O desconforto intestinal no dia a dia pode ser o corpo avisando que não está tudo bem. Para alertar e conscientizar a população sobre a prevenção do câncer colorretal, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) realiza, pela segunda vez, a campanha Setembro Verde durante todo este mês.
— A doença abrange tumores que acometem o intestino grosso e o reto. É curável quando detectado precocemente. Há também fatores de risco como doenças inflamatórias do intestino e doenças hereditárias — explica o presidente da Associação Brasileira de Coloproctologia Fábio Guilherme Campos, apontando para a importância do evento: — A incidência da doença está muito alta e se torna mais comum ao passo que a população envelhece. Esperamos que as pessoas saibam que ela é prevalente e pode ser prevenida.
Uma estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) prevê, ainda para este ano, cerca de 34.280 novos casos de câncer de cólon e reto no Brasil, sendo 16.660 homens e 17.620 mulheres. O tumor é o segundo mais frequente nas mulheres (após mama) e o terceiro nos homens (após próstata e pulmão).
Os primeiros casos podem aparecer como pólipos — conjunto de células com má-formação, porém, não cancerígenas. O pólipo leva alguns anos para se desenvolver, assim, é possível diagnosticá-lo antes que se torne maligno.
O coloproctologista Ronaldo Salles diz que podem ser necessárias quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
— Num nível muito avançado a situação se agrava e geralmente é quase impossível retirar o tumor — afirma o médico.
As três irmãs australinas Cassie Ford, Kristal Ford-Spencer and Katie Warrent são melhores amigas, e não passam um dia sequer sem manter contato. Na época em que a mãe comemorava 20 anos de superação de um câncer no ovário, Katie, de 30 anos, começou a sentir alguns sintomas diferentes e foi ao médico ver o que estava acontecendo.
Katie sentia dores no estômago e inchaço quando comia algum alimento mais pesado. Quando as dores aumentaram, ela procurou um hospital. Depois de quatro meses de investigação, o diagnóstico veio: era câncer no intestino.
“Por causa da minha idade e pelo fato de não ter histórico, os médicos não consideraram que podia ser câncer no intestino. Quando eu descobri, foi assustador, mas eu pensava “graças a Deus que não é com Kristal ou Cassie”, disse Katie, ao jornal DailyMail.
Katie passou por uma cirurgia de emergência para remover a parte do intestino afetada pelo câncer e passou por seis meses de quimioterapia intensa, mas logo no final do tratamento ela descobriu que o câncer tinha voltado.
“Meu tumor estava crescendo no sentido da coluna, e estava em outra parte do intestino, o que é algo muito raro de acontecer durante a quimioterapia, segundo os médicos”, disse.
No dia seguinte, no entanto, a outra irmã de Katie, Kristal, de 33 anos, recebeu uma notícia desagradável: estava com câncer de mama.
“Eu senti o nódulo anteriormente naquele ano e pensei ‘sem chance [de ser um câncer]’”, disse Kristal. “Eu fui ao médico alguns meses depois e eles me mandaram para uma mamografia urgente.
Ela, que não estava preocupada por causa do nódulo, recebeu o aviso que teria de voltar ao médico em no máximo 24 horas.
“Eu tinha feito ultrassons e exames anteriormente e eles nunca me ligaram pedindo para voltar ao médico”, contou Kristal.
A médica que leu meu diagnóstico disse: ‘você tem uma massa maligna’. Eu tenho certeza que ela não quis dizer as palavras ‘você tem câncer”.
O câncer de Kristal já estava avançado, e o nódulo tinha 14 centímetros. A cirurgia foi agendada para o mesmo dia.
Depois dessa notícia, os médicos aconselharam a outra irmã, Cassie, de 31 anos, a fazer um exame nas mamas, por precaução.
“Eu voltei para casa naquela noite e senti um nódulo no meu seio esquerdo”, disse Cassie. “Eu acabei fazendo uma ultrassom e, quando a ultrassonografista colocou o aparelho sobre o nódulo, a feição dela mudou. Era apenas cinco semanas depois da recidiva de Katie”, conta Cassie.
Segundo Cassie, a doença não era tão séria como a de Kristal, mas ela foi diagnosticada com câncer de mama estágio dois.
As três irmãs, então, começaram a fazer quimioterapia juntas.
“O câncer pode ser isolador, mas eu nunca me senti sozinha. Se eu tinha um dia ruim, eu tinha duas pessoas que sabiam exatamente pelo que eu estava passando”, disse Cassie.
“Foi muito difícil, porém. Como você pode focar na sua saúde quando você está tão preocupada pela saúde delas”?, disse Katie.
“Eu acredito que estamos sendo constantemente bombardeadas com amor e apoio, e se nós estamos nos sentindo pra baixo, há alguém para nos ajudar a sorrir de novo”, disse Katie, que continua lutando contra o câncer junto com suas irmãs.
Neste mês, a Campanha Setembro Verde, liderada pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia e ABRAPRECI (Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino), com o apoio da Merck e outras instituições, convida a população a assumir o compromisso de luta contra o câncer colorretal. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o segundo câncer mais prevalente em mulheres e o terceiro em homens. A campanha é reforçada com a Exposição do Intestino Gigante (IG) nos dias 25 a 27 de setembro na Marquise do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
O IG é uma réplica estilizada do intestino grosso, inflável de grandes dimensões, que reproduz estruturas como o pólipo, precedente ao tumor. Outras lesões como a retocolite ulcerativa, doença de Crohn, hemorroidas também serão visualizadas no modelo, além de obter informações sobre a prevenção do câncer do intestino e cuidados gerais de saúde nos vídeos de curta duração exibidos no interior do IG.
“Nosso objetivo é ressaltar para as pessoas a importância da prevenção da doença ou mesmo a detecção ainda no seu início e informá-las sobre as formas de tratamento”, explica a Dra. Angelita Gama, presidente da ABRAPRECI.
O IG já foi exibido em diversas cidades do País e também no exterior. No total, mais de 200.000 pessoas já visitaram a exposição e receberam informações sobre a prevenção do câncer do intestino.
Saiba mais sobre a doença
A alta prevalência do câncer colorretal é alarmante. Ainda segundo o INCA, o País terá mais de 32,6 mil novos casos este ano. A enfermidade se desenvolve silenciosa e gradativamente em sua fase inicial, por uma alteração nas células que começam a crescer de forma desordenada.
Os sintomas só aparecem quando o tumor já está mais desenvolvido. Sangramento nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e constipação alternados), necessidade frequente de ir ao banheiro, com sensação de evacuação incompleta, dor ou desconforto abdominal ou anal, fraqueza, anemia, sensação de gases ou distensão e perda de peso sem causa aparente são sinais de alerta.
Alimentação e hábitos de vida saudáveis ajudam na prevenção da doença. Dieta rica em fibras, frutas e vegetais frescos parecem ter efeito protetor sobre a doença enquanto que o consumo de gordura animal e de álcool são fatores de risco reconhecidos. A obesidade, o sedentarismo e o tabagismo, também estão ligados ao aparecimento do câncer de intestino. Pessoas com antecedentes familiares de pólipos benignos, câncer do intestino, retocolite ulcerativa, câncer de mama, ovário ou útero devem procurar um médico.
A prevenção é realizada com a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, exame que ajuda no diagnóstico e em alguns casos permite a remoção de pólipos, precursores do câncer do intestino.
Serviço:
Campanha Setembro Verde de Conscientização sobre o Câncer de Intestino