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ALIMENTOS UMAMI COMO ALTERNATIVA DURANTE O TRATAMENTO CONTRA O CÂNCER

Alterações no paladar durante o tratamento contra o câncer são reações comuns geradas pelo organismo e que incomodam as pacientes.

O assunto foi pauta do XIV Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica, que apresentou alguns estudos realizados com diferentes pacientes em tratamento, e que mostram bons resultados com terapias que podem atuar significativamente nos receptores dos sentidos do olfato e paladar, alterando-os ou mesmo destruindo-os.

Quando o tratamento contra o câncer começa, as primeiras alterações no paladar são a perda da sensibilidade aos gostos (disgeusia), principalmente ao doce, além de sensação de amargor e metal na boca, mais percebidos nos casos de tratamento quimioterápico por conta da própria medicação, e a sensação de boca seca (xerostomia).

Isso tudo dificulta a alimentação dos pacientes, o que ajuda a gerar alterações nutricionais e impactos significantes na qualidade de vida. Outra implicação que foi discutida no Congresso, e que pode influenciar o paladar, é o tempo em que os pacientes ficam submetidos às dietas enterais e parenterais.

Alimentos Umami durante o tratamento contra o câncer

Uma das descoberta da pesquisa aponta que alimentos da categoria Umami proporcionam sensibilidade no paladar dos paciente de radioterapia em diferentes ciclos do tratamento contra o câncer.

Já outro estudo mais completo relata que o paladar de alimentos Umami é sentido pelo pacientes até a terceira semana de tratamento, quase sem alteração. Após esse período, ocorre um decaimento com uma leve melhora na sensibilidade após a oitava semana.

Umami é chamado de o quinto gosto básico, ou seja, alimentos que não se encaixam em nenhuma das quatro categorias mais conhecidas: doce, salgado, amargo e azedo. É possível identificá-lo nos alimentos que possuem aminoácidos livres (principalmente ácido glutâmico ou glutamato) e nucleotídeos (inosinato e guanilato) como queijo parmesão, tomate e cogumelos.

Crianças e idosos

No Brasil, um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), testou a sensibilidade ao gosto Umami em crianças com LLA (Leucemia Linfoide Aguda) e LNH (Linfoma não-Hodgkin) com soluções em diferentes concentrações do realçador de sabor MSG e alimentos que o contém.

Foram avaliados 102 pacientes entre 6 e 15 anos. A maioria deles detectou o gosto Umami a partir da segunda concentração das soluções oferecidas no teste, nas duas sessões a que foram submetidos. Isto pode vir a concluir que as crianças são sensíveis a este gosto e a utilização desse componente nas concentrações tecnológicas recomendadas (<1%) em diferentes preparações e uma orientação alimentar adequada poderia colaborar para a melhora do estado nutricional das crianças em tratamento contra esses tipos de câncer.

Estudos realizados no Japão demonstraram que idosos hospitalizados, que também possuem alterações no paladar e xerostomia, tiveram um aumento significativo da salivação, quando estimulados com soluções de glutamato monossódico em comparação com soluções de ácido cítrico. O aumento da salivação fez com que os idosos se alimentassem melhor e ainda melhorassem o estado nutricional.

Essa estratégia também poderia ser utilizada em pacientes com câncer para reduzir a sensação de boca seca, mas ainda não há nenhuma pesquisa efetiva sobre isso.

Mais estudos são necessários para verificar a sensibilidade ao quinto gosto Umami, bem como o aumento da salivação e aceitação de alimentos fontes de Umami em pacientes com diferentes tipos de câncer. Porém, pelos estudos já publicados, verificamos que a diversidade no cardápio, bem como o estímulo constante das sensações gustativas, podem auxiliar os pacientes a não perderem o sentido do paladar durante o tratamento, já que mantê-lo é extremamente importante para a melhora do estado nutricional durante e após o tratamento contra o câncer.

FONTE: PORTAL UMAMI