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Os Perigos das Mídias Sociais para a Saúde por Dr. Felipe Ades

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Cats,  o nosso colunista e diretor científico, Dr. Felipe Ades, traz um texto muito importante sobre como as mídias sociais têm o poder de espalhar notícias falsas e perigosas para a nossa a saúde.

As mídias sociais democratizaram a informação. Não dependemos de jornais, revistas e TVs formais para achar entretenimento ou informação. Hoje quem decide o que se assiste somos nós. Não apenas o que se assiste, hoje podemos criar conteúdo e disponibilizar para quem se interessar. As mídias sociais também permitiram maior organização popular, vimos isto acontecendo em diversos países do mundo. Exemplos recentes são a primavera árabe, no oriente médio; as manifestações contra a austeridade na Europa e o debate político no Brasil.

Mas nem tudo são flores quando se fala de disseminação de informação. Umberto Eco, o escrito italiano recém falecido, dizia que “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Embora esta afirmação seja no mínimo agressiva, nós temos que convir que existem realmente pessoas que fazem péssimo uso da internet. Alguns exemplos são o acirramento dos ânimos políticos no Brasil, o recrutamento de jovens para grupos terroristas e todo o tipo de crime eletrônico possível pela internet.

Quando se trata de saúde, a disseminação de falsas informações pode ser catastrófica. Há uma imensidão de sites orientando dietas, pílulas para emagrecer, receitas, simpatias. Outros divulgam sintomas e fazem prognóstico, em poucas linhas descobrem a doença do leitor, o tratamento e quanto tempo de vida ainda lhe resta. Em oncologia a quantidade de medicamentos feitos de raízes e ervas que “matam tantos porcento das células cancerígenas” é fantástica. Depoimentos de pessoas curadas no youtube não faltam, várias estavam com doenças terminais que foram curadas milagrosamente com cápsulas ou chás que parecem ter sido enviados por Deus a esses supostos pesquisadores, ou pior, vendedores do medicamento ou detentores da patente. Pessoas que se aproveitam do desespero e da fragilidade de pacientes em tratamento contra o câncer ou de familiares angustiados para encontrar alternativas para seus entes queridos. Não se enganem, isto é crime, não só no Brasil, como em diversos países do mundo.

Vejam o exemplo desta história que ocorreu na Austrália, e o mal que isto pode ter feito a centenas, talvez milhares, de pessoas. Belle Gibson era um empreendedora que criou um aplicativo de “dietas naturais” e publicou um livro explicando suas receitas de alimentos anticâncer. Ambos eram “best sellers”, estavam na lista de aplicativos para celular e livro mais vendidos. Ela dizia que tinha abandonado seu tratamento convencional para um câncer de cérebro, que não estava mais funcionando, e que começou a se tratar apenas seguindo a sua dieta anticâncer, tendo inclusive sido curada por ele. Fazia campanhas para arrecadação de fundos para entidade filantrópicas de combate ao câncer, dinheiro que nunca foi repassado a estas entidades.

Recentemente ela admitiu que todas as histórias sobre ela ter tido câncer são falsas, ela nunca esteve doente. O aplicativo e o livro foram retirados de venda, e ela está sendo processada em mais de 1 milhão de dólares pelo Estado Australiano.

Agora imagine que você é um paciente, e deixou de fazer o tratamento recomendado por seu médico para seguir o tratamento proposto pela dona do aplicativo e do livro. Deixou de seguir um tratamento convencional para seguir uma pílula mágica, uma raiz, um chá, uma erva, que alguém te fez acreditar que seria indicada para você e resolveria o seu problema. Talvez quando você percebesse que não havia funcionado não haveria mais tempo para fazer um tratamento cientificamente eficaz e indicado pelo seu médico. Esse tempo da sua vida teria sido roubado por um boato, por uma falsa informação, por uma pessoa que te enganou num momento de desespero.

Por isso eu sempre recomendo que a conversa entre médicos e pacientes seja a mais clara e honesta possível. Dúvidas, segundas opiniões, novas informações são sempre bem-vindas e fazem parte dessa relação. Caso encontre algo que julgue interessante e que possa te ajudar, traga isso para seu médico e converse com ele. Caso ainda fique com dúvida, procure um segundo médico, um terceiro, quarto, mas converse com pessoas que saibam o que estão fazendo.

Tempo é muito precioso, uma das coisas mais importantes que temos na vida. Não desperdicemos nosso tempo, e vida, com boatos e pessoas mal-intencionadas ou que não tragam verdadeiras alternativas para nos ajudar.

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Conheça o Port-a-Cath ou cateter totalmente implantado: uma importante ferramenta no tratamento com quimioterapia por Dr. Felipe Ades

Cats, se liguem nessa matéria recheada de informacões sobre um tipo de cateter totalmente implantado, uma ferramenta muito importante na quimio, do nosso diretor científico Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista.

Muitas das medicações utilizadas em oncologia são administradas através das veias. Estes tratamentos podem ser longos, e os medicamentos contra o câncer podem causar, por vezes, inflamações nas veias superficiais dos braços, que são mais sensíveis. Por isso foi desenvolvido um tipo de dispositivo para administração de medicamentos e coleta de exames, colocado diretamente nas grandes veias do corpo, o cateter totalmente implantado.

Confira todos os detalhes na matéria escrita pela Enfermeira Gislene Padilha, do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

O avanço ininterrupto das pesquisas em tratamento do câncer contribuiu também para a adequação de um melhor dispositivo para receber os medicamentos. Embora haja outras opções de vias de administração, como por comprimidos, a via intravenosa ainda é a principal utilizada.

A escolha de um acesso vascular adequado é um componente fundamental no tratamento de pacientes com câncer, permitindo aos profissionais da oncologia oferecer um acesso seguro e eficaz.

O port-a-cath é um dispositivo que fica acoplado abaixo da pele e consiste em um reservatório com membrana perfurável e um cateter de silicone.

Esse tipo de cateter surgiu no início da década 80. O port, como ficou conhecido, revolucionou a oncologia no aspecto vascular, melhorando a qualidade de vida do paciente com câncer por apresentar maior conforto na administração dos medicamentos, menor necessidade de manipulações e menor índice de infecções. Ele pode ser utilizado para infusão de sangue (transfusões), coleta de sangue, antibióticos, analgésicos, nutrição parenteral e principalmente para infusão de quimioterapia.

Implantação

A colocação do port compete ao médico especialista e deve ser realizada no centro cirúrgico, através de um procedimento simples, instalado após anestesia local e um sedativo ou anestesia geral. O tempo do procedimento varia de 30 minutos a 1 hora. O paciente pode ter alta no mesmo dia e até receber a infusão do medicamento logo após. É implantado no tecido subcutâneo e introduzido numa veia calibrosa, em geral na veia cava superior, próximo à entrada do coração. A cicatrização da inserção do cateter varia de 7 a 10 dias e após isso, não há necessidade de curativo.

Punção e Manuseio

O acesso ao dispositivo é feito por meio de punção na pele sobre o port com agulha específica que penetra o septo sem cortá-lo, esse procedimento deve ser realizado por um enfermeiro treinado e capacitado, com domínio da técnica e obedecendo aos rigores absolutos de assepsia, avaliação do sítio de punção, bem como as condições clínicas do paciente. É importante saber que algumas atividades que cause muito impacto devem ser evitadas (futebol, tênis, boxe, etc).

Ele apresenta algumas vantagens em relação aos outros tipos de cateter como diminuição de risco de infecções, minimização do risco de trombose, fácil punção, permite tratamento ambulatorial, não interfere nas atividades diárias do paciente, tem melhor aspecto estético e preserva a rede venosa periférica.

Apesar de seguro, em raros casos podem acontecer algumas complicações, como vermelhidão local, sangramento, presença de secreção no local de inserção do cateter e ou febre. Caso isto ocorra é recomendado entrar em contato com seu médico ou enfermeiro imediatamente para a resolução do problema.

Um cirurgião experiente, com uma boa técnica de implantação, uma assepsia rigorosa associada ao acompanhamento dos pacientes por equipe treinada, reduz as complicações precoces e previne as tardias.

Os cateteres totalmente implantáveis para quimioterapia são meios seguros e confortáveis para a administração de medicamentos e coleta de exames, sendo um importante aliado no tratamento do câncer.