Hoje li num post prontinho de facebook: ”Brigamos muito por pequenas coisas, desejamos uma casa, trocar de carro, de telefone, perder peso, enquanto uma pessoa que tem câncer só quer uma coisa: A cura!”… Como assim? Alguém com câncer deixa de ter sonhos, objetivos, desejos, é isso? Bom, eu vou responder por mim. Quem dera minha preocupação fosse apenas esta doença, pra mim é só mais um obstáculo dentre tantos que aparecem.
Hoje faz quinze dias que sofri uma mutilação física, foi o primeiro passo, o início da guerra contra este obstáculo, confesso que pensava que ao voltar da cirurgia, acordar e me ver sem a mama direita, minha ficha iria cair, achava que começaria a dar maior importância e me preocupar com a doença, mas ainda não foi dessa vez, eu ainda estou “de boa”. Dizem que a quimioterapia, pra muitos, é impactante… veremos!
“Aprenda a ter paciência com as coisas que não se pode mudar, essa é a sabedoria da vida!”… Sim, é mais um post prontinho de facebook, e retrata a minha calma em relação ao câncer, ele está sob controle, tem tratamento, tem cura, eu não consigo ver chance de dar errado, e não é somente questão de fé, é medicina, monitoramento, tratamento, e por mais que a Biologia não seja exata, não consigo temer a isto. Agora, quanto ao que não se pode mudar, não tenho paciência, e é só o que ocupa minha cabeça, a culpa por ter errado tanto; ter dado importância a coisas e pessoas tão insignificantes; mágoas que só me fizeram mal; um sentimento descabido que foge do meu controle; certezas quanto à vocação profissional e a dificuldade em concretizá- la; e outras tantas coisas que não posso mudar, mas que eu poderia ter feito diferente, ou evitado fazer.
A música “Diamante de mendigo”, do meu guru Raul Seixas, é um soco na barriga, fala da impotência que se tem após deixar a família em segundo plano. Nem todo mundo perdoa, nem todos têm uma segunda chance. Não posso mudar o que fiz, mas aprendi a tirar lição de tudo, principalmente das minhas falhas. O arrependimento veio com o tempo, e ele é válido.
Hoje eu completo 32 anos, gostaria de ter a maturidade que tinha aos 18, maturidade que se esvaiu com o tempo, talvez eu tenha sido adulta muito antes do tempo, e agora sinto a necessidade de ser moleca.
Desejo poder valorizar o tempo que posso vir a ter, ao lado de alguém que um dia se importe comigo, se orgulhe de mim, preze pela minha companhia, compartilhe dos meus sonhos… Desfruto do amor do meu filho, sou grata por isto, pela minha família, pelos poucos amigos, meu gato, meus estudos, meus esportes… tudo que não me abandonou, tudo que é o alicerce e que tem me mantido firme, pra enfrentar essa coisinha tão insignificante e temporária que logo vai me abandonar. Desejo a cura, e mais que isso, quero vida antes, durante e depois da cura!
Hoje desejo pra mim Saúde e Sucesso!
