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QUIMIOTERAPIA SEM PERDER CABELOS POR DR. FELIPE ADES

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Bom dia Cats!!  O nosso diretor científico Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista escreveu essa matéria incrível sobre o método novo de passar pela quimio sem perder os cabelos. Confiram!! 

Um dos efeitos colaterais mais desagradáveis do tratamento com quimioterapia é a perda do cabelo. Apesar deste ser um efeito conhecido e esperado do tratamento, ele causa bastante desconforto e perda da autoestima em algumas pessoas, além de fazer a pessoa sempre lembrar que está em tratamento contra o câncer.

Os cabelos caem justamente pelo efeito da quimioterapia. Nós sabemos que as células do câncer se multiplicam e crescem mais rápido que as células normais do corpo. Sabendo disso, os remédios foram desenvolvidos para atacar as células que se multiplicam mais rápido, assim reduzindo os tumores e aumentando a chance de cura após a cirurgia. O problema disso é que existem células normais do corpo que também se multiplicam rapidamente como as células do sistema imunológico, por isso sempre pedimos exames de sangue durante o tratamento para acompanhar como está a imunidade. As células responsáveis por fazer crescer o cabelo também crescem rápido, logo são atingidas pela quimioterapia e o cabelo cai, depois de alguns dias do tratamento, dependendo do remédio que se use.

Normalmente os cabelos voltam a crescer algumas semanas depois do tratamento terminar mas, principalmente para mulheres, ele pode demorar bastante tempo para voltar ao comprimento que estava antes do tratamento.

No entanto existe hoje uma estratégia para tentar reduzir ou evitar a perda de cabelo, são aparelhos que causam o resfriamento do couro cabeludo durante a administração da quimioterapia. O frio faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, assim menos sangue passa por partes do corpo que estão geladas. A ideia por trás dessa estratégia é fazer com que menos quimioterapia circule pela pele do couro cabeludo, reduzindo assim o efeito de queda de cabelo.

Máquina de resfriamento do couro cabeludo para evitar queda de cabelo durante a quimioterapia. O módulo azul é central de resfriamento do fluido. Este equipamento dispõe de duas toucas, duas pessoas podem utilizar ao mesmo tempo.

Existem vários tipos de equipamentos que fazem o resfriamento do couro cabeludo para reduzir a perda de cabelo. No nosso hospital dispomos de um aparelho que é composto de uma central de resfriamento ligada a duas toucas (veja as fotos). A touca é colocada nas pessoas antes da administração da quimioterapia e é bem presa por tiras de modo a que todas as partes do couro cabeludo estejam em contato com a touca. A máquina é então ligada e começa o resfriamento do couro cabeludo, que demora em torno de 30 minutos. Esta fase pode ser um pouco desconfortável, quando eu fiz o teste em mim mesmo foram um pouco difíceis os primeiros 15 minutos, mas depois a gente se acostuma com o frio. Após 30 minutos, os medicamentos são aplicados normalmente e a pessoa ainda fica de 30 minutos a uma hora e meia com a touca depois do término da medicação. Isto depende do tipo do medicamento utilizado.

Detalhe da touca, a parte verde clara é uma espécie de tubo por onde circula o fluido gelado, a parte cinza é colocada por cima desta touca para deixá-la bem justa ao couro cabelo e assim distribuir o frio igualmente.

O resultado é melhor em esquemas de tratamento menos intensos. Quando é necessário o uso de quimioterapia em dose densa ou altas doses ainda observamos perda de cabelos, mas menor do que quando não se usa o aparelho. Ele também não é recomendado para cânceres de pele ou linfomas de pele, visto que pode aumentar o risco de retorno da doença no couro cabeludo.

Este sou durante um teste de 30 minutos do equipamento.

Este é um dispositivo relativamente novo na medicina e cada vez mais estudos são feito. Estamos aprendendo bastante sobre o seu potencial e limitações. Já está disponível em muitos hospitais públicos e privados no Brasil. É uma estratégia bastante promissora para reduzir a perda de cabelo, reduzindo os efeitos colaterais durante a quimioterapia.

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CONHEÇA O PAPEL FUNDAMENTAL DO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ONCOLOGIA NO TRATAMENTO DOS PACIENTES COM CÂNCER POR DR. FELIPE ADES

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Cats,  esse texto do nosso diretor científico Dr. Felipe Ades – Oncologista nos conta qual o verdadeiro papel do enfermeiro da área oncológica, um dos profissionais que mais auxilia os pacientes com câncer. 

Oncologia é uma área da medicina que requer um cuidado multidisciplinar. Para que um tratamento seja feito com sucesso é necessário que se trabalhe em equipe com um grande número de especialistas das mais diversas áreas da saúde. Veja no texto abaixo o papel fundamental do enfermeiro especialista em oncologia no tratamento dos pacientes com câncer. Texto elaborado por Iracema Coelho, enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein.

O enfermeiro oncológico é o profissional que vai prestar assistência ao paciente, em todas as fases do tratamento do câncer. Desde o diagnóstico da doença, passando pelas várias fases do tratamento como a cirurgia, a radioterapia, e o tratamento com medicamentos e quimioterapia. A oncologia é uma área muito específica, portanto é importante que os enfermeiros tenham formação de especialista na área e que estejam sempre se atualizando.

Além de prestar assistência, o enfermeiro oncologista tem outras atribuições, como tomar providências administrativas para a liberação e agendamento dos procedimentos de tratamento além de ter papel educacional, orientando tanto o paciente quanto os familiares durante o tratamento.

No dia-a-dia da assistência o enfermeiro recebe o paciente após a decisão de tratamento pelo médico oncologista. Neste momento o paciente é acolhido pelo enfermeiro que realiza a conferência do protocolo de tratamento, checando informações como o peso e altura, doses de medicações e medicações de suporte para a quimioterapia, conhecidas com “pré-QT”. Isto garante uma maior segurança na administração dos protocolos de tratamento.

Um aspecto muito importante para o tratamento é a escolha de dispositivo para a infusão dos quimioterápicos que serão feitos pela veia. Nesta avaliação o enfermeiro avalia as veias do paciente, e junto com a equipe médica, escolhe a melhor opção para a aplicação dos medicamentos. Algumas medicações podem ser feitas nas veias superficiais dos braços ou das mãos, por cateteres que chamamos de periféricos; já outros medicamentos precisam de veias mais fortes, sendo necessária a colocação de cateteres profundos. A escolha depende do tipo de tratamento e das veias de cada pessoa.

A maior parte das vezes o tratamento é feito no ambulatório. O paciente vem ao hospital apenas para a aplicação do medicamento e retorna para casa no mesmo dia. Quando o paciente chega ao centro de infusão, é realizada uma consulta inicial de enfermagem, onde são coletadas todas as informações relevantes para o tratamento e também são dadas as orientações importantes ao paciente e acompanhante, como possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, coleta de exames, cuidados com cateter, como realizar os agendamentos, o que muda no dia-a-dia do paciente durante o tratamento, quando entrar em contato com a equipe médica ou quando e como procurar um pronto atendimento em caso de necessidade.

Realiza-se também um exame físico geral e analisa-se a necessidade de avaliação e acompanhamento de outros profissionais, como psicólogos, dentistas, fonoaudiólogos, etc. Após realizar esta consulta inicial, o enfermeiro fornece todas as orientações e esclarece as dúvidas, para então dar início ao tratamento.

Tão importante quanto os medicamentos quimioterápicos, é o controle e manejo dos sintomas colaterais; que podem ser determinantes para o sucesso e continuidade do tratamento. É importante estar atento à prevenção e controle destes sintomas indesejados.

Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein
Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein

Atualmente, com o avanço das pesquisas, há no mercado uma ampla gama de opções de tratamento de suporte que amenizam os transtornos causados pelos quimioterápicos como, por exemplo, os medicamentos para enjôo de última geração, que podem reduzir significativamente o surgimento de náuseas. O uso da touca gelada para diminuir a queda de cabelo, pode ser uma opção, principalmente para pacientes do sexo feminino, que buscam manter a autoestima.

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Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein na festa de aniversário do Centro de Oncologia

O enfermeiro oncológico atua não apenas durante o período da quimioterapia, a assistência é integral também durante o tratamento radioterápico (caso este seja necessário); onde o enfermeiro também intervém fazendo a avaliação pré-tratamento, acompanhamento durante a radioterapia e orientando após o fim deste tratamento. Caso seja necessária a internação hospitalar, quer seja para tratamento quimioterápico, ou para controle dos sintomas, a equipe de enfermagem oncológica acompanha o paciente durante todo este período. Tanto para o paciente ambulatorial, quanto para o paciente internado, existe enfermeiro especializado em curativos para pacientes com câncer, caso haja essa necessidade.

O enfermeiro é provavelmente o profissional com o qual o paciente tem mais contato durante o tratamento. Por isso é muito comum que o enfermeiro seja o primeiro profissional a reconhecer possíveis alterações clínicas ao longo do tratamento, podendo detectar problemas quando ainda estão em sua fase inicial, mesmo que não sejam ainda notados pelo paciente. É o enfermeiro que faz, muitas vezes, o primeiro alerta dentro da equipe assistente, para que se avaliem possíveis problemas ao longo do tratamento.

O enfermeiro oncologista é um elo fundamental no tratamento multidisciplinar dos pacientes com câncer, trabalhando em conjunto com os demais profissionais e assim promovendo uma assistência integral e de qualidade aos pacientes.

Iracema Coelho - Enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein
Iracema Coelho – Enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein

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CÂNCER E VACINAÇÃO: QUEM JÁ TEVE CÂNCER OU ESTÁ EM TRATAMENTO PODE SER VACINADO? por Dr. Felipe Ades

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Bom dia, Cats!!  Essa é uma dúvida que muita gente tem: Quem está em tratamento contra o câncer, ou quem já tratou, pode ser vacinado?  O Dr. Felipe Ades, nosso diretor científico, responde para nós nesse texto!!  Confiram:

Uma questão que aparece com frequência durante surtos de doenças infecciosas é: Quem está em tratamento contra o câncer, ou quem já tratou, pode ser vacinado? Recentemente esta questão tem aparecido muito em consultas, visto que estamos no meio de um aumento de casos da gripe H1N1.

Para responder essa pergunta são necessários alguns conhecimentos sobre a imunidade, o tratamento do câncer e sobre a composição das vacinas.

Os vírus e bactérias que atacam nosso corpo possuem uma composição de moléculas diferentes das nossas. Nossa imunidade natural funciona identificando essas partes das bactérias ou dos vírus, e assim criando anticorpos capazes de identificar essas substâncias. Os anticorpos, por sua vez, são moléculas produzidas pelas nossas células de defesa, direcionadas contra essas substâncias dos agentes invasores, como uma bala teleguiada. Os anticorpos são produzidos por uma célula de defesa, conhecida como linfócito B, e em seguida despejados no sangue. O anticorpo então circula pelo corpo e, assim que encontra o agente invasor, se gruda a ele. Isto faz com que este agente invasor se torne visível para as demais células de defesa, que então destroem o vírus ou bactéria que está grudado ao anticorpo.

Este processo de identificação da bactéria ou vírus até a produção dos anticorpos leva alguns dias para se completar. Por isso que, em geral, demoramos entre 3 a 7 dias para ficar curados de um resfriado. Os anticorpos feitos desta maneira geram o que chamamos de memória imunológica. Sempre que o mesmo agente invasor tentar entrar no corpo novamente nós já teremos os anticorpos e o sistema imunológico irá destruir o agente invasor antes que ele possa nos fazer ficar doentes por uma segunda vez.

É por causa desta característica da memória imunológica que as vacinas são tão eficazes na prevenção de doenças infecciosas. A ideia é “treinar” as células de defesa com as vacinas para que elas aprendam a combater a doença, sem precisar que nós fiquemos doentes.

Vacinação e câncer.

Vacinação e câncer.

Existem tipos diferentes de vacinas. Algumas são feitas com vírus ou bactérias mortas. Quando são injetados em uma pessoa, o sistema imunológico consegue reconhecer as partes das bactérias e vírus mortos e fazer anticorpos que ficam “guardados”. Se por acaso a pessoa entrar em contato com o vírus vivo ela já terá as armas para combater a doença, e não ficará doente. Este é o caso das vacinas da gripe, do tétano, da meningite, do pneumococo, da hepatite e do HPV.

Um outro tipo de vacina é feita com vírus ou bactérias vivas atenuadas. Neste tipo de vacina o vírus ou bactéria é modificado em laboratório para ficar bem mais fraco, com pouca capacidade de causar qualquer tipo de doença. Assim quando é injetado o agente invasor não consegue se espalhar no corpo e a imunidade rapidamente consegue destruí-lo, fazendo também anticorpos. Estes anticorpos funcionarão caso a pessoa entre em contato com o vírus ou bactéria normal, impedindo que a pessoa fique doente. Este é o caso das vacinas com BCG, sarampo, caxumba, catapora, poliomielite (gotinha, Sabin), febre amarela e rubéola.

Em geral essa imunidade é permanente, quem já teve uma doença não tem a mesma doença de novo. O que acontece com o caso da gripe é que o vírus muda muito rapidamente, de um ano para o outro. Ele muda tanto que consegue escapar dos anticorpos que nós possamos já ter. Por isso é importante se vacinar todos os anos. Todos os anos é feita uma nova vacina, para atacar essas novas partes do vírus que mudam com o tempo.

Qual é o problema de tomar a vacina durante um tratamento contra o câncer?

A pessoa que está em tratamento pode estar usando medicamentos, como a quimioterapia, que reduzem a imunidade e a capacidade de lutar contra bactérias e vírus. Para estas pessoas, mesmo o vírus ou bactéria atenuado e enfraquecido pode ser um problema. A pessoa sem imunidade pode ficar doente se entrar em contato com as bactérias ou vírus atenuados destas vacinas. Logo, pessoas em tratamento contra o câncer, que estejam com imunidade baixa, não podem de nenhuma maneira tomar vacinas com vírus ou bactérias vivos e atenuados.

Já as vacinas de vírus ou bactérias mortos não são capazes de causar nenhum problema para a pessoa em tratamento. A questão aqui é que talvez essas vacinas não sejam eficazes. Como a imunidade está baixa pelo tratamento, é possível que o corpo não consiga produzir os anticorpos. A pessoa então teria tomado a vacina “à toa”. Para saber se a vacina funcionou a única maneira é fazer um exame de sangue, depois de algumas semanas, e medir a quantidade de anticorpos.

Depois de 3 a 6 meses do fim do tratamento a imunidade volta completamente ao normal. Qualquer pessoa que esteja nessa situação pode fazer qualquer vacina sem nenhum problema.

E o que fazer agora durante o surto de gripe H1N1?

Esta vacina é feita de vírus morto. Não há chance da pessoa em tratamento contra o câncer contrair a gripe pela vacina, no entanto, existe uma chance razoável da vacina não fazer efeito. Pessoalmente eu não vejo nenhum problema em vacinar, mesmo que a eficácia da vacina seja reduzida nessas pessoas. Lembrando que a melhor medida para prevenir a gripe, em quem está em tratamento, é a lavagem das mãos, e evitar o contato com pessoas que apresentem os sintomas de gripe. Ao menor sinal de febre, tosse, ou qualquer outro sintoma que sugira infecção das vias respiratórias deve-se entrar em contato com a equipe médica em que se esta tratando.

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O que é metástase por Dr. Felipe Ades

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Bom dia Cats, o texto novo do nosso diretor científico Dr. Felipe Ades esclarecendo para nós o que é metástase e como ela funciona!! Confiram!! 

Metástase é uma palavra de origem grega que significa “próximo local”. As metástases ocorrem porque células do câncer se desprendem do seu lugar de origem, migrando para locais distantes do corpo, onde voltam a crescer formando novos tumores. A capacidade de gerar metástases é uma das características que definem o câncer.

As células cancerígenas são capazes de liberar substâncias ao seu redor que quebram as ligações normais que existem entre as células saudáveis. Ao quebrar essas espécies de âncoras biológicas, as células cancerígenas podem “caminhar” e alcançar os vasos sanguíneos ou linfáticos (por onde caminham parte das células de defesa). Este processo é conhecido tecnicamente como transição epitélio-mesenquimal.

Câncer e metástase. A figura representa uma célula cancerígena saindo do seu lugar de origem, entrando em um vaso sanguíneo e saindo em outro local, para formar a metástases

Ao chegar nos vasos sanguíneos e linfáticos as células cancerígenas fazem pequenos furos entre as células que formam os vasos. Posteriormente elas podem entrar na corrente sanguínea ou linfática e a partir daí alcançar locais distantes do corpo.

Ao circular pelo sangue eventualmente esta célula pode entupir um vaso sanguíneo menor, ou pode se ligar à parede de um vaso sanguíneo longe do local de onde ela entrou. Em seguida a célula cancerígena sai do vaso sanguíneo e volta a crescer formando um novo tumor, que chamamos de metástase.

É importante notar que as células da metástase continuam sendo células com as características do seu local de origem. Por exemplo, um câncer de intestino pode crescer invadindo os vasos sanguíneos, e causando metástases à distância no fígado. Estas metástases são compostas por células do câncer de intestino e continuam tendo o mesmo comportamento. Esta pessoa deve ser tratada com medicamentos contra o câncer de intestino.

Um outro exemplo: O câncer de mama pode causar metástases ósseas, nestas situações é comum haver confusão e se achar que tem duas doenças: um câncer na mama e outro câncer no osso. Na realidade se trata da mesma doença, um câncer de mama que causou metástases para os ossos. Estas metástases continuam sendo câncer de mama, mas crescendo a distância do seu lugar de origem.

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Por que o cabelo cai durante a quimioterapia por Dr. Felipe Ades

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Boa tarde, Cats!  Vocês têm dúvida sobre o motivo da queda de cabelo durante a quimioterapia??  O nosso diretor científico Dr. Felipe Ades esclarece o assunto para nós nesse texto! 

Existe um mecanismo de ação em comum, todos os medicamentos conhecidos com quimioterapia agem atacando as células de rápido crescimento. Como a célula cancerígena tem a característica de crescer e se multiplicar mais rapidamente que as células normais do corpo, ela é mais afetada pelos medicamentos.

O problema é que existem células normais do corpo que também se reproduzem rápido, e estas células são igualmente afetadas pelos medicamentos. Logo, alguns efeitos colaterais são esperados durante o tratamento com quimioterapia, e um deles é a queda de cabelos. Como os cabelos estão em constante crescimento, a quimioterapia afeta sua raiz, levando a queda dos cabelos. Este é um efeito comum de medicamentos como as antraciclinas (doxorrubicina e epirrubicina), os alquilantes, como a ciclofosfamida e os inibidores de topoisomerase, como o irinotecan. Outros medicamentos, como os taxanes (docetaxel e paclitaxel), afetam a estrutura do fio de cabelo, tornando-os mais quebradiços e também causando sua queda. A radioterapia na região da cabeça é outro tratamento que causa queda de cabelos. Por vezes, quando o tratamento é mais intenso, ou a pessoa mais sensível, pode haver queda de pelos corporais, e até mesmo cílios e sobrancelhas.

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CONHECENDO MELHOR O CÂNCER DE MAMA TRIPLO NEGATIVO POR DR. FELIPE ADES

Cats, essa matéria do nosso diretor científico Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista sobre câncer de mama triplo negativo está ótima e esclarece muito sobre esse tipo de diagnóstico!! 

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 Confiram!

Câncer não é uma única doença e sim um conjunto de diversas enfermidades que têm comportamentos, localizações, e resposta a tratamentos diferentes. O câncer de mama é um bom exemplo de como os diversos tipos de câncer podem ser diferentes, apenas esta doença hoje é dividida em 4 subtipos. São eles os cânceres luminais A e B, o câncer HER2 positivo e o triplo negativo.

O câncer de mama conhecido como triplo negativo tem características bem diferentes dos demais cânceres de mama. A cada 10 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, duas terão o tipo triplo negativo. Em geral estes são cânceres que se formam nas células dos ductos por onde passa o leite materno, e têm como característica o crescimento acelerado das células cancerígenas.

O nome triplo negativo é dado pela análise de algumas características do câncer de mama que estão ausentes nesta doença. Sempre que se faz o diagnóstico de câncer de mama é necessário avaliar se a doença apresenta moléculas conhecidas como receptor de estrogênio, receptor de progesterona e receptor HER2. Nenhum destes 3 receptores está presente neste tipo de câncer de mama, por isso são chamados de triplo negativo.

Muito progresso tem sido feito na compreensão dos mecanismos de desenvolvimento e diferenciação do câncer de mama.

Nas células normais, estes receptores funcionam como antenas que percebem os hormônios e fatores de crescimento que circulam normalmente pelo organismo, e crescem estimulados por eles. Quando células cancerígenas apresentam estes receptores elas crescem de maneira descoordenada e com muita velocidade quando os receptores se ativam. Por isso foram desenvolvidos medicamentos que bloqueiam justamente esses receptores. Para os receptores hormonais usamos medicamentos como tamoxifeno, anastrozol, letrozol, exemestano e fulvestranto; para o HER2 podemos usar o trastuzumab, o pertuzumab, lapatinib e o TDM1.

No câncer triplo negativo nenhum destes remédios pode ser utilizado, pois este tipo de câncer não apresenta os seus alvos. Isto, no entanto, não muda a escolha de tratamento com cirurgia e radioterapia, mas orienta a escolha dos medicamentos a serem utilizados, em geral quimioterapia citotóxica. Como a quimioterapia age atacando as células que se dividem rapidamente ela é o tratamento mais efetivo nesta doença. A quimioterapia no câncer de mama triplo negativo tem melhores resultados que em cânceres de mama de outros tipos. Por vezes utilizamos a quimioterapia antes da cirurgia, com o intuito de reduzir a doença e facilitar a cirurgia. Existe uma boa chance do câncer triplo negativo desaparecer com a quimioterapia, mas mesmo assim é necessária a cirurgia. Caso ainda sobre doença após a cirurgia é possível complementar o tratamento com dose adicionais de quimioterapia no pós operatório para aumentar a chance de cura.

Ainda não existe nenhum alvo para tratamentos específicos contra o câncer de mama triplo negativo. Muitas pesquisas têm sido feitas a procura destes alvos e conforme vamos conhecendo mais a doença, novos e melhores medicamentos vão sendo desenvolvidos.

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DR. FELIPE ADES: NO COMBATE ÀS INFECÇÕES

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Bom dia, Cats!  Vocês já ouviram falar dos neutrófilos? São as células mais numerosas do sistema imunológico e têm como principal função o combate às infecções.   O nosso diretor científico Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista explica mais sobre isso nessa matéria superinteressante aqui!  Confira:

Os neutrófilos são as células mais numerosas do sistema imunológico, correspondendo a quase 70% das células de defesa. São células que ficam circulando no sangue, em sua maior parte, e têm como principal função o combate às infecções.

Neutrófilos são afetados pela quimioterapia e podem ter seu número reduzido durante o tratamento.

Durante o ataque imunonógico às bactérias invasoras, um outro tipo de célula, o plasmócito, libera anticorpos no sangue. Esse anticorpos funcionam com balas teleguiadas e vão se grudar à superfície das bactérias agressoras. O neutrófilo age engolindo e digerindo as bactérias cobertas por anticorpos, processo conhecido como fagocitose. Além disso libera substâncias no local da infecção, para chamar mais células de defesa.

Estima-se que o nosso corpo produza em torno de 100.000.000.000 de neutrófilos por dia. Esta é uma célula de vida curta, durando entre 5 horas e 5 dias.

Como é uma célula de crescimento e divisão rápida, é bastante afetada pela quimioterapia. Medicamentos contra o câncer podem causar a baixa dos neutrófilos (conhecida como neutropenia) e aumentar o risco de infecção durante o tratamento.

Um dos motivos do intervalo entre as doses de quimioterapia é aguardar a recuperação da quantidade de neutrófilos no sangue. Nenhum tipo de dieta, suplemento, chá, alimento ou repouso aumenta a velocidade de recuperação dos neutrófilos. Quando há necessidade de aumento rápido (como em casos de infecção) podemos fazer medicamentos estimuladores, mas na maioria dos casos o tempo é suficiente para a recuperação (para a maioria dos medicamentos o efeito máximo de queda ocorre em torno de 10 dias e a recuperação em duas a três semanas).

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A história da quimioterapia moderna por Dr. Felipe Ades

Cats queridas, vocês estão ansiosas para a Live do nosso colaborador científico, Dr. Felipe Ades MD PhD – Oncologista? 

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 Então confiram essa matéria incrível dele com curiosidades sobre a origem dos medicamentos quimioterápicos na história, desde Segunda Guerra Mundial! 

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 Confiram:A história da quimioterapia moderna começa ironicamente em um dos eventos mais infames da Segunda Guerra Mundial. No dia 2 de dezembro de 1943 diversos navios aliados esperavam para descarregar no porto de Bari, no sul da Itália. Dentre eles, o navio americano US Liberty Ship John Harvey, secretamente carregado com toneladas do agente mostarda, para ser usado como arma química na campanha aliada na Itália. Neste dia, um ataque surpresa da força aérea alemã afundou 28 navios ancorados no porto, dentre eles o John Harvey, no evento conhecido como “pequeno Pearl Harbor”. A fumaça tóxica liberada pelo navio em chamas expôs centenas de militares e moradores de Bari ao tóxico. O agente mostarda é uma devastadora e cruel arma química que age provocando lesões de pele, olhos, cegueira, edema pulmonar, entre outros, podendo levar à morte se a exposição for intensa. De acordo com a convenção de armas químicas em 1997, seu uso foi banido em todo o planeta. Após o ataque, dois farmacologistas norte-americanos foram chamados para investigar os efeitos do agente mostarda em humanos, Louis S. Goodman e Alfred Gilman. Dentre as catastróficas agressões ao organismo, os pesquisadores identificaram uma dramática redução na quantidade de células brancas sanguíneas. Nos anos seguintes, estes pesquisadores desenvolveram derivados do agente mostarda com o objetivo de tratar linfomas e leucemias, cânceres derivados das células brancas sanguíneas. Suas descobertas salvaram milhares de vidas e abriram portas para o desenvolvimento de toda uma nova classe de medicamentos para o tratamento de câncer. A medicina transformou uma molécula química feita para matar em algo capaz de curar.

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O que é o câncer por Dr. Felipe Ades

Cats, vocês têm curiosidade de saber o que é e como se forma o câncer no nosso corpo? O nosso diretor cientifico Dr. Felipe Ades explica para a gente nessa matéria aqui! 

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Nosso corpo é composto por trilhões de células. Esta é a menor fração do corpo humano, como pequenos tijolos em uma grande construção. Células iguais se organizam para formar os tecidos, as paredes desta construção. Diferentes tecidos se organizam em estruturas com funções fisiológicas definidas, o que chamamos de órgão, como a pele, coração, cérebro e todos os outros.

O câncer é uma doença da célula. A doença se desenvolve por conta de defeitos no material genético de uma célula normal. A estes defeitos damos o nome de mutações. Isto leva esta célula normal a adquirir um comportamento defeituoso, multiplicando-se rapidamente e formando tumores, uma das principais características do câncer. Além disso, as células cancerígenas têm a capacidade de se destacar do seu local de origem e migrar para outros órgãos pelo sangue ou vasos linfáticos. Ao chegar em outras partes do corpo elas voltam a crescer, formando as metástases.

DNA e Cromossomo

Todas as células humanas possuem no seu núcleo as informações para o desenvolvimento e funcionamento normal do corpo. Estas informações estão “escritas” no DNA (ácido desoxirribonucleico). O DNA é uma fita composta por 4 tipos de moléculas, adenina, timina, guanina, citosina, cuja estrutura de dupla hélice é bastante conhecida.

Cromossomo é a formato mais compactado da dupla fita de DNA.

No corpo humano existem 23 pares de fitas de DNA, conhecidas pelo nome de cromossomos. Os cromossomos dos seres humanos têm em torno de 30 mil instruções, cada uma dessas instruções é chamada de gene.

Imagem real dos 23 pares de cromossomos existentes nos seres humanos, exame conhecido como cariótipo.

Fazendo uma analogia, o conjunto dos cromossomos seria como um “livro da vida” que contém todas as instruções para formar qualquer parte do corpo. Os genes seriam as informações contidas em cada página desse livro. As instruções de cada gene vão servir para objetivos diferentes dentro do corpo. A sequencia de moléculas na linha do DNA seriam as palavras dentro de cada página.

As instruções contidas nos genes são necessárias para várias atividades do corpo. Algumas são responsáveis por formar traços visíveis, como por exemplo o formato do rosto, nariz e orelhas, cor do cabelo e olhos, a estatura e a cor de pele. Existem também genes que contém informações para funções não visíveis do corpo, como a fabricação de enzimas digestivas, respiração das células, formação de anticorpos contra os vírus e bactérias dentre muitas outras.

Mutação

O câncer acontece quando existem erros nessas informações, o que chamamos de mutações. Por diversos motivos podem ocorrer erros nas instruções dos genes, como se linhas do “ livro da vida” se modificassem dando outro sentido às instruções. A célula então começa a se comportar de maneira diferente do que devia e, dependendo do local e quantidade de mutações, uma célula normal pode se transformar numa célula cancerígena.

Representação de uma mutação pontual no DNA. Houve uma modificação na fita de baixo em relação à fita normal, de cima. Esta pequena modificação pode modificar a instrução dada à célula.

Hoje conhecemos boa parte dos genes que, quando mutados, podem transformar uma célula normal em uma célula cancerígena. A estes genes damos o nome de oncogene. Estes genes, em geral, contém instruções que regulam o crescimento das células, instruções para o conserto de erros no DNA ou instruções de mecanismos de autodestruição da célula em caso de defeito grave, conhecido tecnicamente por apoptose.

Uma mutação em um gene que regula o crescimento da célula pode causar um erro de ativação fazendo com que a célula cresça e se multiplique continuamente. Uma alteração em um gene responsável por controlar a correção do erro no DNA pode bloquear os reparos da célula e facilitar o acúmulo de mais erros. Com o tempo, o acúmulo de erros no DNA pode fazer esta célula se transformar numa célula cancerígena. Da mesma maneira, uma alteração no mecanismo de autodestruição da célula pode fazer com que uma célula defeituosa permaneça crescendo e acumulando mais erros no seu DNA, aumentando a chance de desenvolvimento de câncer no futuro.

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Os Perigos das Mídias Sociais para a Saúde por Dr. Felipe Ades

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Cats,  o nosso colunista e diretor científico, Dr. Felipe Ades, traz um texto muito importante sobre como as mídias sociais têm o poder de espalhar notícias falsas e perigosas para a nossa a saúde.

As mídias sociais democratizaram a informação. Não dependemos de jornais, revistas e TVs formais para achar entretenimento ou informação. Hoje quem decide o que se assiste somos nós. Não apenas o que se assiste, hoje podemos criar conteúdo e disponibilizar para quem se interessar. As mídias sociais também permitiram maior organização popular, vimos isto acontecendo em diversos países do mundo. Exemplos recentes são a primavera árabe, no oriente médio; as manifestações contra a austeridade na Europa e o debate político no Brasil.

Mas nem tudo são flores quando se fala de disseminação de informação. Umberto Eco, o escrito italiano recém falecido, dizia que “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”. Embora esta afirmação seja no mínimo agressiva, nós temos que convir que existem realmente pessoas que fazem péssimo uso da internet. Alguns exemplos são o acirramento dos ânimos políticos no Brasil, o recrutamento de jovens para grupos terroristas e todo o tipo de crime eletrônico possível pela internet.

Quando se trata de saúde, a disseminação de falsas informações pode ser catastrófica. Há uma imensidão de sites orientando dietas, pílulas para emagrecer, receitas, simpatias. Outros divulgam sintomas e fazem prognóstico, em poucas linhas descobrem a doença do leitor, o tratamento e quanto tempo de vida ainda lhe resta. Em oncologia a quantidade de medicamentos feitos de raízes e ervas que “matam tantos porcento das células cancerígenas” é fantástica. Depoimentos de pessoas curadas no youtube não faltam, várias estavam com doenças terminais que foram curadas milagrosamente com cápsulas ou chás que parecem ter sido enviados por Deus a esses supostos pesquisadores, ou pior, vendedores do medicamento ou detentores da patente. Pessoas que se aproveitam do desespero e da fragilidade de pacientes em tratamento contra o câncer ou de familiares angustiados para encontrar alternativas para seus entes queridos. Não se enganem, isto é crime, não só no Brasil, como em diversos países do mundo.

Vejam o exemplo desta história que ocorreu na Austrália, e o mal que isto pode ter feito a centenas, talvez milhares, de pessoas. Belle Gibson era um empreendedora que criou um aplicativo de “dietas naturais” e publicou um livro explicando suas receitas de alimentos anticâncer. Ambos eram “best sellers”, estavam na lista de aplicativos para celular e livro mais vendidos. Ela dizia que tinha abandonado seu tratamento convencional para um câncer de cérebro, que não estava mais funcionando, e que começou a se tratar apenas seguindo a sua dieta anticâncer, tendo inclusive sido curada por ele. Fazia campanhas para arrecadação de fundos para entidade filantrópicas de combate ao câncer, dinheiro que nunca foi repassado a estas entidades.

Recentemente ela admitiu que todas as histórias sobre ela ter tido câncer são falsas, ela nunca esteve doente. O aplicativo e o livro foram retirados de venda, e ela está sendo processada em mais de 1 milhão de dólares pelo Estado Australiano.

Agora imagine que você é um paciente, e deixou de fazer o tratamento recomendado por seu médico para seguir o tratamento proposto pela dona do aplicativo e do livro. Deixou de seguir um tratamento convencional para seguir uma pílula mágica, uma raiz, um chá, uma erva, que alguém te fez acreditar que seria indicada para você e resolveria o seu problema. Talvez quando você percebesse que não havia funcionado não haveria mais tempo para fazer um tratamento cientificamente eficaz e indicado pelo seu médico. Esse tempo da sua vida teria sido roubado por um boato, por uma falsa informação, por uma pessoa que te enganou num momento de desespero.

Por isso eu sempre recomendo que a conversa entre médicos e pacientes seja a mais clara e honesta possível. Dúvidas, segundas opiniões, novas informações são sempre bem-vindas e fazem parte dessa relação. Caso encontre algo que julgue interessante e que possa te ajudar, traga isso para seu médico e converse com ele. Caso ainda fique com dúvida, procure um segundo médico, um terceiro, quarto, mas converse com pessoas que saibam o que estão fazendo.

Tempo é muito precioso, uma das coisas mais importantes que temos na vida. Não desperdicemos nosso tempo, e vida, com boatos e pessoas mal-intencionadas ou que não tragam verdadeiras alternativas para nos ajudar.