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Câncer X excesso de peso

Cats, sabemos que a maioria dos cânceres tem origem multifatorial (várias causas que predispõem ao seu desenvolvimento), sendo que mais de uma dúzia já teve comprovação, por evidências científicas, de associação ao excesso de peso. O mais diretamente ligado a esse fator de risco é o de endométrio (corpo do útero). Os de mama e o colorretal, por sua vez, são significativos neste levantamento devido à alta incidência, ocupando, respectivamente, a primeira colocação para mulheres e a segunda para ambos os sexos.

Os gastos do SUS com cânceres associados ao excesso de peso somam 41,1% do investimento em tratamento oncológico, principalmente tumores malignos de mama, intestino grosso (colorretal) e endométrio. Este levantamento foi feito pelo INCA e publicado como artigo na revista científica Plos One.

A prevalência do excesso de peso corporal tem aumentado nas últimas décadas no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada em outubro de 2020, em 2019, 55,4% da população adulta estava com excesso de peso. 

“É urgente o debate sobre a melhor alocação dos recursos para as ações de promoção da saúde em virtude da expectativa de aumento exponencial de gastos futuros”, afirmou Ronaldo Corrêa, um dos autores do artigo.

Portanto, Cats, alimentação saudável e atividade física diária são alguns dos fatores que podem contribuir com o excesso de peso e prevenção contra o câncer.

Vamos praticar?

Fonte: INCA

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Pacientes com câncer devem receber vacina contra gripe

Imunização é segura e indicada para pessoas em tratamento; além de evitar complicações mais graves da doença, vacina da gripe é uma aliada dos serviços de saúde durante a pandemia, evitando sobrecarga de hospitais e postos de saúde

Começou a imunização contra o vírus da gripe (Influenza). Além de evitar complicações mais graves da doença, essa vacina é uma grande aliada dos serviços de saúde durante a pandemia, evitando hospitalizações. A infectologista do Hospital Amaral Carvalho (HAC) Priscila Paulin afirma: “Pacientes com câncer se enquadram no grupo prioritário, pois têm a imunidade comprometida pela própria doença e até por conta do tratamento”.

A médica ressalta: “os pacientes oncológicos devem tomar a vacina, que é segura e não interfere no tratamento. Transplantados, gestantes e até crianças a partir dos seis meses também podem ser vacinados contra a gripe. É um imunizante com segurança bem estabelecida.”

A infectologista esclarece: “Essa é uma vacina de vírus morto, que não tem capacidade de causar a doença. O que ocorre é que ela protege contra três tipos de vírus e a resposta imunológica de cada um é diferente. Então, pode ocorrer de uma pessoa, mesmo vacinada, ter gripe por não apresentar resposta à imunização. Pode ser também que já estava infectada ao receber a dose, no período de incubação, ou seja, já estava com o vírus, mas não tinha desenvolvido a doença ainda”.

Durante a pandemia

A vacina contra a Influenza pode ajudar indiretamente no enfrentamento da pandemia do novo Coronavírus. Quanto menos pessoas doentes com gripe, menor será a sobrecarga nos hospitais e postos de saúde que estão tratando a COVID-19.

Alerta!! É necessário ficar atento aos intervalos entre as vacinas contra a gripe e a COVID-19, que deve ser de 14 dias. “Caso a pessoa não tenha recebido as doses dessa vacina e as datas conflitem, ela deve dar preferência para a vacina contra a COVID, que é o vírus predominante agora, e buscar a vacina contra a gripe após o período indicado”.

Para quem teve COVID-19, deve aguardar 28 dias após o diagnóstico para receber a vacina da gripe e, quem estiver com febre e mal-estar no dia da vacinação, não poderá receber a dose. 

Cronograma

A partir de 9 de junho começa a etapa que contempla as pessoas com deficiência ou comorbidades, entre elas, pacientes oncológicos.

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SBOC alerta que pacientes oncológicos não têm acesso a medicamentos já incorporados no SUS

Descumprimento do prazo de 180 dias para oferta efetiva e descentralização da compra são os principais impeditivos para o acesso dos pacientes a tratamentos mais eficazes

Entre os anos de 2017 – 2020, seis medicamentos para tratamento de câncer de mama, carcinoma renal e melanoma metastático foram incorporados ao SUS, contudo, apenas dois chegaram aos pacientes.

De acordo com o diretor executivo da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Dr. Renan Clara, há um ponto crucial que gera o atraso do acesso aos tratamentos mais eficazes: “O primeiro grande gargalo neste processo é a falta de planejamento estratégico e financeiro para a incorporação e aquisição dessas novas terapias. Os medicamentos com tecnologias mais avançadas e essenciais para o tratamento de pacientes oncológicos são submetidos para análise da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), a relevância deles é reconhecida e acontece a incorporação, e com ela o Ministério da Saúde deverá fazer a oferta, sem definir o formato e saber se cabe no bolso do hospital”, comenta. “O problema não é o processo de incorporação, mas o que deveria acontecer depois dele. É a falta de planejamento estratégico do Ministério da Saúde que atrasa o acesso do paciente aos medicamentos. A entidade que recomenda deveria alinhar com a entidade que adquire e aí sim, oferecer o medicamento ao SUS”, acrescenta.

Um exemplo nítido da demora foi o caso do Pertuzumabe, para tratamento de câncer de mama. O medicamento foi incorporado em dezembro de 2017, mas só chegou aos pacientes em agosto de 2020, somando 793 dias de atraso. No caso dos medicamentos Pazopanibe e Sunitinibe, para tratamento de carcinoma renal, incorporado em dezembro de 2018 e que ainda não chegou aos pacientes, totalizando mais de 630 dias de atraso na oferta.

Nossa voluntária jurídica, Marilia Buccini, comenta: “A incorporação de determinada medicação pelo SUS é sempre notícia de alegria. No entanto, na prática, a alegria muitas vezes se torna um pesadelo, pois os pacientes não conseguem acesso à medicação prescrita, no tempo necessário.

Assim, a luta pela falta de medicação no SUS deve ser de toda a sociedade e não só dos pacientes. Além dos principais motivos “todas as vidas importam” e “juntos somos mais fortes”, a falta de estratégia para aquisição e fornecimento de medicamentos gera, além do prejuízo certo e irreparável para quem deles necessita, um prejuízo aos cofres públicos e, consequentemente, a toda população.

Isso porque, os pacientes se veem obrigados a ingressar com ações judiciais individuais, o que encarece a aquisição da medicação pela falta de economia de escala e urgência no atendimento da ordem judicial.

Assim, devemos todos brigar por esta causa”.

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Câncer X Covid-19

Pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer realizaram um estudo inédito que comprovou que o coronavírus tem uma capacidade maior de variação genética em pacientes com câncer. Ou seja, o vírus Sars-Cov-2 tem um maior potencial de mutação no organismo de pacientes com câncer, do que os infectados que não têm câncer.

O estudo foi realizado em 57 pacientes e 14 profissionais de saúde do instituto e traz a hipótese de que a baixa imunidade dos pacientes oncológicos tenha maior ligação com a variação do vírus.

A pesquisa ainda revelou que uma mesma paciente foi infectada por duas variantes do vírus, no primeiro contágio. Isso representa o primeiro caso de múltipla infecção pelas variantes do novo coronavírus relatado na literatura médica em pacientes com câncer.

O responsável pelos estudos, Marcelo Soares, explica que a múltipla infecção pode gerar formas recombinantes mais agressivas do vírus ou que não sejam reconhecidas pelas vacinas existentes. Dessa forma, é possível que muitos casos definidos como reinfecção sejam, na verdade, a reativação de uma variante viral pré-existente no indivíduo infectado.

O Estudo foi publicado nas revistas Virus Evolution, da Universidade de Oxford e na revista Infection Genetics and Evolution.

Confira mais informações na matéria da CNN

Portanto, ALERTA!!! Aumente seus cuidados e sua proteção contra o Covid-19!!

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SBOC defende vacinação de pacientes oncológicos

Com a emergência da vacinação contra a COVID-19, a discussão sobre vacinação de pacientes oncológicos ganha mais relevância, trazendo à tona muitas incertezas. A crescente disseminação de fake news impactou a confiança da população na vacinação, mas, segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), as vacinas aprovadas no Brasil são eficazes e imprescindíveis para a proteção daqueles que vivem com câncer e no combate à pandemia de forma geral.

Para enfatizar as condutas médicas baseadas em evidências científicas, a SBOC organizou um grupo técnico especializado para desenvolver recomendações sobre a aplicação da vacina contra a COVID-19 em pacientes oncológicos. 

  • Por que vacinar pacientes oncológicos contra a COVID-19?

Pessoas com câncer foram classificadas como grupo de risco para complicações da COVID-19. Estudos mostraram maior gravidade da infecção em pacientes oncológicos, com mortalidade variando de 6 a 61%, com risco de óbito por volta de 26%, muito acima do que na população geral (2 a 3%). Portanto, o intuito da vacinação é diminuir a morbidade e mortalidade da COVID-19 nos pacientes oncológicos.

Segundo Dr. Sandro Cavallero, diretor da SBOC e coordenador do Comitê de Tumores do Sistema Nervoso Central, há vários riscos envolvidos entre a associação do câncer e do novo coronavírus. “Além do impacto mais severo, a infecção pelo Sars-CoV-2 pode ter desdobramentos também no cuidado oncológico, levando a atrasos em exames diagnósticos, de triagem, tratamentos e monitoramento da doença, podendo levar a consequências devastadoras”, alerta.

“É importante lembrar que as vacinas contra COVID-19 aprovadas no Brasil são definitivamente seguras. A única vacina contraindicada para pacientes imunossuprimidos, ou seja, quando a eficácia do sistema imunológico é reduzida, é a vacina de Oxford, por conter vírus vivo. De qualquer forma, é imprescindível a avaliação médica individual de cada paciente quanto a possíveis restrições à vacinação”, afirma.

  • As vacinas contra a COVID-19 são eficazes nesses pacientes?

A princípio, sim. Dados de vacinação em pacientes oncológicos em outros contextos, como influenza, doença pneumocócica e herpes, sugerem haver um efeito protetor.

“A vacinação contra influenza, reduziu hospitalizações relacionadas à doença, interrupção de quimioterapia ou risco de morte”, explica Dr. Sandro. Baseados nesses dados e de outras vacinas, associado à interpretação dos mecanismos de ação das vacinas contra a COVID-19 (com agentes não vivos), pressupõe-se que a eficácia e a segurança da vacinação contra o Sars-CoV-2 seja similar à população geral. “A eficácia pode variar em diversos contextos, como tipo de tumor, extensão da doença, tratamento imunossupressor, entre outros. Entretanto, os benefícios da vacinação parecem ultrapassar substancialmente e significativamente os riscos”, complementa.

  • A equipe de saúde envolvida no tratamento oncológico deve ser vacinada?

Sim, desde que não haja contraindicação à vacinação ou componente da vacina.

“A vacinação da equipe de saúde contra influenza mostrou reduzir a transmissão da infecção em ambientes hospitalares. Além disso, alguns pacientes imunocomprometidos podem não adquirir resposta imune suficiente à vacinação, dessa forma, podemos evitar que a equipe, que trabalha em um cenário de alto risco, contamine esses pacientes”, esclarece Dr. Sandro.

  • Pacientes com história prévia de COVID-19 ou que já possuam anticorpos devem ser vacinados?

Sim. Alguns pacientes já infectados por Sars-CoV-2 foram incluídos em estudos clínicos e mostraram melhorar a resposta imune sem nenhum acréscimo à toxicidade da vacina.

Segundo Dra. Ignez Braghiroli, diretora da SBOC e coordenadora do Comitê de Tumores Gastrointestinais, não existe garantia de que a presença de anticorpos seja sinal de proteção futura. “Até o momento, não existe experiência suficiente relacionando a já existência deles no organismo com a proteção futura, e a duração da imunidade não está claramente estabelecida. O teste sorológico antes da vacinação não é recomendado, assim como não é utilizado para guiar o momento da vacinação”, completa.

  • Quem se vacinou ainda precisa usar máscara e seguir o distanciamento social?

Sim. Mesmo após a aprovação das vacinas e o início da vacinação no Brasil, temos um longo período até toda a população estar vacinada.

Fonte: SBOC – Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica – jan. 21

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EM DECISÃO HUMANITÁRIA, STJ RECONHECE A NECESSIDADE DE COBERTURA DA PRESERVAÇÃO DE FERTILIDADE DE PACIENTE ONCOLÓGICO DURANTE TRATAMENTO POR PLANO DE SAÚDE

Após entendimento da 3ª Câmera do Superior Tribunal de Justiça, é possível obrigar plano de saúde a custear tratamento para preservação da fertilidade de paciente oncológica.


No último dia 26 de maio, o STJ determinou em sede do Recurso Especial nº 1.815.796 que o plano de saúde suporte, até o final do tratamento oncológico, com os custos da criopreservação dos óvulos de paciente diagnosticada com câncer de mama que realizará quimioterapia.

A decisão tratou corretamente o caso como preservação e não tratamento de fertilidade, de modo a distinguir do procedimento de reprodução assistida, excluído do rol de cobertura obrigatória pela Resolução Normativa nº 428 de 2017, da ANS, bem como na Lei dos Planos de Saúde. Assim, utilizando-se da mesma Lei, o Ministro Relator Paulo de Tarso Sanseverino aponta que a assistência à saúde “compreende todas as ações necessárias à prevenção da doença e a recuperação, manutenção e reabilitação da saúde (…) no sentido de que a obrigatoriedade de cobertura do tratamento quimioterápico abrange também a prevenção de seus efeitos colaterais, dentre os quais a já mencionada falência ovariana, que é a hipótese dos autos”.


A Ministra Nancy Andrighi ratificou em seu voto-vista que “se a operadora cobre o procedimento de quimioterapia para tratar o câncer de mama, há de fazê-lo também com relação à prevenção dos efeitos adversos e previsíveis dele decorrentes”. Ampliou, também, o conceito do princípio primun, non nocere (da não maleficência/primeiro, não prejudicar) trazido pelo Ministro Relator ao afirmar que se impõe ao profissional de saúde o dever de “não causar ao paciente um prejuízo evitável, desnecessário ou desproporcional ao provocado pela própria enfermidade que se pretende tratar”. Ou seja, impõe o dever de prevenir, quando possível, o dano previsível e evitável que, no presente caso, seria a infertilidade como possível efeito adverso da quimioterapia.


No entanto, a proposta inicial do relator era de obrigar o plano de saúde a pagar somente a retirada dos óvulos, uma vez que fora do corpo da paciente passariam à hipótese de reprodução assistida e, portanto, excluído de cobertura. Contudo, prevaleceu o voto da Ministra Nancy Andrighi que destacou que a operadora deve pagar o congelamento dos óvulos até que a paciente receba alta do tratamento quimioterápico, de forma que, ao final do tratamento poderá lhe ser devolvida a chance de exercer a maternidade a seu critério e no momento oportuno.

Essa decisão vai ao encontro dos avanços necessários a uma abordagem mais humanitária e à tutela dos direitos e interesses dos pacientes oncológicos, principalmente ao considerarmos o aumento da quantidade de pessoas cada vez mais jovens, em idade reprodutiva, com o desejo da maternidade ou paternidade, que recebem o diagnóstico de câncer, com aumento das taxas de sobrevida e cura da doença.

Colaboradora do IQeB – Advogada Marília Masiero Buccini Biscuola

Para quem quiser acompanhar a decisão do STJ é só clicar neste link.

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Câncer e Covid-19

Finalizamos a nossa Pesquisa “Expectativa do paciente oncológico para o cenário pós-Covid-19” e uma das questões propostas foi para entender como o paciente oncológico agiu durante a pandemia em relação às suas atividades.

Pacientes oncológicos, apesar de pertencerem ao grupo de alto risco, encararam com bastante clareza as restrições que a pandemia trouxe, nos quesitos isolamento social, proteção e circulação.

Uma paciente relatou “o que estamos vivendo hoje em tempos de pandemia, eu faço há um ano. Não saio de casa, devido à minha imunidade baixa, uso máscara para ir ao centro de tratamento e minha família me auxilia com supermercado”.

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Foi esse cenário que o IQeB encontrou nos 820 respondentes da nossa Pesquisa, disponibilizada entre 21/06 a 05/07 deste ano: 43,5% dos pacientes ouvidos não saíram de casa durante a pandemia – ficaram em total isolamento social e utilizaram-se de ferramentas on-line para fazer compras, evitando contato com possíveis contaminados.

Outros 39,5% dos pacientes respondentes saíram unicamente para irem ao supermercado, realizar compras de alimentos e à farmácia para compra de medicamentos.

Apenas 9% saíram para trabalhar e 8% para se exercitar.

O uso de máscaras como proteção também faz parte do cotidiano do paciente oncológico, que não encontrou dificuldades em usar esse acessório.

Assim como os pacientes oncológicos, todos os cidadãos com alguma comorbidade precisam ter ciência da sua condição de saúde e praticar os devidos cuidados para se proteger neste momento tão imprevisível que estamos enfrentando.

Respeitar suas limitações significa poupar sua saúde e de todos que estão próximos a você!

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Agradecemos a todos os 820 pacientes que disponibilizaram seu tempo e contribuíram com suas informações para essa importante pesquisa.

Ao time de universitários da USP que compilaram os dados de forma precisa e toda nossa Diretoria e voluntárias envolvidas. Publicaremos na totalidade os outros resultados apurados.

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Música no alívio de dor em pacientes oncológicos

De acordo com um estudo realizado pelo Hospital Albert Einstein, a dor é considerada um dos sintomas mais frequentes e temido pelos pacientes oncológicos. Estima-se que 10 a 15% dos doentes de câncer apresentam dor de intensidade significativa nos casos de doença inicial. Com a aparecimento de metástases, a incidência da dor aumenta para 25 a 30%, e nas fases avançadas da enfermidade entre 60 a 90% dos pacientes relatam dor de intensidade expressiva.

A Associação Internacional para Estudo da Dor, define a dor como “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a dano tecidual”.

Nos dias de hoje, graças aos avanços na área médica, existem diversas terapias utilizadas para o controle da dor crônica. Entre elas estão a musicoterapia, massagem, aplicação de calor e técnicas de distração.

musicoterapia é um campo da medicina que estuda o complexo “som-ser humanosom”, com o objetivo de abrir canais de comunicação no ser humano para produzir efeitos terapêuticos, psicoprofiláticos e de reabilitação neste e na sociedade.

Os efeitos fisiológicos da música envolvem reações sensoriais, hormonais e fisiomotoras como mudanças no metabolismo, liberação de adrenalina, regulação de frequência respiratória, variações na pressão arterial sanguínea, redução da fadiga, do tônus muscular e aumento do limiar dos estímulos sensoriais, melhorando a atenção e concentração. A música, cada vez mais, vem se mostrando como um recurso terapêutico complementar no manejo e controle da dor aguda e crônica. 

O estudo realizado pelo Hospital Albert Einstein pré-determinou os seguintes objetivos: avaliar a percepção de pacientes oncológicos com dor crônica sobre os efeitos da música no alívio da dor; identificar se ocorrem alterações nos sinais vitais antes e após a sessão de musicoterapia; e verificar se a intensidade da dor era reduzida após a sessão de música, de acordo com a escala analógica de dor.

Para isso, o estudo foi feito através de testes realizados em dez pacientes portadores de câncer que apresentavam dor crônica e tinham idade acima de 20 anos. Foram realizadas entrevistas antes e após a sessão de música, e a pergunta norteadora foi “Como o senhor(a) está se sentindo neste momento?”. Depois disso, foi feita a aferição dos parâmetros vitais e aplicada a escala numérica de dor(10). A sessão de música foi aplicada em três dias diferentes.

No primeiro dia, foi tocada a “Serenata para cordas em Mi maior de Dvorák”, no segundo foi solicitado pelos pacientes a valsa “Danúbio azul”, de Johann Strauss, e no terceiro, os “concertos de Vivaldi”. A duração de cada sessão foi de 20 a 30 minutos e ocorreu dentro do quarto do paciente.

Os pacientes, após as sessões de música, relataram ter obtido alívio da dor, além de relaxamento, evocação de lembranças pessoais e esquecimento dos problemas. Foram identificadas alterações nos parâmetros vitais e intensidade da dor antes e após as sessões de música.

É importante dizer que um dos pacientes não acreditava no efeito da música na primeira sessão, mas aceitou continuar, pois sentiu o alívio da dor após a musicoterapia. Depois da última sessão ele relatou que sentiu o efeito benéfico da música e passou a acreditar nessa forma de terapia. 

FONTE: Hospital Albert Einstein