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ESPECIAL PARALIMPÍADAS 2016: ATLETAS QUE SUPERARAM O CÂNCER

Você vai vibrar e se emocionar com a disputa de 23 modalidades Paralímpicas. Em 11 dias de competição, 528 provas valerão medalhas: 225 femininas, 265 masculinas e 38 mistas.

Roseana dos Santos é uma das atletas e é uma Cat também! É recordista mundial, medalhista paralímpica e medalhista parapanamericana. E tem uma história e tanto, de muita garra, força, beleza e superação!

Aos 18 anos trabalhava como empregada doméstica e morava em Recife. Um caminhão passou por cima de sua perna,o motorista estava bêbado e a amputação foi inevitável. Ela contou em entrevista para BBC Brasil: “Eu perguntava pra Deus, por quê? A gente já sofre preconceito por ser negro, pobre, mulher, agora deficiente… é muita coisa. Por que tanta coisa em cima de uma pessoa só? Era muito peso pra carregar.”

Ela se escondeu em sua casa. Não queria ouvir as pessoas fazerem perguntas sobre o que aconteceu. “Eu nem sabia que existia esporte para deficiente. Se eu soubesse, eu poderia até ter procurado antes. Mas eu não saía de casa, passei anos lá porque não queria ouvir as pessoas fazerem perguntas sobre o que aconteceu. Algumas pediam ver como era a amputação e eu não queria passar por isso.”

Quase seis anos após o acidente, estava andando na rua com seu irmão e recebeu o convide de um desconhecido. Rosinha conta: “Eu fui atravessar a rua com o meu irmão e um rapaz, que passava de carro, disse: ‘Ei, quer ser atleta e recordista do mundo?’.” Ela ignorou achando que fosse alguém zombando de sua deficiência, mas seu irmão não, que insistiu para que ela fosse à associação de deficientes fazer o teste. Ela foi e se sentiu bem onde estava. “Nunca tinha visto tanto deficiente junto. Eu olhava cada um deles e me perguntava: como eles podem ter uma deficiência dessas e sorrir tanto? Foi aí que caiu minha ficha, percebi que eu não tinha nada, era só uma perna amputada”, relembra.

De acordo com a reportagem do IG:

Descobrindo o esporte ao acaso, com um convite de um desconhecido na rua, Rosinha treinou apesar da falta de recursos básicos, como comida, até conquistar dois ouros na Paralimpíada de Sidney em 2000 – no arremesso de peso e no lançamento de discos – e conseguir dar uma casa para sua mãe, um de seus principais objetivos.

Em 2014, depois de medalhas e recordes mundiais conquistados, a descoberta de um câncer a fez querer abandonar o esporte e quase impediu sua participação no Parapan 2015, em Toronto.

Convocada e recuperada, um ano depois, ela conquistou o bronze na competição, que diz ter sido sua “medalha mais difícil”.

Ciente de que o esporte mudou sua vida, Rosinha se diz ‘realizada’ na carreira, mas também desabafa: “O preconceito é muito. Hoje eu não vejo tanto em cima de mim, porque sou atleta e medalhista. Mas às vezes eu fico triste, porque eu queria ser respeitada como ser humano, antes de qualquer vitória e de qualquer medalha.”

Graziella Batista
Roseane usou o esporte para vencer o preconceito e se tornou campeã do mundo.
DIVULGAÇÃO/CPB
Rosinha Santos em ação pelo Brasil no Parapan: ela foi bronze no arremesso de peso.

‘Filha, você tá onde?’
Ela fez o teste para arremesso de peso e lançamento de disco, duas modalidades do atletismo paralímpico, enquanto ouvia do treinador, Francisco Matias, que “seria recordista do mundo” – mas não se animou muito.

“Eu achava aquilo bobo. Ficar jogando aquela bola pesada”, lembra, rindo. O namorado, na época, também não a incentivava. “Ele dizia que eu nunca seria uma atleta, era besta demais. Hoje, acho que acabou me desafiando a treinar mais.”

Por causa da insistência do irmão, Rosinha seguiu com os treinamentos e conquistou suas primeiras medalhas, três ouros no Aberto de Recife. Mesmo assim, a deficiência em sua alimentação a impedia de treinar em período integral.

“Eu teria que treinar de manhã e à tarde, mas eu tinha que escolher um, porque não tinha alimentação para os dois períodos. Eu ia treinar com fome?”

Quando os técnico descobriu o motivo das faltas de Rosinha a alguns treinos, passou a levá-la para almoçar na casa dele – assim, ela poderia se dedicar plenamente ao esporte. E o resultado veio logo: três ouros no Parapan-Americano de 1999.

No ano seguinte, na Paralimpíada de Sydney, Rosinha teria a primeira grande conquista de sua carreira, ao ganhar o ouro no arremesso de peso e no lançamento de disco e bater o recorde mundial nas duas provas.

Quando voltou ao Brasil, recebeu de um empresário um apartamento em Recife para dar à sua mãe. Na infância, elas moravam com a avó, primos e irmãos – um total de 14 pessoas – em uma casa de um só cômodo.

“Chorei muito na hora de entregar a chave pra ela. Minha mãe sempre dizia: um dia a gente vai estar em uma casa, eu vou estar no quarto, você na sala, e eu vou gritar: filha, você tá onde? E você vai dizer: mainha, tô na sala. E eu vou dizer: tô no quarto”, conta.

“São coisas assim que pra muitos são tão pequenas, mas para a gente era como se tivéssemos ganhado na Mega Sena.”

O maior desafio
Em abril de 2014, ao ser diagnosticada com câncer linfático, a atleta pensou em desistir do esporte. “Na minha cabeça, passou um filme de que eu não estaria aqui por muito tempo, não. Achava que eu ia embora logo.”

A técnica, Vanessa Melo, conta que foi difícil motivá-la. “Eu estava junto na hora do diagnóstico. E fazia de tudo pra não chorar perto dela. Não queria que ela me visse triste, eu dizia para ela: você vai passar por isso, já passou por tanta coisa, vai voltar ainda melhor”, disse à BBC Brasil.

Arquivo pessoal

Rosinha e a técnica Vanessa Melo quando ainda se recuperava do câncer
“Ela queria desistir de tudo, até de prosseguir com o tratamento.”

Com a ajuda das treinadoras e das amigas, Rosinha continuou com o treinamento – mais leve –, mesmo após uma cirurgia e durante a quimioterapia. Sem poder ficar exposta ao sol, chegava a treinar durante a madrugada para não perder o ritmo. Ainda assim, ficou cerca de um ano sem participar de competições.

“Meu medo era perder o único patrocinador que eu tinha, então eu quis ir para o Circuito Caixa Loterias, em março de 2015, mesmo fazendo quimioterapia. Passei mal no avião, mas acabei quebrando o recorde brasileiro.”

No início do ano, Rosinha foi considerada curada câncer e voltou a pensar na Paralimpíada. Mas na convocação para o Parapan-Americano 2015, uma das principais competições antes dos Jogos do Rio 2016, seu nome não estava na lista.

“Ela desistiu do esporte, até engordou cinco quilos em semanas, porque não queria mais treinar. Foi uma frustração muito grande”, diz Vanessa Melo.

Uma das atletas convocadas, no entanto, acabou cortada após sua prova ser cancelada por falta de atletas inscritos – foi aí que Rosinha ganhou a chance de viajar para Toronto, a uma semana da competição.

Mesmo sem treinar com o mesmo ritmo de antes, ela conquistou o bronze no arremesso de peso. “Foi a medalha mais difícil de toda a minha vida”, afirma.

CPB/Divulgacao

Roseane na vila panamericana de Toronto

Após a Paralimpíada do Rio, ela diz que pretende se dedicar a sua associação para atletas com deficiência, que ajuda jovens a se tornarem atletas de alto rendimento na região de Mato Alto, na capital carioca. “Meu papel é o de motivá-los, passar minha experiência para eles. Eu não estou treinando lá no momento e eles reclamam muito”, diz.

Prestes a deixar as competições, Rosinha afirma se considerar uma atleta completa, mas tem claro qual foi o seu principal ganho no esporte, para além das medalhas e recordes: “O movimento paralímpico me deu algo que ninguém vai tirar: meus amigos. Quero ser lembrada como uma atleta amiga e guerreira.”

Na cerimônia de abertura que aconteceu ontem, Rosinha disse: “Nessas horas, passa um filme na sua cabeça, lembrando tudo que eu passei para estar aqui. Esta é a minha quarta Paralimpíada e acho que essa foi a cerimônia mais importante da minha vida de atleta, porque é na minha casa. É diferente de tudo que eu já vi. Agora caiu a ficha que os Jogos Paralímpicos começaram”.

Fonte: IG, ISTOÉ

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ATLETA LEILOA MEDALHA OLÍMPICA E BANCA TRATAMENTO DE CÂNCER DE MENINO

Medalha de prata no lançamento de disco durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o polonês Piort Malachowski encerrou com três dias de antecedência o leilão pela sua medalha que vai custear o tratamento de um menino de três anos com câncer no olho. Segundo o atleta, o motivo da paralisação antes do prazo foi ter conseguido o dinheiro necessário antes do período estipulado.

O valor da medalha não foi divulgado, mas ela foi arrematada por um dos casais mais ricos da Polônia, Dominika e Sebastian Kulczyk, até a última terça-feira (22), o lance estava na casa dos R$ 60. O total buscado por Malachowski é era de R$ 272 mil, pra que o garoto pudesse realizar a cirurgia em Nova York. O custo total do tratamento está na casa dos R$ 407, mas um terço do valor já havia sido levantado pela fundação polonesa Siepomaga.

Piort Malachowski se sensibilizou com a história do pequeno Olek Szymanski, que não tem recursos para bancar a cirurgia e tratamento. Em sua conta no Facebook, o atleta explicou que foi procurado pela mãe do garoto logo após a conquista no Rio de Janeiro.

Fonte: Correios 24h

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ESPECIAL OLIMPÍADAS 2016: ATLETAS QUE SUPERARAM O CÂNCER

A luta da atleta Fabienne St Louis, das Ilhas Maurício, para participar da prova de triatlo neste sábado na Rio-2016 foi muito além dos treinos pesados. Em dezembro, a triatleta de 28 anos foi diagnosticada com um câncer raro na glândula salivar.

Às vésperas da Olimpíada, Fabienne teve de ser submetida a duas cirurgias para a retirada do tumor e de células cancerígenas. Complicações no segundo procedimento atrapalharam ainda mais a sua corrida contra o tempo: a atleta teve paralisia facial nos meses que se seguiram à cirurgia. “Eu não conseguia sorrir com o lado direito do rosto. Tinha muita vergonha”.

Fabienne contou à rede britânica BBC que teve muito apoio da família, do namorado e do técnico durante o tratamento. “Acho que foi o que me fez sobreviver.”

Quando perguntada por que ela veio ao Rio em pleno período de recuperação, Fabienne se emociona. “Estou aqui porque amo meu esporte, me qualifiquei para estar aqui, sacrifiquei quatro anos da minha vida”, diz. “Esta é a mensagem que eu quero passar. Nós temos que lutar até o fim.”

Fonte: VEJA

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ESPECIAL OLIMPÍADAS 2016: ATLETAS QUE SUPERARAM CÂNCER

Wagner Domingos lançou seu martelo a 74,17m, liderou sua série semifinal no estádio do Engenhão e se garantiu na final da prova nos Jogos Rio-2016. A classificação por si só já simbolizaria uma grande conquista para o brasileiro ao se tratar de um esporte sem muita popularidade no país. A chance de disputar uma medalha olímpica, no entanto, representa muito mais para “Montanha”, como é chamado desde pequeno por conta de seu físico avantajado.

A vaga ao lado de gigantes do leste europeu na final do lançamento de martelo é praticamente uma medalha para quem há cinco anos tomou o maior susto da vida: Wagner foi diagnosticado com um câncer na bexiga em 2011.

“A gente nunca imagina. A palavra câncer assusta, é muito forte, dá muito medo. Fiquei abalado. Começamos a pensar em muitas coisas ruins, é difícil. Mas a única coisa que eu podia era lutar. Não adiantava chorar, tive que ir para cima. Lutei, e agora estou nessa final”, recordou Montanha.

“Descobri em um exame de rotina, tive que parar minha vida e fazer a operação. Foi algo muito forte. Tive muita sorte de o tumor estar pequeno e ter uma equipe médica excelente que me ajudou lá atrás e me acompanha até hoje”, completou.

E a vitória não é apenas pessoal. Domingos quebrou um jejum de 84 anos de um esporte que não via brasileiros em Olimpíadas desde 1932, em Los Angeles (EUA).

“É muito simbólico. Estou realmente muito feliz. Desde o início da preparação, lá atrás, só pensava nessa final. É muito gratificante. Talvez esteja um pouco abaixo dos principais atletas que brigam por medalha, mas vou fazer ajustes para chegar. Sei da importância para o país”.

Na próxima sexta (19), novamente no Estádio Olímpico, o renovado Wagner utilizará sua história como motivação para novos capítulos de sua história e da trajetória do atletismo brasileiro.

“Sempre que entro ali para competir busco forças em toda história que passei. Me tornei uma pessoa melhor depois daquilo. Sou um cara novo, até mesmo no lado de mente e concentração. Isso ajuda. Na final será assim mais uma vez”, prometeu.

O brasileiro irá encarar nomes como os líderes Wojciech Nowicki, da Polônia, que lançou o martelo a 77m64, e Ivan Tsikhan, de Belarus, com 76m51. “Quero fazer uns 76 metros. Se bater 78, acho que dá medalha”, finalizou Montanha.

Fonte: UOL

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ESPECIAL OLIMPÍADAS 2016: ATLETAS QUE SUPERARAM O CÂNCER

O italiano Daniele Lupo, um dos adversários de Bruno e Alison na final do vôlei de praia masculino dos Jogos Olímpicos Rio 2016, marcada para as 23h59 desta quinta-feira (18), enfrentou e venceu, há pouco mais de um ano, um adversário muito mais perigoso: um câncer.

Em março de 2015, quando se preparava ao lado do parceiro Paolo Nicolai para o Mundial da Holanda, Lupo, hoje com 25 anos, sentiu fortes dores no joelho e procurou um médico. O diagnóstico foi cruel: tumor ósseo. Temendo não poder voltar mais às quadras, o atleta azzurro foi submetido a uma cirurgia.

Mas, por sorte, essa partida ele ganhou rapidamente. A operação foi suficiente para extirpar o câncer, e o italiano não precisou nem mesmo passar por quimioterapia. Um mês depois, já estava dando suas cortadas novamente. E agora, pouco mais de um ano depois, sonha com o ouro olímpico.

“Algumas coisas acontecem para te ensinar algo. Agora não tenho medo de mais nada, aquilo que aconteceu me fortaleceu como pessoa e como atleta”, conta o finalista. Mas a decisão do vôlei de praia masculino será parada dura. Pela frente, Lupo e Nicolai terão a melhor dupla do mundo, Bruno e Alison, e uma torcida inflamada.

Contudo, uma coisa já está garantida: os italianos colocarão no peito a primeira medalha da Itália na modalidade, seja de prata, seja de ouro. “Jogar uma final contra os brasileiros na casa deles é o máximo da vida. Mas agora que estamos aqui queremos chegar ao topo”, afirma Nicolai. (ANSA)

Fonte: UOL

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ATLETAS DO SALTO ALEGRAM CRIANÇAS COM CÂNCER

Enquanto as provas de salto nos Jogos Olímpicos do Rio não começam, a equipe brasileira de hipismo divide seu tempo entre treinos e boas ações. Uma delas ocorreu na última terça-feira (09), quando os cavaleiros Doda Miranda, Felipe Amaral, Eduardo Menezes e Stephan Barcha e o chefe da equipe Caio Sérgio de Carvalho deram uma pausa para visitar o Hospital Federal da Lagoa.

A ida ao local fez parte do projeto Cavaleiros Contra o Câncer e o Pônei Clube do Brasil, que busca inspirar crianças que lutam contra a doença. Além dos atletas, pequenos pôneis alegraram o dia dos pacientes mirins.

“Bom demais ter tido o privilégio de visitar essas crianças maravilhosas, onde a superação é uma lição de vida! O sorriso delas nos contagiou imensamente!”, postou Doda Miranda em suas redes sociais.
“Hoje conhecemos seres iluminados, crianças que se superam diariamente. Viemos na expectativa de transmitir alegria. Saímos com a certeza que foram elas que mais nos ensinaram a como ter fé e amor em nossos corações. Uma experiência inesquecível”, comentou Stephan Barcha. As disputas de salto começam no próximo domingo (14) e se encerram no dia 19. (com informações do CBH, Brasil Hipismo e LS Comunicação)

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ESPECIAL OLIMPÍADAS: PAI E MÃE DE NADADOR ENFRENTAM CÂNCER

O nadador sul africado, Chad le Clos, conquistou uma medalha de prata na piscina do Rio de Janeiro. Ele que em Londres (2012) venceu o favorito Michael Phelps nos 200m borboleta por 5 importantíssimos centésimos de segundos.

Hoje, essa medalha é muito além de vencer. Ele nada também para tentar dar alegria para a família: seu pai e sua mãe estão em  luta contra o câncer. A senhora Geraldine Le Clos foi diagnosticada recentemente com câncer de mama e passou por mastectomia bilateral, enquanto o senhor Bert recebeu o diagnostico de câncer de próstata.

“É difícil, tem sido difícil. É uma semana muito emotiva, vocês sabem. Quando eu vou para o bloco e ouço meu pai gritar para mim é muito importante. Eu só quero que eles fiquem orgulhosos”, diz Le Clos em entrevista.

O técnico conta: “Ele é um garoto duro, com muita bravura. Agora ele está nadando por outras razões e talvez isso o ajude”.

Mas a expectativa mesmo é quando Phelps e Le Clos se encontrarem nessa terça feira. “Eu estou muito animado para isso. Estou esperando esse reencontro há um tempo. Há um bom tempo”, diz Le Clos.

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“O FUTEBOL AMERICANO ME AJUDA A ENFRENTAR A DOENÇA”, DIZ ATLETA

Um dos jogadores do Cuiabá Arsenal, Henrique Fernando Paim de Almeida, de apelido Câncer, descobriu ter leucemia linfoide aos 23 anos. No primeiro momento se retraiu, se escondeu, se calou e aceitou a morte. Mas, antes do intervalo de jogo, mudou de postura, buscou tratamento e agora luta pela vida. Hoje, aos 27 anos, no 2º tempo da luta, após 4 anos de quimioterapia e ainda com outros três pela frente, já passou pelo ápice da doença e promete vencê-la.

“Minha primeira reação ao descobrir a doença foi de aceitar a morte. Passei dias e dias recluso sem qualquer esperança de vida. Sem contato com pessoas. Nem mesmo contei para minha família. Mas, em algum instante, não sei bem qual, consegui reagir ao tormento da ideia de morte certa. E, sem saber na época, ali naquele minuto renascia minha vida. Comecei a viajar, fazer aventuras e praticar futebol americano”, conta o linebacker do Cuiabá Arsenal.

A descoberta da doença

Henrique Fernando, formado em Publicidade e Propaganda na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no ano de 2010, uma instituição de ensino superior mantida pelo governo do Paraná, nasceu e foi criado em Guarapuava (220km de Curitiba). Depois mudou-se para Campo Grande (MS) em 2011, por conta de um romance com aquela que futuramente seria esposa, lá namoraram, brigaram, se separaram, a leucemia foi descoberta e reataram.

“Conheci Janaína numa viagem para Campo Grande. Anos depois a reencontrei pela internet e passamos a conversar. Até decidirmos que eu mudaria de Guarapuava para lá. Então mudei, ficamos juntos por um tempo e, por alguma divergência, rompemos o namoro. E quando estava sozinho descobri o câncer. Fiquei recluso no início, mas depois contei para minha mãe, que veio visitar e deu de cúpido. Contou para Janaína, que se aproximou para ajudar e reatamos”, lembra.

O tratamento quimioterápico teve início logo após a descoberta, em 2012. Ele foi submetido a quimioterapia, um tipo de tratamento médico que introduz compostos químicos na circulação sanguínea, chamados quimioterápicos, para combater o câncer. Esses medicamentos se misturam com o sangue e são levados para todas as partes do corpo, destruindo as células doentes que estão formando o tumor e impedindo que se espalhem pelo organismo.

“No início fazia quimio toda semana. O cabelo caiu, perdi 30 quilos e sentia dores por todo corpo. Para todo lugar que ia passava mal. Era comer num restaurante ou lanchonete para vomitar na frente de todos. Fiquei depressivo. E, por causa da quimio, fui diagnosticado como estéril. Não podia mais realizar o sonho de ter filhos. Não sei como minha namorada permaneceu comigo. Até hoje ainda sinto muitas dores físicas”, comenta o publicitário.

A opção pelo esporte

Mesmo com as sessões semanais de quimioterapia, que deixam o paciente debilitado, Henrique começou uma jornada pelo esporte. Chegou a saltar de paraquedas, mas o escolhido foi o futebol americano. Entrou para o Campo Grande Predadores, equipe de futebol americano de Mato Grosso do Sul, e chegava a ir aos treinos com máscara de proteção pós-quimioterapia e curativos de soro. Foi quando os companheiros lhe apelidaram de Câncer.

“Quando faço quimio fico cerca de três dias ruim. Uma sensação horrível. Parece que os ossos do corpo pegam fogo. Você vomita, fica fraco, tem náuseas, insônia, dor e tontura. E nem sempre pode pegar folga do trabalho. Meu médico chegou a me receitar morfina para não sentir tanta dor. Com o tempo acostumei e passei até a ir treinar mal mesmo. Os outros jogadores ficavam preocupados. Mas acabaram por entender que eu precisava daquilo”, disse.

A surpresa

Em 2015, ano repleto de boas notícias, a doença teve o primeiro recuo, que permitiu diminuir a quantidade de sessões de quimioterapia. Situação que acarretou em outra boa nova, com menos medicamentos no sangue, Henrique, sem saber, voltou a ser fértil. Descobriram a novidade quando Janaína percebeu estar grávida. Uma felicidade seguida por um pedido de casamento. Depois mudaram, por oportunidades no mercado de trabalho, para Cuiabá (MT).

“Foi um susto quando fiquei sabendo que seria pai. Eu tinha ficado estéril. Como assim vou ter um filho? Pensei. A gente nem mais se cuidava por causa disso. Então descobrimos que eu havia voltado a produzir espermatozoide, por mais incrível que pareça. E casamos com ela grávida ainda naquele ano, 2015. Hoje a bebê, de nome Yanni, está com dois meses de idade. E ela será uma torcedora do Cuiabá Arsenal”, conta o guerreiro, com largo sorriso no rosto.

Henrique se tornou membro da Associação Atlética Cuiabá Arsenal (AACA) em 2015, logo após ter chego de mudança de Campo Grande (MS). Foi treinado pelos técnicos do clube e, neste ano de 2016, disputou a primeira partida como parte do plantel de atletas. Foi um dos responsáveis pela vitória de 76 a zero contra o Tangará Taurus, na 1ª rodada do Campeonato Mato-grossense de Futebol Americano. Segundo ele, mais um sonho realizado com sucesso.

“Sempre tive o sonho de ser pai. Por um tempo fiquei triste pensando que não seria. Mas a vida me trouxe a Yanni de presente. Outro sonho era jogar pelo Cuiabá Arsenal. Lá em Campo Grande e no Brasil todo, o Arsenal é visto como um exemplo que deve ser seguido. Tanto por conta das realizações dentro do campo, quanto por causa das ações fora dele. É um clube admirado, em que eu nem pensava um dia fazer parte. E hoje estou aqui”, reflete.

A superação

O Cuiabá Arsenal disputa dois certames na temporada de 2016. O 2º Campeonato Mato-grossense de Futebol Americano, em que terminou com o Arsenal novamente campeão, e o Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, que ocorre de julho a dezembro, com jogo de abertura na Arena Pantanal, contra o Corinthians Steamrollers, em 9 de julho. Henrique fez parte do plantel no estadual e estará presente na busca pelo tricampeonato brasileiro.

“Tenho tudo que o esporte não precisa que um atleta tenha. Tenho deficiência em conseguir massa muscular, uma fadiga mais rápida e cicatrização demorada. Se me cortar posso ter hemorragia. Mas tomei isso como desafio. Preciso me dedicar mais do que uma pessoa em condições normais para ter os mesmos resultados. Por isso faço muita preparação física. E essa busca, aliada com os vínculos de amizade entre jogadores, contribuem para meu bem-estar”, acredita.

Henrique continua com as sessões mensais de quimioterapia. E, neste ano, o tumor teve uma remissão, que é quando a doença não demonstra mais sinais de atividade, mas isso ainda não é uma cura. A doença apenas não progride mais. Ele segue com o tratamento até 2018.

Fonte: Globo Esporte