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Música no alívio de dor em pacientes oncológicos

De acordo com um estudo realizado pelo Hospital Albert Einstein, a dor é considerada um dos sintomas mais frequentes e temido pelos pacientes oncológicos. Estima-se que 10 a 15% dos doentes de câncer apresentam dor de intensidade significativa nos casos de doença inicial. Com a aparecimento de metástases, a incidência da dor aumenta para 25 a 30%, e nas fases avançadas da enfermidade entre 60 a 90% dos pacientes relatam dor de intensidade expressiva.

A Associação Internacional para Estudo da Dor, define a dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual”.

Nos dias de hoje, graças aos avanços na área médica, existem diversas terapias utilizadas para o controle da dor crônica. Entre elas estão a musicoterapia, massagem, aplicação de calor e técnicas de distração.

musicoterapia é um campo da medicina que estuda o complexo “som-ser humanosom”, com o objetivo de abrir canais de comunicação no ser humano para produzir efeitos terapêuticos, psicoprofiláticos e de reabilitação neste e na sociedade.

Os efeitos fisiológicos da música envolvem reações sensoriais, hormonais e fisiomotoras como mudanças no metabolismo, liberação de adrenalina, regulação de frequência respiratória, variações na pressão arterial sanguínea, redução da fadiga, do tônus muscular e aumento do limiar dos estímulos sensoriais, melhorando a atenção e concentração. A música, cada vez mais, vem se mostrando como um recurso terapêutico complementar no manejo e controle da dor aguda e crônica. 

O estudo realizado pelo Hospital Albert Einstein pré-determinou os seguintes objetivos: avaliar a percepção de pacientes oncológicos com dor crônica sobre os efeitos da música no alívio da dor; identificar se ocorrem alterações nos sinais vitais antes e após a sessão de musicoterapia; e verificar se a intensidade da dor era reduzida após a sessão de música, de acordo com a escala analógica de dor.

Para isso, o estudo foi feito através de testes realizados em dez pacientes portadores de câncer que apresentavam dor crônica e tinham idade acima de 20 anos. Foram realizadas entrevistas antes e após a sessão de música, e a pergunta norteadora foi “Como o senhor(a) está se sentindo neste momento?”. Depois disso, foi feita a aferição dos parâmetros vitais e aplicada a escala numérica de dor(10). A sessão de música foi aplicada em três dias diferentes.

No primeiro dia, foi tocada a “Serenata para cordas em Mi maior de Dvorák”, no segundo foi solicitado pelos pacientes a valsa “Danúbio azul”, de Johann Strauss, e no terceiro, os “concertos de Vivaldi”. A duração de cada sessão foi de 20 a 30 minutos e ocorreu dentro do quarto do paciente.

Os pacientes, após as sessões de música, relataram ter obtido alívio da dor, além de relaxamento, evocação de lembranças pessoais e esquecimento dos problemas. Foram identificadas alterações nos parâmetros vitais e intensidade da dor antes e após as sessões de música.

É importante dizer que um dos pacientes não acreditava no efeito da música na primeira sessão, mas aceitou continuar, pois sentiu o alívio da dor após a musicoterapia. Depois da última sessão ele relatou que sentiu o efeito benéfico da música e passou a acreditar nessa forma de terapia. 

FONTE: Hospital Albert Einstein

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