Pessoas em situação de rua fizeram, nesta quarta-feira (11), exames de prevenção ao câncer de próstata, no Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) de Vitória. Eles ainda tiveram a chance de medir a pressão e receberam informações sobre a importância da higienização na prevenção dessa doença.
Durante o dia de atendimento, a equipe do Hospital das Clínicas, referência em Urologia no Espírito Santo, realizou 30 exames no abrigo. O morador Antônio Mello fez o exame pela primeira vez, e destacou a importância do cuidado com a saúde.
“É a primeira vez que eu faço, eu acho importante fazer porque isso está matando as pessoas no Brasil e é bom a pessoa se cuidar, não adianta ter vergonha”, disse.
O recado de Antônio foi para os homens que, por preconceito ao exame de toque, necessário para a detecção do câncer de próstata, se recusam a realizar o exame.
O morador Aldemar Cunha, de 67 anos, é um dos homens em situação de rua que se recusou a realizar o exame no abrigo por causa do preconceito. “Eu vou morrer um dia, vai chegar a minha hora”, disse.
O morador Luiz Alves da Guia fez questão de fazer o exame. O pai dele morreu de câncer de próstata e por isso ele sabe a importância da prevenção. “Eu me cuido, já fiz uma vez, agora surgiu essa oportunidade e eu estou já na fila”, contou.
Todos os homens atendidos também receberam informação sobre a importância da higiene íntima para evitar o câncer. Só neste ano, 20 homens foram atendidos no Hospital das Clínicas de Vitóriax (Hucam) por causa desse tipo de câncer. Dois morreram semana passada.
“O costume da higienização é importante, às vezes essas pessoas carentes não têm esse tipo de higienização, são um pouco mais promíscuas e o câncer de pênis aparece com mais facilidade”, disse o médico Márcio Lamy, chefe do setor de urologia do Hucam.
No Centro de Referência, os moradores de rua recebem todo o apoio para manter a higiene em dia. “Eles recebem kit higiene pra banho, escovação de dente, toalha, xampu, condicionador, e aqui eles também podem lavar as roupas, recebem sabão em pó e cloro”, explicou Mauro Motta, coordenador do Centro POP.
A campanha “Novembro Azul” teve início dia 1º com o objetivo conscientizar a população masculina sobre prevenção e perigos do câncer de próstata, em Manaus. Segundo o médico urologista Anoar Samad, cerca de 7% dos homens em todo o Brasil têm câncer de próstata. Ele alerta que a doença pode ter 80% de cura se diagnosticada de forma precoce.
Samad destacou que homens com idade acima de 50 anos devem seguir a orientação para fazer os exames de rotina. A recomendação, porém, deve ser feita mais cedo se o paciente tiver histórico da doença na família.
“O objetivo de qualquer campanha, de qualquer tipo de câncer, é você fazer o diagnóstico precoce, descobrir a doença no início. No câncer de próstata, o tratamento e radioterapia têm acima de 80% de chance de cura da doença”, disse.
Números do câncer de próstata ainda são altos por tabu com exame (Foto: Rede Globo)
O médico explicou que o principal fator de risco é a hereditariedade. “Se o homem teve um pai, um tio com câncer de próstata, ele tem três vezes mais chance de desenvolver a doença. Então, sem dúvida um o fator de risco comprovado que aumenta muito a chance de um homem ter câncer de próstata é a hereditariedade”, observou.
A doença pode ser diagnosticada por meio do toque retal e de exame de sangue específico – dosagem sérica do PSA, que deve ser feito uma vez por ano. “O câncer de próstata é assintomático. Agora, quando o câncer espalha, se espalha para os órgãos, ele pode vir a ter dor óssea, dores pelo corpo, mas câncer de próstata, no início da doença não dá sintoma algum”, disse.
Anoar Samad disse que a Campanha Novembro Azul é realizada todos os anos para orientar a população masculina a cuidar melhor da saúde e procurar o médico com mais frequência. Ao longo de todo o mês diversas ações serão realizadas, estimulando a procura pelos serviços de saúde e a realização dos exames preventivos.
Câncer de Próstata A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, que pesa cerca de 20 gramas, de forma e tamanho semelhantes a uma castanha. Ela localiza-se abaixo da bexiga e sua principal função, juntamente com as vesículas seminais, é produzir o esperma.
Estatísticas O câncer de próstata é o tumor mais frequente no sexo masculino, ficando atrás apenas dos tumores de pele, e o sexto tipo mais comum no mundo segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).
A cada seis homens, um é portador da doença. A estimativa do INCA é de que, por ano, 69 mil novos casos sejam diagnosticados, um caso a cada 7,6 minutos.
O ator Herson Capri nasceu em Ponta Grossa (Paraná) no dia 8 de novembro de 1951. Hoje tem 63 anos, é pai de 4 filhos, está casado há 16 anos com Susana Garcia, mas já foi casado mais duas vezes. Foi em 1999 (aos 48 anos) que enfrentou um gravíssimo câncer que descobriu quando estava fazendo exames preparatórios para uma lipoaspiração, pois ia participar da peça Paixão de Cristo.
Herson Capri com a mulher Susana Garcia, com quem é casado há 16 anos
Contratado pela Globo desde 1984, o ator começou a fazer teatro na PUC enquanto cursava economia. Ele até trabalhou um tempo na Bolsa de Valores, mas foi como ator que ele se encontrou, principalmente fazendo papel de vilão. E ele não para! Trabalhou em muitas novelas, em peças de teatro e até em cinema! Atualmente com o papel de Otávio na novela Babilônia.
Ele fumou por 30 anos. E então fazendo alguns exames descobre que tem câncer, e um desses bem complicados de lidar. Ele conta em entrevista no programa Encontro com Fátima Bernardes: “Fui desenganado. O médico disse à minha mulher: ‘Olha não dou seis meses de vida’. Foi em 99. Tive o acolhimento da família e a vontade. Saí dali [do hospital] andando. Comecei a correr. Acredito muito em exercício físico. [Hoje] estou ‘inteiraço’. Malho, corro. Faço 7 quilômetros. Estou bem pra caramba. É a vontade de espírito”. Ele diz que já que não morreu por um triz, ele leva uma vida diferente agora, sua alegria de viver aumentou. Por ter interpretado a morte por tantas vezes, ele sente que teve um amadurecimento, que teve medo, mas não entrou em pânico.
Herson Capri abraçou a causa da prevenção do câncer e tem se integrado a ações voltadas para a divulgação da importância do diagnóstico precoce para a cura da doença. Em novembro de 2008 ele marcou presença no lançamento nacional da campanha “Consciência Viva – Vivo e Conto”, de conscientização sobre o câncer de pulmão. Segue entrevista que saiu na Revista ABCâncer (Edição: C.P – 14.07.2009) – (Onco Médica):
Qual foi sua primeira reação ao descobrir que tinha câncer de pulmão? Teve medo? HERSON CAPRI – Foi a sensação de impotência diante das perdas: eu ia perder uma família linda e que eu amava muito e eles iam perder um pai e um marido. Eu tinha certeza de que ia morrer, mas não tive medo.
Você lembra quais foram as primeiras palavras do médico ao diagnosticar a doença? Quem primeiro viu o raio-X com o tumor foi a minha mulher, que é médica. Ela foi muito objetiva e firme no sentido de pesquisar melhor o tumor por meio de exames mais minuciosos e na procura do médico mais indicado para me acompanhar. Um dos primeiros médicos que consultamos disse a ela que eu não teria mais que 6 meses de vida. Ela não acreditou nisso e estava certa.
O quanto ajudou ter descoberto a doença em fase inicial? O diagnóstico foi precoce, mas quase que não deu tempo. O tumor estava muito próximo do coração e das paredes internas do pulmão, quase colando. Como não chegou a colar nem na parede interna do pulmão nem no coração, isso foi determinante para me salvar.
Em 98% dos casos de câncer de pulmão o cigarro é o principal agente causador. O seu caso está dentro dessa estatística? Sim, eu fumei muito durante mais de 30 anos. Cheguei a fumar três maços de cigarros por dia nas fases mais ansiosas. Parei seis anos antes de descobrir que tinha um câncer e não fumo mais.
Como foi o tratamento? Houve uma etapa mais difícil? Logo depois do diagnóstico fiz a cirurgia e depois, como prevenção, radioterapia. Foi só. Não fiz quimioterapia porque não era indicado. Mas lembro que a radio me deixava muito enfraquecido.
Foi possível conciliar tratamento com a carreira de ator? Dei sorte, porque a etapa de radioterapia foi feita justamente num momento em que eu não tinha nenhum trabalho em vista. Não teria como aceitar algum trabalho naquela fase, pois o processo todo é muito desgastante fisicamente.
Como está sendo a experiência de defender a causa da prevenção de câncer? Eu vejo isso como uma obrigação moral que preciso cumprir e faço com muito prazer. É a passagem de conhecimento de uma coisa que vivi e é muito bom poder fazer isso.
Qual é o seu recado para aqueles que não sabem a importância da realização de exames preventivos de câncer? Acreditem nos exames preventivos. Eles salvam vidas. A sua e a de seus parentes. Nossos médicos, muitas vezes, não recomendam esses exames por causa das condições sociais e econômicas dos pacientes. Eles dizem que não há necessidade de exames se não há sintomas. Discordo totalmente. O câncer é silencioso. É importantíssimo fazer todos os exames indicados para cada idade e às vezes até antes da idade indicada. Deveria haver algum movimento no sentido de que esses exames sejam democratizados e se tornem acessíveis a todos.
Ter passado pela experiência de enfrentar o câncer mudou seus hábitos, sua forma de viver? Mudou muito. Sorrio mais, me preocupo menos, tento me alimentar melhor, ter hábitos mais saudáveis, faço exercícios, tento dormir bastante, tento manter o bom humor. E faço meus exames médicos e laboratoriais todos os anos.
Se em outubro o mês foi cor de rosa, em novembro será azul! Novembro é o mês escolhido para a conscientização e prevenção do câncer masculino, sobretudo o de próstata, testículos e também a depressão.
Para chamar atenção à causa, um movimento mundial criado na Austrália em 1999 convida homens de todo o mundo de uma forma bem divertida, ressuscitar a moda do bigode.
A Movember Foundation, responsável pela campanha, é a principal organização mundial empenhada em mudar a cara da saúde dos homens. A comunidade Movember já angariou até o momento, mais de U$ 559 milhões dólares e atualmente financia mais de 800 programas/ano em 21 países.
O Movember (anteriormente conhecido como Novembro), desafia os homens a deixarem o bigode crescer durante o mês para iniciar a conversação e levantar fundos vitais para os programas de saúde masculina. Até o momento, 4 milhões de bigodes foram cultivados em todo o mundo, mas a Fundação afirma que não vai parar de incentivar os homens a deixa-los crescer enquanto existirem sérios problemas de saúde.