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ENFERMEIRA DOA “NOVAS SOBRANCELHAS” PARA MULHERES COM CÂNCER NO PARANÁ

Há cinco anos, Magali Aparecida Borges, de Umuarama, no noroeste do Paraná, teve uma das piores notícias da vida: estava com câncer de pele. Desde então, viu a vida mudar completamente. Durante o tratamento, Magali precisou se aposentar, perdeu os cabelos e os pelos da sobrancelha. Após 30 sessões de radioterapia, o câncer desapareceu, mas a autoestima se perdeu. Sem sobrancelha, o rosto não voltou a ser o mesmo.

“Depois do tratamento raramente saía de casa por causa da falta de sobrancelha. Quem olha leva um choque, é nítido que tive a doença. Fico abalada. Parece que está escrito. Todo mundo olha e vem perguntar, saber o que aconteceu. Então, prefiro não sair de casa, tenho vergonha”, diz Magali.

Casos como o da aposentada, de mulheres que sofrem por falta de sobrancelha, não são raros. Alguns procedimentos estéticos resolvem o problema por um período, como a rena, mas não são permanentes. Uma das únicas alternativas é a micropigmentação, um serviço caro, que custa em média R$ 400 e oferecido por poucas profissionais.

Ao analisar esse cenário, a enfermeira Michaely Natali fez cursos de micropigmentação para reconstruir sobrancelhas e decidiu oferecer o serviço de graça para mulheres em tratamento de câncer ou que já se curaram.

“Estou querendo sair da enfermagem, mas não completamente. Quero usar a minha mão como enfermeira para ajudar as pessoas. Depois de fazer o curso de micropigmentação percebi o quanto essas mulheres precisam do serviço, então decidi disponibilizar quatro atendimentos gratuitos por mês para pacientes com câncer. Mas, quero oferecer a mais pessoas”, explica a enfermeira.

A primeira a ser atendida foi Magali Borges. Com a liberação médica em mãos, autorizando o procedimento, ela ganhou sobrancelhas novas na noite de terça-feira (9).

“Cheguei a chorar no dia que recebi a notícia que ganharia a micropigmentação, não tenho condições de pagar. Antes tinha vergonha de sair de casa, de me expor, agora isso é passado”, enfatiza a aposentada.

Michaely explica que antes de marcar o procedimento estético exige das mulheres interessadas laudos médicos autorizando o tratamento.

“O procedimento é um pouco invasivo, então se a paciente estiver com a imunidade baixa corre o risco de desenvolver uma infecção ou até ter uma cicatriz. Por isso, a única exigência é essa liberação médica, uma vez que os tratamentos de quimioterapia e radioterapia são muito fortes”, detalha.

Um procedimento que dura em média uma hora, mas que faz bem tanto para quem recebe o serviço quanto para quem oferece o procedimento.

“Ajudar uma pessoa provoca um calorzinho no peito, é uma sensação tão gostosa. Ver o sorriso no rosto da Magali gera uma sensação inexplicável. Para mim é algo simples, mas para essas mulheres é algo grandioso”, destaca Michaely Natali.

Quem se interessar pelo serviço pode entrar em contato com Michaely pela página dela em uma rede social.

Fonte: G1

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