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CAT CELEBRITY: CLÁUDIA JIMENEZ

A cat celebrity da semana é a atriz Claudia Jimenez, nascida em 18 de novembro de 1958 (hoje com seus 56 anos). A carioca é famosa por roubar tantas risadas com seus papéis na televisão – ela sabe bem como trabalhar no mundo do humor. Descobriu cedo a paixão pelo teatro, logo aos 11 anos fez suas estréia em cima dos palcos. Em 2014 participou de “Sexo e as Negas”, mas é muito lembrada por participação em “Escolinha do Professor Raimundo”, “Sai de Baixo”, “Zorra Total”. E também em novelas como “América”, “Sete Pecados” e”Negócios da China”.

Foi casada durante 10 anos com a personal trainer Stella Torreão, terminaram o relacionamento, mas ainda são amigas. Inclusive, Cláudia diz sempre que Stella sempre esteve ao seu lado, durante todos os momentos difíceis.

A atriz enfrentou câncer em 1986, um câncer no mediastino (região do tórax, e teve que ouvir do médico que sua expectativa de vida era de um mês! Fez o tratamento e se curou, mas as suspeitas dos médicos é que esse tratamento pode ter “danificado” o tecido cardíaco. 2 anos depois do tratamento do câncer, passou por um infarte e teve que operar para colocar cinco pontas de safena. Em 2012, teve que substituir a válvula aórtica por sintética.

Em entrevista para o Fantástico, com Renata Vasconcellos, Cláudia conta:

Claudia Jimenez: Quando eu falo para o meu médico: ‘Ô, radioterapia desgraçada’. Ai ele fala: ‘Mas se não fosse ela, você já estava há muito tempo lá em cima, né’. E é verdade, quer dizer, a gente tem sempre que agradecer em vez de reclamar.

Renata Vasconcellos: O que te faz rir na vida?
Claudia Jimenez: Na vida? Humor. Sempre fui palhaça, sempre. No colégio de freira me pagavam um chocolate, bala para eu não deixar de ir na aula de religião, porque quando eu ia era um divertimento só.

Renata Vasconcellos: Você começou também, teve uma experiência, eu me lembro, você no Jô Soares ‘Viva o Gordo’.
Claudia Jimenez: Eu fiquei 4 anos com o Jô, eu comecei dançando na abertura.

Renata Vasconcellos: Se você pudesse lembrar de um trabalho teu hoje que você guarda no teu coração?
Claudia Jimenez: Foi a ‘Escolinha do Professor Raimundo’. A Dona Cacilda. Não era nem propriamente pelo personagem, mas pelo que eu vivi ali dentro sabe. Foram seis anos de gargalhadas.

Renata Vasconcellos: Você mudou o teu estilo de vida?
Claudia Jimenez:Totalmente. A nutricionista me ajudou a comer direito agora.
Eu faço a hidroginástica, que para mim tem sido maravilhosa, com a Stela. Ela é a minha alma gêmea. Nós fomos casadas por 10 anos. E foi, eu sinto que foi a primeira vez que eu amei e a primeira vez que eu me senti amada. Agora que a gente virou irmã, o amor não termina nunca, uma coisa que só aumenta.

Renata Vasconcellos: Você ainda não sonha com o amor?
Claudia Jimenez:Sonho, tem até uns coroas pintando, mas tão querendo ir para uma casinha na floresta com chaminé saindo fumaça.

Renata Vasconcellos: E aí, não é bom?
Claudia Jimenez: Forno à lenha, não. Não é isso que eu quero agora.

Renata Vasconcellos: E o que você quer agora?
Claudia Jimenez:Fazer muito teatro, porque eu estava com ânsia disso

Renata Vasconcellos: Você se sente mais interessante hoje do que você era antes?
Claudia Jimenez: Maturidade ela faz você ficar mais bacana. Às vezes, eu percebo que, internamente, não estou legal eu vou em busca de alguma coisa que me faça ficar legal. Tem gente que fala assim para mim: ‘Ai, como você é frágil’. Eu falo: ‘Frágil? Eu sou a pessoa mais forte que eu conheço’. Chegam perto de mim e  falam: ‘Vamos trocar válvula aórtica’. Eu falo: ‘Ok, vamos’. ‘Vamos fazer cinco pontes de safena’. ‘Ok, vamos’. ‘Botar o marca-passo’. ‘Ok’. Eu faço qualquer coisa para ficar aqui.

Em entrevista na Marie Claire, a atriz contou ainda mais sobre ela! Falou sobre o câncer, sua carreira, o apoio da família… Vejam:MC No diagnóstico do câncer, sua estimativa de vida era de um mês. O que você pensou ao ouvir isso?
CJ
 Nessa hora, você só quer lutar contra aquela coisa. Mas, no fundo, nunca achei que ia morrer. Nas duas vezes em que adoeci, via a doença como alguma coisa que eu estava precisando viver. Pensava: “Esse caminho deu nessa estrada ruim, tenho que mudar”. E ia correr atrás do prejuízo. Às vezes, a doença é uma salvação. Se é uma gripe, talvez você esteja precisando reformular uma coisa pequena. Mas quando a doença é muito grande, é questão de aprender a viver.MC O que você estava precisando reformular?
CJ
 Até descobrir o câncer, eu levava minha vida segundo as necessidades dos outros. Fazia as coisas do jeito que achava que as pessoas iam gostar. Não tinha coragem de dizer: “Sou assim, quem quiser que goste”. Melhorei muito, mas até hoje sou carente.

MC Em quanto tempo você se curou?
CJ
 Em um ano e meio. O tumor era altamente maligno, mas respondeu muito bem à quimioterapia.

MC E o problema no coração?
CJ
 Eu era muito ingênua na relação com o mundo, com as pessoas. Achava que todo mundo é bom, todo mundo é lindo, todo mundo me ama e torce pelo meu sucesso. Geralmente a gente acha do outro o que a gente é. E eu quero que as pessoas se dêem bem porque detesto baixo-astral. Mas a vida não é bem assim. Tenho, sim, que me preservar de algumas pessoas, dizer não para outras.MC Quem te ajudou nesse período?
CJ
 Minha família. Tenho minha mãe, quatro irmãs e sobrinhos que eu adoro. Somos um grude. Também tive o apoio de amigos, principalmente da Stella Torreão [personal trainer e sócia de Claudia em uma academia de ginástica]. Ela é meu anjo da guarda.MC De onde vem sua veia humorística?
CJ
 Venho de uma família alegre. Morávamos em uma rua sem saída, na Tijuca. Com o apagão, estou lembrando que era comum faltar luz à noite naquela época. E eu adorava porque as pessoas ficavam conversando na varanda, meu pai cantava tangos, tinha vaga-lume. Eu era muito ativa, já gostava de fazer palhaçadas. Lá em casa tinha um ventilador enorme, antigo. Aquele troço fazia um barulhão, parecia um avião que ia decolar. Eu fingia ser aeromoça: “Senhores passageiros, apertem os cintos”. Não deixava minhas irmãs dormirem.MC Seu pai morreu quando você tinha 22 anos. Você tinha uma boa relação com ele?
CJ
 Sou parecida com ele no temperamento, no gênio. Ele cantava no cassino da Urca, ganhou várias vezes o primeiro lugar no progama do Ary Barroso, na Rádio Nacional. Minha veia artística vem dele. Mas nossa relação foi difícil. Ele era um espanhol bravo e me deu uma rejeitada. Quando nasci, ele já não queria mais filhos. Acho que por isso eu amava tanto ele, porque ficava tentando conquistá-lo. E sei que no fim da vida ele já estava apaixonado por mim. Quando fiz a “Ópera do Malandro”[peça de Chico Buarque], minha mãe fez um jantar em casa e foram a Marieta[Severo] e o Chico com todo o elenco. E o Chico passou a noite inteira tocando violão com meu pai. Nessa noite, meu pai viu que eu estava trabalhando com gente séria e passou a me olhar com outros olhos.MC Quando você viu que tinha talento?
CJ
 Desde os 11 anos. Eu não queria porra nenhuma com os estudos, mas era a alegria da turma. Tinha amigo que me pagava com chocolates para eu não faltar às aulas de religião, para imitar a freira. Minhas redações eram em forma de diálogo. Um dia, a professora sugeriu interpretar minha redação e fui tomando gosto. Soube que no Tijuca Tênis Clube tinha um grupo de teatro amador. A [atriz] Bia Seidl, minha vizinha de porta de prédio, foi comigo. Lá a gente fazia peças infantis de Maria Clara Machado, Ziraldo. Na primeira peça, “Sereia de Prata”, arrebentei. A Bia era a Sereia e eu, claro, a Dona Baleia. Virei a estrela do clube. Os sócios perguntavam: “A peça é com aquela gordinha?”. Senão nem iam.

MC Como foi parar na Globo?
CJ
 Um dia esse grupo amador passou a vender espetáculos, porque o salário no Tênis Clube era um cachorro-quente com guaraná. Aos 18 anos, bati na porta do Luiz Antonio Corrêa, que dirigia a “Ópera do Malandro”, e falei: “Sou muito boa atriz”. Ganhei o papel da prostituta Mimi Bibelô. O Mauricio Shermann [produtor da Globo]me viu na peça e me convidou para ir à TV Globo. Meu primeiro papel foi a namorada do Alberto Roberto, no “Chico City”. Quando surgiu o “Viva o Gordo”, indicaram a gordinha engraçada para a abertura. Fiquei três anos com o Jô, depois voltei para o Chico Anysio e fiquei 12 anos com ele.Fonte: Marie ClaireFantástico