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Ciência não é opinião (nem internet)

Provavelmente você já deve ter escutado que não é saudável cobrir toda a pele: “a pele tem que respirar”. É bem provável que você não saiba de onde veio essa história, nem a quanto tempo ela foi inventada.

Esse é um “conhecimento” informal, passado de pessoa a pessoa: “Todo mundo sabe disso”. Mas como diziam nossas mães, “você não é todo mundo”. Então, porque EU FICO REPETINDO isso? de onde vem essa informação? E mais importante, quando inventaram essa história?

Esta teoria foi inventada por Empedocles e Platão, que viveram na Grécia antiga, em torno de 500 a 400 anos antes de Cristo. Com a tecnologia que havia na época, as observações dos aspectos microscópicos do corpo não era possível e havia um pouco de imaginação envolvida. A teoria era que o ar entrava pelos poros, “respirando os vasos sanguíneos”, enquanto o ar que entrava para os pulmões tinha a função de resfriar o corpo. Muitos anos depois, Galeno, que viveu entre os anos 129 e 217,  estudou diversas áreas do conhecimento humano, incluindo anatomia, fisiologia e patologia. Galeno também formulou teorias sobre o funcionamento do corpo humano criando a teoria do humores. O corpo seria divido em 4 substâncias maiores, que, quando em desbalanço, causavam doenças; bile preta, bile amarela, sangue e catarro. A partir de 150 depois de Cristo, não era permitido a dissecção do corpo humano, e o conhecimento médico estacionou, ficamos mais de mil anos sem avanços significativos. Até os anos 1700 fazia-se sangrias em pessoas doentes por conta destas teorias.

Desenho medieval representando o sistema circulatório conforme a teoria de Galeno.

Hoje sabemos que muitos aspectos do corpo humano foram descritos com precisão àquela época, mas também existiram erros grosseiros que permaneceram por um longo período e, até hoje, são repassados de pessoa à pessoa, como “a pele respira” do começo da nossa conversa.

Por que isso aconteceu? Porque não havia ciência. Porque a autoridade de quem falava era mais importante do que o que realmente acontecia. O fato científico ficou em segundo plano.

Tudo isso começa a mudar a partir de um experimento simples, mas que na sua época mudou a maneira como entendemos o funcionamento do corpo humano, e como desenvolvemos a medicina.

Em 1747, James Lind, um médico da Marinha do Reino Unido, estava tratando de marinheiros acometidos por escorbuto, uma doença causada pela falta de vitamina C na alimentação das tripulações que viajavam por longos período no mar. A doença era fatal para uma grande parte dos marujos, causando sangramentos, feridas na pele e perda dos dentes. Naquela época não se sabia a causa da doença.

Descrição do escorbuto por James Lind

James Lind então fez um experimento com 12 marujos com sintomas de escorbuto. Dividiu em 6 pares e administrou 6 tratamentos diferentes: (1) meio litro de cidra, (2) 25 gotas de elixir de vitriol, (3) meio copo de água do mar, (4) um comprimido de alho, mostarda, rabanete, bálsamo do Peru e mirra, 3 vezes ao dia, (5) duas colheres de vinagre 3 vezes ao dia e (6) duas laranjas e um limão por dia.

No final de uma semana os marinheiros que comeram as laranjas e limões estavam cuidando dos demais.

Este foi o princípio da medicina baseada em evidência, do primeiro estudo científico controlado em seres humanos. Pessoas sofrendo da mesma condição foram submetidas a tratamentos diferentes e os resultados foram comparados, estabelecendo qual é o tratamento padrão para aquele problema. Algo que fazemos até hoje, com cada vez mais tecnologia e estatística para que possamos chegar a resultados cada vez melhores e mais precisos.

Os estudos clínicos atuais passam por diversas fases para que possamos compreender os mecanismos de doença, fatores de risco, fatores protetores e descoberta de novos tratamentos contra o câncer e qualquer outra doença. A lógica do estudo final, que comprova a utilidade de um novo tratamento, no entanto, continua a mesma. Dois ou mais grupos de pessoas com características semelhantes e comparáveis (mesma doença, doenças do mesmo tamanho, mesmos fatores de risco, distribuição de idades semelhantes, gênero e etnias, etc) são divididos e o tratamento é escolhido ao acaso. Os grupos vão sendo tratados da mesma maneira e observados ao longo do tempo. Os resultados são comparados e caso uma estratégia seja melhor que a outra, esta se torna o novo padrão.

Esta evidência científica cria a base para que, quando uma nova pessoa apresente aquela doença, nós possamos oferecer o melhor tratamento de cara.

Crianças que participaram do primeiro estudo com a vacina de Jonas Salk contra a poliomielite. Foram 1,8 milhões de pessoas no estudo.

Quando os pesquisadores juntam todas as informações, de todas as pessoas que participaram do estudo, e publicam os dados em forma de artigo científico eles estão reunindo toda uma experiência de tratamento. Quando lemos e entendemos como o estudo foi feito, seus pontos fortes e fracos, alcances e limitações, estamos adquirindo essa experiência de tratamento para nossos próximos pacientes. Por exemplo: um estudo com 500 pessoas demonstrou que usar curativo redondo é melhor que usar curativo quadrado para pessoas com corte no joelho. Nenhum médico do mundo vai tratar 500 pessoas com corte no joelho ao longo da vida, é muita gente.  Tampouco um médico vai dividir seus pacientes em dois grupos para ver qual é o melhor curativo, nem vai fazer comparações estatísticas entre seus pacientes para “testar” quais de seus curativos foram melhores. Quando nós lemos o estudo científico nós adquirimos este conhecimento, nós adquirimos o conhecimento da humanidade. O conhecimento que nós vamos construindo em conjunto, como seres humanos.

Nosso próximo paciente vai ser atendido da melhor maneira que existe, não porque nós somos pessoas iluminadas, recebemos um conhecimento divino, somos dotados de “inteligência superior” e por isso temos toda a autoridade do mundo, mas porque nós adquirimos o conhecimento da evidência científica. Nós estudamos a experiência científica que foi apresentada por outros médicos e grupos de pesquisa e praticamos a medicina baseada em evidência.

Podem ter certeza, quem não segue dados científicos, não está oferecendo o melhor tratamento para seus pacientes. Quem não oferece tratamento baseado na experiência de centenas, milhares ou milhões de pessoas tratadas dentro do rigor científico e comparados formalmente, está causando malefício para o próximo paciente com aquela doença.

O tempo da autoridade acabou, o que precisamos hoje são de profissionais capazes de entender e produzir dados científicos. Que tratem seus pacientes com a melhor evidência e que contribuam para a evolução dos tratamento, se tornando, eles mesmo, novos pesquisadores.

A “autoridade” e a internet

A discussão entre a ciência e autoridade, até pouco tempo atrás, estava restrita a ambientes acadêmicos, faculdades, congressos e revistas científicas. No entanto esta discussão se modificou recentemente com o surgimento da internet. Hoje, os títulos acadêmicos utilizados para “tentar passar autoridade” mudaram para o número de seguidores e likes. Quanto mais seguidores e curtidas, melhor é aquele sujeito: “Se tem um bando de gente que segue e curte, só pode ser um cara bom”. Certo? Errado, muito errado.

Por toda a internet a gente vê um monte de gente que faz coisas, por vezes arriscando suas vidas, para agradar o público. A vida pelo like. Gente que tira foto em cima de edifícios, que mergulha com tubarão, que corre e empina carros e motos, que expõe o corpo, tudo pra ter aprovação, fama e por vezes para ter ganhos financeiros.

Tudo pela fama na internet.

Em medicina isso é particularmente perigoso. O indivíduo se auto intitula especialista em X, Y ou Z e sai fazendo vídeos, posts e o que quer que seja. Tudo para agradar o “internauta”, sem o mínimo de compromisso com a verdade. É particularmente comum alguns padrões:

  • Todos os médicos são “caretas” só fazem coisas baseadas em pesquisa, eu sou um cara bom e entendi um negócio que só eu sei, o resto não sabe. Marque uma consulta comigo, é cara mas vale a pena.
  • Todo mundo leu o mesmo estudo mas só a minha interpretação foi a correta, todo mundo errou, me siga. E não esqueça de curtir e compartilhar.
  • Eu sou o salvador da pátria, descobri um remédio que cura tudo, mas a indústria farmacêutica / os Estados Unidos / a NASA / os extraterrestres / o capeta em pessoa, não quer liberar. Compre de mim, aqui está o site.
  • Veja como eu sou forte, eu faço academia e tomo um monte de “suplemento”. Quer ficar também? Marque aqui comigo, e compartilhe meu stories.
  • E tem as clássicas da oncologia: “câncer não mata, o que mata é o tratamento”: compre minhas ervas, “câncer é um fungo”: compre meu livro de alimentação, “câncer é ácido”: compre meu filtro de água alcalina, “seu médico é um pilantra que ganha dinheiro porque você está doente”: venha tratar comigo.

Pessoal, vídeo, post, fotos, enfim, qualquer coisa na internet, não tem nenhum compromisso com a ciência. Tem um monte de gente que vai fazer apenas para benefício próprio. Temos sempre que questionar os dados, a ciência, o fato. Vale lembrar da nossa mãe, não existe “todo mundo sabe”, a gente não é todo mundo. Por que EU ACREDITO nisso? Eu acredito na informação ou na pessoa que disse? Tem base científica ou é um “chute”? A pessoa esta comunicando uma informação séria ou ela quer apenas o like/seguidor/clique?

Alexander Fleming, o cientista que descobriu a Penicilina, antibiótico usado até os dias de hoje.

E vale lembrar a máxima: o objetivo da ciência não é agradar ninguém. O objetivo da ciência é compreender os fenômenos que nos cercam. Compreender a verdade científica. Sempre questione. Só com a ciência progredimos. Só a verdade interessa, independente se ela nos agrada ou não.

A verdade não faz caridade. Vamos em frente.

Texto disponível no site do Dr. Felipe em http://drfelipeades.com/2019/03/05/ciencia-nao-e-opiniao-nem-internet/


Dr. Felipe Ades – Médico Oncologista
Diretor científico do Instituto Quimioterapia e Beleza

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Descubra as vantagens do Tamoxifeno

O tamoxifeno foi um dos primeiros bloqueadores hormonais utilizados no tratamento do câncer de mama. Sua função é impedir que a célula cancerígena perceba os hormônios femininos, bloqueando seu crescimento e causando a morte dessas células.
É um medicamento usado desde a década de 1970, sendo extremamente eficaz e seguro. É certamente o medicamento que mais salvou vidas na história da oncologia.
A maioria das pessoas não apresenta efeitos colaterais do seu uso. De cada 10 mulheres, 7 não têm nenhum efeito colateral. Em geral, quando os efeitos colaterais ocorrem, eles são limitados, se resolvendo em semanas a poucos meses. Os efeitos colaterais mais significantes são as ondas de calor, semelhantes às que ocorrem com a menopausa, o aumento do endométrio (que não causa maiores transtornos na vida da mulher), alteração na menstruação e aumento de risco de trombose em pessoas que têm predisposição ou já tiveram trombose antes (também um evento muito raro). Uma minoria das pessoas pode ter efeitos mais intensos necessitando da troca do tratamento. Isto é extremamente raro.
Não se deve ter medo de usar este tratamento. Como dito anteriormente, são extremamente eficazes contra o câncer de mama com receptores hormonais positivos, aumentando de maneira importante a chance de cura. É um medicamento altamente seguro, tem baixíssimo índice de complicações, que na maioria das vezes se resolvem sozinhas em poucas semanas.
Converse sempre com seu médico!

#cancer#cancerdemama#tamoxifeno#seguro#cura#hormonioterapia#medicina

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Confira a imagem chocante de uma tomografia

Cats, o Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista compartilhou uma imagem incrível do Jornal médico New England, deste exame de tomografia!!!
Chocada!!!

“Imagem da semana do jornal médico New England Journal of Medicine.
Este é um exame de tomografia, que faz imagens do corpo humano como se fizesse fatias, que olhamos de baixo para cima. Na imagem a pessoa está deitada com os pés na sua direção e a cabeça atrás da sua tela. A imagem é uma fatia na altura do mamilo.
Na parte de baixo vemos uma vértebra, mais branca. A imagem circular no meio do exame é o coração, ao redor vemos os músculos e costelas e em cinza os pulmões.
A seta preta aponta para um câncer de pulmão. Durante o exame também se observam duas imagens que não fazem parte do corpo humano: o pequeno triângulo é um isqueiro e a seta branca é um maço de cigarros. Ambos no bolso da camisa.”, explica Dr. Felipe.

Muito chocante mesmo, não é Cats?

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Descubra as vantagens do Tamoxifeno

O tamoxifeno foi um dos primeiros bloqueadores hormonais utilizados no tratamento do câncer de mama. Sua função é impedir que a célula cancerígena perceba os hormônios femininos, bloqueando seu crescimento e causando a morte dessas células.
É um medicamento usado desde a década de 1970, sendo extremamente eficaz e seguro. É certamente o medicamento que mais salvou vidas na história da oncologia.
A maioria das pessoas não apresenta efeitos colaterais do seu uso. De cada 10 mulheres, 7 não têm nenhum efeito colateral. Em geral, quando os efeitos colaterais ocorrem, eles são limitados, se resolvendo em semanas a poucos meses. Os efeitos colaterais mais significantes são as ondas de calor, semelhantes às que ocorrem com a menopausa, o aumento do endométrio (que não causa maiores transtornos na vida da mulher), alteração na menstruação e aumento de risco de trombose em pessoas que têm predisposição ou já tiveram trombose antes (também um evento muito raro). Uma minoria das pessoas pode ter efeitos mais intensos necessitando da troca do tratamento. Isto é extremamente raro.
Não se deve ter medo de usar este tratamento. Como dito anteriormente, são extremamente eficazes contra o câncer de mama com receptores hormonais positivos, aumentando de maneira importante a chance de cura. É um medicamento altamente seguro, tem baixíssimo índice de complicações, que na maioria das vezes se resolvem sozinhas em poucas semanas.
Converse sempre com seu médico!

#cancer#cancerdemama#tamoxifeno#seguro#cura#hormonioterapia#medicina

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Confira a imagem chocante de uma tomografia

Cats, o Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista compartilhou uma imagem incrível do Jornal médico New England, deste exame de tomografia!!!??
Chocada!!!??

“Imagem da semana do jornal médico New England Journal of Medicine.
Este é um exame de tomografia, que faz imagens do corpo humano como se fizesse fatias, que olhamos de baixo para cima. Na imagem a pessoa está deitada com os pés na sua direção e a cabeça atrás da sua tela. A imagem é uma fatia na altura do mamilo.
Na parte de baixo vemos uma vértebra, mais branca. A imagem circular no meio do exame é o coração, ao redor vemos os musculos e costelas e em cinza os pulmões.
A seta preta aponta para um câncer de pulmão. Durante o exame também se observam duas imagens que não fazem parte do corpo humano: o pequeno triângulo é um isqueiro e a seta branca é um maço de cigarros. Ambos no bolso da camisa.”, explica Dr. Felipe.

Muito chocante mesmo, não é Cats?

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VACINAS QUE PODEM ACABAR COM O CÂNCER – A VACINA ANTI HPV E O CÂNCER DE COLO UTERINO POR DR. FELIPE ADES

O HPV (human papillomavirus) é um vírus de transmissão sexual que pode causar diversas doenças, desde verrugas genitais, câncer de colo uterino e, em menor proporção, contribuir para o desenvolvimento de câncer de orofaringe e de pênis.

A infecção pelo vírus HPV é responsável por praticamente todos os casos de câncer do colo de útero e um percentual significativo de câncer do canal anal. Existem diversos subtipos do vírus e cada um está associado com um tipo específico de manifestação. Os mais relacionados ao câncer do colo uterino são os tipos HPV16 e HPV18, mas outros subtipos também são implicados, como o HPV6 e HPV11.

Hoje existem no mercado três tipos de vacinas contra HPV, todas com comprovada eficácia em prevenir a infecção pelo HPV. As vacinas são mais eficientes se aplicadas em pessoas que ainda não tiveram contato com o vírus, sendo portanto mais eficazes se administradas antes do início da atividade sexual. No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é a administração em meninas e meninos na faixa de 9 a 13 anos.

A vacina pode ser aplicada em pessoas em idade superior a recomendada, mas em outras faixas etárias a eficácia da vacina é menor. Pessoas já infectadas pelo HPV não se beneficiam da vacinação para o mesmo subtipo de HPV, mas podem se imunizar contra os outros subtipos (por exemplo, se uma pessoa já foi infectada pelo tipo HPV18 a vacina só vai proteger contra os outros subtipos, como o HPV16, 11 e 6).

Este é um dos maiores avanços no combate e controle do câncer, e é esperada uma redução dramática nos novos casos de câncer de colo uterino nos próximos 30 anos por conta da vacinação em massa. Quem sabe um dia nós consigamos erradicar essa doença do planeta?

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Bronzeamento e o risco de câncer de pele por Dr. Felipe Ades

Bom dia Cats!! Vale a pena conferir a matéria do nosso diretor cientifico Dr. Felipe Ades, oncologista, que nos informa sobre bronzeamento artificial bronzeamento ao sol e o risco de câncer de pele!!

Os melanócitos são as células responsáveis pela produção do pigmento escuro da pele, conhecido como melanina. Quando a radiação ultravioleta do Sol atinge a pele, os melanócitos são estimulados a produzir mais melanina, causando assim ao bronzeamento. Em última análise o bronzeamento é uma reação da pele à agressão pelos raios ultravioletas.

A exposição repetida à radiação ultravioleta causa o envelhecimento precoce da pele. É comum notar-se, em pessoas mais velhas, a diferença da pele de áreas expostas continuamente ao sol, como mãos e face, com áreas não expostas, como a pele do abdome. Há muito menos nevos (as pintas escuras da pele) em áreas protegidas do sol que em áreas expostas. Nota-se também maior surgimento de rugas e mudança da textura da pele em pessoas que tiveram exposição crônica ao Sol.

O risco de queimadura e dano à pele é proporcional à intensidade dos raios ultravioletas, ao tempo de exposição e ao tipo da pele. Quanto mais intensa a exposição, maior é o risco de queimaduras solares e danos ao DNA das células da pele.

Os tipos de pele são classificados em 6 níveis, quanto maior a classificação, maior a resistência da pele aos raios ultravioletas. Esta classificação é conhecida como fototipo e graduada de acordo com a escala de Fitzpatrick. (veja a tabela abaixo)

Tipo da peleCor da peleReação ao Sol
1BrancaSempre queima e não bronzeia
2BrancaSempre queima e bronzeia pouco
3Branca a morenaQueima pouco e bronzeia gradualmente
4Morena claraQueima pouco e bronzeia
5Morena escuraQueima raramente e bronzeia muito
6NegraNunca queima e bronzeia muito
Lesões da pele em uma mulher jovem com fototipo 1.

O maior perigo dos danos ao DNA das células da pele, no entanto, é o aparecimento de diversos tipos de câncer de pele, como carcinomas basocelulares, espinocelulares e melanoma, o câncer de pele mais agressivo.

Por isso os médicos recomendam evitar a exposição solar no período de 10h da manhã às 16h, onde há grande intensidade de raios ultravioletas, em particular UVB, a mais nociva para a pele.

E quanto às câmaras de bronzeamento artificial, são seguras?

As câmaras de bronzeamento artificial funcionam expondo os usuários à radiação ultravioleta (UVA e UVB), semelhante à radiação solar. Elas são programadas para liberar uma grande quantidade de radiação ultravioleta em um pequeno período de tempo. Seus danos à pele são tão intensos quanto os danos da radiação solar. Dependendo da intensidade das lâmpadas usadas, a exposição a radiação ultravioleta pode ser até maior que a da radiação do Sol.

Protetores solares bloqueiam os raios ultravioletas.

Exposição a raios ultravioletas, sejam eles do Sol ou das câmaras de bronzeamento artificial, aumenta a risco de desenvolvimento de todos os tipos de câncer de pele.

Diversos estudos avaliaram a relação entre câncer de pele e o hábito de se bronzear em câmaras de bronzeamento artificial. Uma análise combinada de diversos estudos conduzidos nos Estados Unidos, Austrália e Europa mostrou uma forte associação entre bronzeamento artificial e o desenvolvimento de melanoma. Um segundo estudo avaliou se o risco de desenvolvimento de câncer de pele seria menor com o uso de câmaras de bronzeamento mais modernas e constatou que não há diferença. As câmaras modernas emitem altas doses de radiação ultravioleta sendo também arriscadas. Foi estimado que nos Estados Unidos, Austrália e Europa ocorram 400.000 novos casos de câncer de pele por ano relacionado ao uso de câmaras de bronzeamento, sendo 10.000 deles melanomas, o tipo mais perigoso de câncer de pele.

Na nossa sociedade a pele bronzeada é associada à saúde e jovialidade. Em outras sociedades, como em países asiáticos, o padrão de beleza é o oposto, quanto mais branca a pele, melhor.

É importante notar que qualquer tipo de bronzeamento é, biologicamente, uma reação da pele à agressão pelos raios ultravioletas. Se você quer se bronzear, não existe uma recomendação médica formal quanto a como fazer isso. No entanto existe uma recomendação médica quanto a como se proteger do excesso de raios ultravioletas.

  1. Evite se expor ao Sol no horário de maior incidência de raios ultravioletas (10h as 16h).
  2. Não faça bronzeamento artificial.
  3. Use protetor solar compatível com seu tipo de pele e reaplique em intervalos regulares e após entrar na água.
  4. Para crianças pequenas, em particular menores de 5 anos, use roupas que protejam do Sol e protetor solar em áreas expostas.
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LASER DE HÉLIO-NEON NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA MUCOSITE CAUSADA POR QUIMIO E RADIOTERAPIA POR DR. FELIPE ADES

Cats queridas,  quem aí também sofreu muito com o aparecimento de aftas por conta da quimio/radio, ou até mesmo com mucosite??  Nessa matéria do nosso diretor cientifico explica como prevenir e tratar esses efeitos colaterais chatos!! 

Uma das características mais marcantes da célula do câncer é sua alta replicação. Estas células são capazes de se multiplicar mais rápido que as demais células normais do corpo, e assim formam os tumores.

A quimioterapia tradicional, conhecida também como quimioterapia citotóxica, age justamente atacando as células que se multiplicam mais rapidamente. Assim esses tratamentos são capazes de matar as células cancerosas, aumentando a chance de cura e o controle do câncer. Veja aqui uma matéria sobre a quimioterapia, veja aqui uma matéria sobre os tipos de quimioterapia e aqui sobre as informações necessárias para se iniciar um tratamento com segurança.

No entanto esses medicamentos têm efeitos colaterais em células normais do corpo que também se multiplicam rápido, como os cabelos e o sistema imunológico. É comum observarmos, com alguns tipos de medicamentos, a queda dos cabelos e a redução temporária da imunidade, no exame de sangue.

Um efeito colateral observado em alguns tipos de tratamento é a mucosite, uma espécie de inflamação nas peles que recobrem a boca. Isto também ocorre porque a células da pele da boca se multiplica numa velocidade um pouco mais rápida. Por vezes há apenas algumas aftas, mas em casos piores acontecer dor importante, dificultando a alimentação, causando desconforto e atrapalhando o tratamento do câncer. A mucosite tende a ser pior quando se faz radioterapia da região da boca ao mesmo tempo, como no caso dos tumores da cabeça e pescoço.

Felizmente é possível prever os tipos de tratamento que causam mucosite e prevenir seu aparecimento. A dentista Simone Levy dá algumas dicas sobre como os dentistas podem ajudar no tratamento da mucosite.

“Todas as pessoas que forem fazer tratamentos com quimioterapia ou radioterapia, capazes de causar mucosite, devem ser avaliadas por um dentista, especificamente do estomatologista, o dentista especialista em doenças bucais. A avaliação deve ser feita antes, durante e depois do tratamento. Caso hajam cáries a serem tratadas, elas devem ser feitas antes do começo da quimioterapia.

A manutenção da saúde bucal é de extrema importância pois a mucosite pode interferir no estado nutricional e na qualidade de vida destas pessoas. O uso de medicamentos antifúngicos, como a nistatina, pode diminuir a chance de aparecimento das aftas e a terapia com laser de Hélio-Neon de baixa intensidade diminui a duração dos sintomas, ajudando na cicatrização.”

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QUIMIOTERAPIA SEM PERDER CABELOS POR DR. FELIPE ADES

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Bom dia Cats!!  O nosso diretor científico Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista escreveu essa matéria incrível sobre o método novo de passar pela quimio sem perder os cabelos. Confiram!! 

Um dos efeitos colaterais mais desagradáveis do tratamento com quimioterapia é a perda do cabelo. Apesar deste ser um efeito conhecido e esperado do tratamento, ele causa bastante desconforto e perda da autoestima em algumas pessoas, além de fazer a pessoa sempre lembrar que está em tratamento contra o câncer.

Os cabelos caem justamente pelo efeito da quimioterapia. Nós sabemos que as células do câncer se multiplicam e crescem mais rápido que as células normais do corpo. Sabendo disso, os remédios foram desenvolvidos para atacar as células que se multiplicam mais rápido, assim reduzindo os tumores e aumentando a chance de cura após a cirurgia. O problema disso é que existem células normais do corpo que também se multiplicam rapidamente como as células do sistema imunológico, por isso sempre pedimos exames de sangue durante o tratamento para acompanhar como está a imunidade. As células responsáveis por fazer crescer o cabelo também crescem rápido, logo são atingidas pela quimioterapia e o cabelo cai, depois de alguns dias do tratamento, dependendo do remédio que se use.

Normalmente os cabelos voltam a crescer algumas semanas depois do tratamento terminar mas, principalmente para mulheres, ele pode demorar bastante tempo para voltar ao comprimento que estava antes do tratamento.

No entanto existe hoje uma estratégia para tentar reduzir ou evitar a perda de cabelo, são aparelhos que causam o resfriamento do couro cabeludo durante a administração da quimioterapia. O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, assim menos sangue passa por partes do corpo que estão geladas. A ideia por trás dessa estratégia é fazer com que menos quimioterapia circule pela pele do couro cabeludo, reduzindo assim o efeito de queda de cabelo.

Máquina de resfriamento do couro cabeludo para evitar queda de cabelo durante a quimioterapia. O módulo azul é central de resfriamento do fluido. Este equipamento dispõe de duas toucas, duas pessoas podem utilizar ao mesmo tempo.

Existem vários tipos de equipamentos que fazem o resfriamento do couro cabeludo para reduzir a perda de cabelo. No nosso hospital dispomos de um aparelho que é composto de uma central de resfriamento ligada a duas toucas (veja as fotos). A touca é colocada nas pessoas antes da administração da quimioterapia e é bem presa por tiras de modo a que todas as partes do couro cabeludo estejam em contato com a touca. A máquina é então ligada e começa o resfriamento do couro cabeludo, que demora em torno de 30 minutos. Esta fase pode ser um pouco desconfortável, quando eu fiz o teste em mim mesmo foram um pouco difíceis os primeiros 15 minutos, mas depois a gente se acostuma com o frio. Após 30 minutos, os medicamentos são aplicados normalmente e a pessoa ainda fica de 30 minutos a uma hora e meia com a touca depois do término da medicação. Isto depende do tipo do medicamento utilizado.

Detalhe da touca, a parte verde clara é uma espécie de tubo por onde circula o fluido gelado, a parte cinza é colocada por cima desta touca para deixá-la bem justa ao couro cabelo e assim distribuir o frio igualmente.

O resultado é melhor em esquemas de tratamento menos intensos. Quando é necessário o uso de quimioterapia em dose densa ou altas doses ainda observamos perda de cabelos, mas menor do que quando não se usa o aparelho. Ele também não é recomendado para cânceres de pele ou linfomas de pele, visto que pode aumentar o risco de retorno da doença no couro cabeludo.

Este sou durante um teste de 30 minutos do equipamento.

Este é um dispositivo relativamente novo na medicina e cada vez mais estudos são feito. Estamos aprendendo bastante sobre o seu potencial e limitações. Já está disponível em muitos hospitais públicos e privados no Brasil. É uma estratégia bastante promissora para reduzir a perda de cabelo, reduzindo os efeitos colaterais durante a quimioterapia.

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CONHEÇA OS QUATRO SUBTIPOS DE CÂNCER DE MAMA E AS ESTRATÉGIAS DE TRATAMENTO PARA CADA UM DELES POR FELIPE ADES

Bom dia Cats!!  O nosso diretor científico Dr. Felipe Ades – Oncologista fez uma matéria que vale a pena ler nos informando sobre os quatro subtipos de câncer de mama e as estratégias de tratamentos que existem para combater cada um deles. Confiram!! 

No começo dos anos 2000 os cientistas, analisando o DNA de diversos tumores da mama, identificaram que o que nós classificávamos como câncer de mama não era uma doença única, com pequenas diferenças de pessoa para pessoa, mas sim 4 doenças diferentes. Foi identificado que esses quatro tipos de câncer de mama têm características moleculares, comportamento biológico e resposta a tratamentos diferentes.

Os cânceres de mama foram classificados como câncer de mama luminal (A e B), câncer de mama HER2 positivo e câncer de mama triplo negativo. Esses nomes foram dados de acordo com as características das células cancerosas.

Os cânceres luminais apresentam receptores de hormônios femininos, sendo bastante responsivos a tratamentos hormonais com medicamentos como o Tamoxifen, Anastrozol (nome comercial Arimidex), Letrozol (nome comercial Femara) entre outros. Estes são os cânceres de mama mais comuns. Eles são divididos entre luminal A, caso seja uma célula que cresça lentamente, e luminal B, caso seja uma célula que cresça mais rapidamente. A quimioterapia tem pouco efeito nesses tipos de câncer, mas funciona um pouco melhor nos cânceres luminais B.

O câncer de mama HER2 positivo apresenta o receptor HER2 na membrana celular. Este tipo de doença apresenta um crescimento mais acelerado e tinha uma resposta ao tratamento bastante ruim, antes do desenvolvimento dos medicamentos que bloqueassem o HER2. Depois do desenvolvimento do medicamento Trastuzumab (nome comercial Herceptin) o tratamento do câncer de mama HER2 positivo melhorou dramaticamente e hoje conseguimos boas taxas de cura e controle de doença quando usamos a quimioterapia em conjunto com o Trastuzumab. Hoje existem vários medicamentos que agem bloqueando o HER2, como o Lapatinib (nome comercial Tykerb), o Pertuzumab (nome comercial Perjeta) e o TDM1 (nome comercial Kadcyla).

O último subtipo de câncer de mama é conhecido como câncer de mama triplo negativo. Ele tem a característica de não apresentar receptores hormonais (de estrogênio e de progesterona) e não apresentar o HER2. Justamente por não apresentar estes 3 receptores, é chamado de triplo negativo. Como ele não apresenta receptores, as medicações descritas anteriormente não funcionam. O principal tratamento desta doença se faz com a quimioterapia. Hoje existem muitas pesquisas sendo feitas para desenvolver novos medicamentos para o câncer de mama triplo negativo, como os inibidores da PARP e os bloqueadores do receptor de androgênio. Estes medicamentos seguem em estudos e ainda não estão disponíveis no dia a dia.

É importante notar que o tratamento com cirurgia e radioterapia é o mesmo para todos os tipos de câncer de mama, o que muda são os tipos de medicamentos que podemos fazer.