Você recebe o diagnóstico de câncer. É como se você tivesse com as mãos livres, e de repente alguém jogasse um peso em você e falasse: lide com isso. Hã? Como assim lide com isso? Como isso surgiu em mim? Antes do diagnóstico eu pensava muitas coisas do câncer – sabe como é, cada comentário que a gente escuta! E eu realmente acreditei em mitos do câncer, até que percebi que muito daquilo que sabia não tinha nem pé nem cabeça.
O Oncoguia fez uma lista de 9 coisas que as pessoas dizem que causam câncer, o que é verdade e o que é mito?
1. Desodorante
Não há aumento de risco de câncer de mama entre mulheres que usam desodorante antitranspirante, sinaliza um estudo feito com 813 pessoas com a doença e 793 sem histórico. Publicado no “Journal of the National Cancer Institute” em 2002, mostrou ainda que o risco também não crescia entre as que usavam lâmina antes de aplicar o desodorante.
2. Depilação a Laser
A radiação dos raios-X, quando passam pelo corpo, podem danificar o DNA das células e provocar câncer. Não é, no entanto, a mesma radiação usada pelos equipamentos de depilação – seja os de laser, seja os de luz pulsada. A energia usada não afeta nem a pele nem causa risco de infertilidade.
3. Laser em Pintas
Pessoas que têm muitas pintas podem fazer depilação a laser ou com luz pulsada sem
medo de câncer. Segundo a dermatologista Caroline Assed Saad, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o que pode ocorrer é a mudança na coloração das pintas. O ideal, explica ela, é não aplicar sobre elas. E “sempre fazer [o procedimento] com médico especialista”, destaca.
4. Autobronzeadores x Câmaras de Bronzeamento
Os autobronzeadores e o bronzeamento a jato – feito com DHA (dihidroxiacetona) – não provocam mal para a pele, informa a dermatologista. “O que é totalmente condenado são as câmaras de bronzeamento, que emitem luzes artificiais. Essas sim podem provocar câncer de pele.”
5. Sexo sem Preservativo
Alguns casos de câncer de colo de útero e de pênis estão relacionados ao HPV (Papiloma Vírus Humano), que pode ser transmitido por via sexual. Os de boca também: um estudo publicado pelo A.C.Camargo Cancer Center na revista científica “International Journal of Cancer” aponta que 32% dos tumores de boca em jovens têm associação com o vírus. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a vacinação contra HPV é a medida de saúde pública mais custo-efetiva contra o câncer do colo do útero. No Brasil, a meta é vacinar todas as meninas de 9 a 13 anos.
6. Estresse e Depressão
Meta-análise (combinação de estudos médicos) publicada pelo Cancer Research UK (organização que financia cientistas, médicos e enfermeiros em pesquisas sobre o câncer) não mostrou relação entre estresse e câncer de intestino, pulmão, mama ou próstata. Revelam que estresse intenso e de longa duração pode causar problemas digestivos, de fertilidade, urinários e de imunidade, além de ajudar a causar dor de cabeça, depressão, insônia e ansiedade.
7. Tintura de Cabelo
A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, ligada à Organização Mundial de Saúde, baseada em estudos que buscavam relação entre câncer e coloração de cabelos, concluiu que o uso desses produtos não é cancerígeno para humanos. “Uso Pessoal de Tintura e Risco de Câncer: uma meta-análise”, publicado no “Journal of the American Medical Association” em 2005, feito com base em 14 estudos, reporta que não há aumento no risco de câncer de mama entre usuários e não usuários de coloração.
8. Enxaguante Bucal
Não há evidência da relação entre câncer e enxaguatórios bucais com álcool, de acordo com o NHS (sistema de saúde da Inglaterra). O risco poderia existir entre pessoas que usam o produto com frequência e por períodos prolongados. Estudos indicam que a má higiene bucal pode estar relacionada à doença. Especialistas indicam escovação após as refeições e uso de fio dental diariamente.
9. Obesidade
Estar acima do peso pode aumentar o risco de desenvolver alguns tipos de câncer, como os de esôfago, pâncreas, mama, rins, vesícula e tireoide. Um estudo americano elaborado em 2007 mostrou que 34 mil novos casos de câncer em homens e 50,5 mil em mulheres estavam relacionados à obesidade. Os motivos vão desde o aumento de insulina no sangue aos hormônios produzidos pela gordura.
