A cat da semana é uma noveleira que todo mundo conhece! A Gloria Perez nasceu no dia 25 de setembro de 1948 (completa 67 anos nesse ano), em Rio Branco. Aos 15 anos mudou para Brasília, onde terminou o colegial e fez 3 anos de direito, mas abandonou o curso quando a universidade foi invadida por militares. De qualquer jeito, ela mesma diz que não escolheu cursar direito, isso foi um desejo do pai somente. Foi para Rio de Janeiro e lá cursou História na UFRJ. Começou seu mestrado em História lá também, mas não chegou a defender a tese, pois aceitou o convite de Janete Clair e optou pela carreira na televisão. E se encontrou nesse mundo da televisão! Ganhou muitos prêmios pelo seu trabalho, inclusive prêmios internacionais! Entre seus trabalhos mais reconhecidos temos: Barriga de Aluguel (1990), De Corpo e Alma (1992), Hilda Furacão (1998), O Clone (2001), América (2005), Caminho das Índias (2009). Seu trabalho mais recente é Dupla Identidade (2014).
Mas sua vida não foi só luxo! Passou por muita barra pesada, inclusive a perda de dois de seus três filhos (Daniella, Rodrigo e Rafael). Daniella trabalhava como atriz na novela que Glória escrevia, De Corpo e Alma, e em dezembro de 1992 foi assassinada pelo colega de trabalho Guilherme de Pádua. Rafael faleceu em 2002, aos 25 anos, com uma infecção intestinal generalizada.
Glória começou uma campanha após o assassinato de sua filha, e com apoio de muita gente, muitas assinaturas, e resultou na inclusão de Homicídio na Lei de Crimes Hediondos
Depois de tanto sofrimento, ainda teve que passar por um câncer. Foi em 2009, quando Caminho das Índias estava no ar, uma novela de sucesso. O que muita gente não sabe é que muitos dos capítulos da novela foram escritos dentro da sala de quimioterapia! Ela foi diagnosticada com linfoma, passou por cirurgia e quimioterapia. Felizmente, se curou e pode virar a página!

Em entrevista com R7, Glória respondeu algumas perguntas:
R7 – Qual a sensação quando Caminho das Índias acabou? Foi de vitória? Por quê?
Gloria Perez – Foi um momento muito feliz da minha carreira. A novela envolveu, encantou o país, recuperamos números que há tempos não eram alcançados e deixou saudade no público. Tudo o que um contador de historias pode desejar!
R7 – Como foi descobrir um câncer e fazer o tratamento durante a feitura da novela? Foi muito difícil? De onde você tirou forças?
Gloria – Foi complicado, claro! Mas descobri que a quimio não é mais um bicho de sete cabeças. Com os avanços que aconteceram na área, pode-se passar por ela sem abrir mão dos projetos, do trabalho, da rotina de vida. É óbvio que você faz tudo com mais dificuldade, mas faz. Não sou nenhuma raridade. Tomei as aplicações escrevendo capítulos numa sala onde todo mundo trabalhava e resolvia questões do cotidiano. É claro que cada caso é um caso, mas é possível passar por isto continuando a tocar sua vida.
R7 – Como está o tratamento? Já acabou?
Gloria – Acabou, sim. Fiz as seis aplicações R-CHOP [quimioterapia] e o exame PET [feito para detectar o câncer]. O diagnóstico precoce foi essencial para esse bom resultado.
R7 – Quais pessoas lhe deram apoio neste momento?
Gloria – Tive muito suporte, da família e dos amigos. Meu irmão e minha cunhada se mudaram para a minha casa, minha mãe veio de Brasília, meu filho, meus amigos estavam sempre perto. Esse apoio foi essencial para o bom resultado do tratamento. Tenho certeza disso.
R7 – Você é tida no Brasil todo como um exemplo de mulher. Você se acha uma guerreira. Por quê?
Gloria – Acho que sou uma pessoa que enfrenta a realidade, até porque, é inútil se rebelar contra ela. Desanimar e perguntar porque isto aconteceu com você e só perda de tempo e de energia. Talvez, por isto, costume servir de referencia para muitas pessoas que atravessam situações difíceis e dolorosas.
R7 – Você tem medo de morrer?
Gloria – Medo de morrer? Talvez eu tenha medo do como. De morrer, propriamente, não. Todos vamos chegar a isso, não é? Taí uma coisa impossível de evitar.
R7 – Muita gente criticou sua novela no começo. Mas ela acabou com bons índices no ibope e com seus personagens na boca do povo. Acha que isso foi um cala a boca para muita gente?
Gloria – Tem aquela turminha que antes de qualquer novela minha estrear já começa a escrever contra! São pessoas que ridicularizaram a internet, dizendo que a rede era invenção minha, e para quem os transplantes de coração, as barrigas de aluguel, brasileiros imigrando para os EUA, cultura muçulmana, indiana, clonagem humana são coisas que só existem na imaginação de Gloria Perez! Eles são meu ‘Casseta e Planeta’ particular! Morro de rir com eles. Não me preocupo em dar nenhum cala a boca. Gente medíocre não me interessa nem pra isso!
R7 – O site da novela chegou a ter 2,7 milhões de acessos diários por dia. O que você achou do sucesso da novela na internet também?
Gloria – Curti muito! Sempre fui muito ligada à internet, tanto que a ideia da rede foi popularizada através de uma novela minha, Explode Coração, que era bem interativa, aliás. Naquela época tínhamos BBS, e as pessoas se apaixonavam ali, rompiam relações da vida real por conta dessas paixões, terminavam o namoro e o caso ainda ficava mal resolvido, sem que nunca se tivessem visto! E olha que naquela época não se podia mandar fotografias, o amado ou amada virtual era mesmo uma construção da imaginação de cada um! Isso me impressionava, por isso escrevi a novela.
Fonte: Wikpedia
