Sou Sueli Édi, tenho 58 anos. No domingo de Páscoa deste ano descobri um caroço na mama direita. Em janeiro tinha feito meus exames, inclusive a mamografia, e tudo normal. Não dei muita importância, mas fui ao médico durante a semana. Ultrassom, biopsia entrei para uma nova realidade, desconhecida, assustadora no primeiro momento. Sentia como anestesiada, o diagnóstico, os encaminhamentos, cirurgia, quimioterapia, parecia que não seria comigo. Tive três lindas filhas, sem histórico de câncer na família, pensava estar protegida. Fiz reposição hormonal e os médicos sempre afirmavam a ausência de risco, devido ao meu perfil, que não haveria problema, faríamos o acompanhamento. Descobri que acompanhar significa: alguma alteração, tumor, é prescrita a jornada que as amigas conhecem. Minha oncologista, muito competente e amável, disse que não é possível responsabilizar os hormônios, mas o uso prolongado pode ter antecipado algo que viria daqui há muitos anos a frente. Lembro sempre de suas palavras quando, pela primeira vez chorei no consultório, c a notícia da queda dos cabelos. “Você sairá disso uma mulher muito mais forte”. Descobri a força do amor dos meus filhos, meus pais, irmã, cunhados, amigos. Uma rede de afeto que tem me sustentado. Continuei trabalhando, respeitando meu ritmo, e tendo a compreensão de colegas e chefia. Do protocolo de 16 sessões de quimio, após mastectomia total da mama direita, já cumpri 8. Deixei os lenços no último fim de semana, estou curtindo a penugem branca na minha cabeça, usando maquiagem, brincos, tentando ficar bem. Esta é a minha experiência que gostaria de compartilhar. Somos muito mais fortes do que acreditamos!




