937, com o golpe do Estado Novo de Vargas.

Esteve presente na Conferência de São Francisco, em 1945, na qual seria redigido o texto definitivo da Carta das Organizações das Nações Unidas. Durante a reunião, Bertha se empenhou para assegurar que a carta da ONU fosse revista periodicamente. Seu grande feito foi, em conjunto com o delegado político da Africa do Sul, General Smuts, trabalhar para que a carta fosse redigida mediante o compromisso da igualdade entre homens e mulheres e entre as nações.

Bertha nunca se casou. Era independente financeiramente e continuou a sua carreira em órgãos públicos, a exemplo do cargo de chefia no setor de botânica do Museu Nacional que ocupou até aposentar-se, em 1965. Foi convidada pelo Itamaraty a integrar a delegação brasileira à Conferência do Ano Internacional da Mulher, realizada no México, em junho de 1975.

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Grandes Mulheres: Maria da Penha

Por trás do nome conhecido entre as brasileiras que sofreram ou presenciaram casos de violência doméstica, há um bonito caso de superação. Maria da Penha Maia Fernandes é uma farmacêutica brasileira, nascida em Fortaleza, Ceará, filha do cirurgião-dentista José da Penha Fernandes e da professora Maria Lery Maia Fernandes.

Mudou-se para São Paulo para cursar o mestrado em parasitologia em análises clinicas, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), ambiente que promovia uma “interação cultural” entre alunos de diversos lugares e países. Foi então, durante uma festa de aniversário de uma amiga da faculdade que conheceu Marco Antonio Heredia Viveros, colombiano recém chegado. Maria da Penha conta que o rapaz “não causava a menor sensação de haver algum distúrbio em seu temperamento, dava mesmo uma boa impressão a quem o conhecesse”.

Casaram-se e a medida que Marco se estabelecia em seu emprego de economista, graças à Penha, que havia assumido muitas das despesas da família, ia demonstrando novos comportamentos. Cada vez mais a falta de diálogo e paciência de Marco não só com Penha, mas também com as filhas, que agora eram três, aumentava. Ele chegou a agredi-las e ameaçá-las inúmeras vezes. “Os esporádicos comportamentos aceitáveis de Marco só aconteciam para atender às suas conveniências, aos seus interesses”, conta ela.

A proposta de Maria da Penha de uma separação amigável foi negada. Ela sabia que uma separação judicial poderia gerar uma reação ainda mais violenta do marido e temia que suas filhas ficassem órfãs de mãe a aos cuidados do pai. Na manhã de 29 de maio de 1983, Marco entrou no quarto e deu um tiro nas costas de Penha enquanto ela dormia, deixando-a paraplégica. Aos policiais inventou a história de um suposto assalto. Ela ficou meses hospitalizada.

Ao voltar para casa foi mantida em carcere privado pelo marido e sofreu uma segunda tentativa de assassinato, dessa vez sendo eletrocutada enquanto tomava banho. Recolheu então provas que poderiam ajudá-la, como cartas de uma amante do marido e documentos falsos e foi para a casa dos pais com as filhas durante uma viagem de Marco, não sem antes obter uma autorização judicial para sair de casa e não ser acusada de abandono de lar.

Durante dezenove anos, Penha lutou para manter Marco atrás das grades. Ele foi condenado e julgado duas vezes, mas conseguiu a liberdade, cumprindo apenas um terço da pena de dez anos. Penha escreveu a autobiografia Sobrevivi… posso contarpeça fundamental para que uma denúncia fosse feita à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Brasil foi condenado pela tolerância e omissão com que tratava casos de agressão contra a mulher.

Com a condenação, o país adotou diversas medidas para reduzir a violência contra a mulher, entre elas a Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para a prevenção e a punição da violência doméstica e familiar contra as mulheres. Marco foi condenado e depois se mudou de estado no regime semiaberto.

A aplicação da lei em todo o país é um desafio. Enquanto as grandes capitais forneciam as ferramentas necessárias para as denúncias, nas cidades pequenas a informação quase nem chegava. Para isso, Maria da Penha responde: “A educação, sempre”.

Acesse a página da Lei Maria da Penha