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CAT COLUNISTA: NO ÂMBITO DO SUS

O diagnóstico de uma doença sempre causa certa aflição, ainda mais quando se trata de uma doença grave como a neoplasia.

Provavelmente, a primeira coisa que se vem à mente é:

“Será que vou sobreviver ao tratamento? Como vou custeá-lo? Como conseguirei me tratar no sistema público de saúde?”

O que normalmente não é sabido pelas pessoas é que há leis cujo objetivo consiste em assegurar ao paciente o seu direito ao tratamento, seja pelo Estado (SUS), seja por hospitais particulares ou iniciativa privada.

Há, ainda, direitos que, neste momento, podem ser grande ajuda por repercutirem no patrimônio do portador da neoplasia.

No tocante ao prognóstico, é preciso ter em mente que o médico-assistente é quem define o tratamento a ser seguido.

A operadora do plano de saúde não pode, simplesmente, negar a sua concessão sem nenhum embasamento técnico. A negativa do tratamento é considerada abusiva, nos termos artigo 51 do Código de Defesa do Consumidor, bem como em razão do prescrito no artigo 12 da lei dos planos de saúde (Lei 9656/98), pois ninguém melhor que a autoridade médica para decidir qual a melhor terapêutica a ser adotada. Ainda, neste mesmo entendimento o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo editou as Súmulas nº 95 e 102.

Noutro giro, o parágrafo 2º, do artigo 17 da Lei 9656/98 assegura ao paciente o seu direito de manter o tratamento até a sua alta efetiva no nosocômio por si eleito, ainda que seja descredenciado.

No âmbito do SUS, o artigo 2º da Lei 12.732/2012 prevê que o paciente terá direito ao início do tratamento no prazo de 60 dias contados.

As pessoas que foram mastectomizadas têm direito à cirurgia de reconstrução mamária de forma gratuita, nos termos da Lei nº 9.797/99. As operadoras de planos de saúde, também, são obrigadas a cobrir este procedimento e a sua negativa será considerada abusiva (artigo 10-A da Lei 9656/98).

Outro direito de suma importância é o custeio do tratamento fora do local de residência do paciente. È o chamado TDF ( tratamento fora do domicilio).Nos termos do artigo 04º, da Portaria/SAS/ nº 55 da de 24 de fevereiro de 1999, o paciente desprovido de recurso financeiro terá direito ao custeio de transporte aéreo, terrestre e fluvial, diárias para alimentação e pernoite.No caso do acompanhante, deverá haver indicação médica com o devido esclarecimento.

Esses são apenas, alguns exemplos de direitos do paciente com câncer. Outros há que não estão ligados efetivamente ao tratamento, mas que também podem ajudar de certa de forma, neste momento tão delicado. Pode-se citar o saque do FGTS (artigo 20, XI, Lei nº 8.036/1990), a quitação total ou parcial de um financiamento imobiliário (seguro contratado no momento do financiamento), isenções de tributos na aquisição de um veículo, liberação de rodízio (no caso da cidade de São Paulo), isenção de imposto de renda ( no caso de aposentados) etc.

Não deixe de exigir os seus direitos e os faça valer

Por: Janaina Linhares

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APNEIA DO SONO E CÂNCER DE MAMA

O sono é importante para o restabelecimento geral do organismo que se desgastou no estado acordado. Para tal, é necessário dormir bem, pois dessa forma as células serão restabelecidas para o organismo desempenhar bem suas funções e o indivíduo desempenhar bem suas atividades diárias. Entretanto, engana-se quem pensa que o ronco é sinal de sono profundo. O barulho do ronco é a dificuldade de entrada do ar,  que por esse motivo,  não permite que o sono seja tranquilo e de qualidade. O indivíduo não percebe, mas passa a noite toda num estado que não descansa o corpo, com um sono  fragmentado, pois roncando não completa bem as fases do sono e no dia seguinte as funções celulares e do organismo não estarão bem restabelecidas. Com o passar dos dias, o acúmulo de falhas neste restabelecimento celular provoca alterações no organismo, proporcionando o aparecimento de várias consequências como cansaço e alteração no sistema imunológico, diminuindo as defesas do organismo.

As pessoas que roncam também tem apnéia do sono. A apnéia do sono é uma parada respiratória que ocorre quando a pessoa está roncando, isto é, o fluxo de ar não alcança os pulmões por alguns segundos, seguidas vezes durante o sono.

Com isso, ocorrem episódios de alterações nas trocas gasosas da respiração, diminuindo o oxigênio no sangue.  Essa alteração é  chamada de hipóxia, que pode ser tóxica pelo estresse oxidativo para as células, favorecendo ainda mais o surgimento de doenças.

 Estudos recentes  têm alertado para a possibilidade de que mulheres que tem apnéia do sono apresentam uma chance maior de terem câncer de mama.
Chang W.P.  e seu grupo de pesquisadores, baseados na ideia  de que o oxigênio diminuído no sangue tem um papel importante no desenvolvimento de tumor, testaram a hipótese de que a apnéia do sono pode aumentar o risco de câncer de mama.  Após concluírem a pesquisa, o grupo encontrou dados que sugerem uma associação entre apnéia do sono e aumento no risco de câncer de mama nas mulheres.
Portanto, a apneia do sono é uma doença  perigosa que  pode provocar  vários fatores que prejudicam a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Mulheres com risco de câncer ou que tenham sido tratadas, ou que estejam em tratamento de câncer, devem ficar alertas para o risco de terem apnéia do sono.

Mesmo que outros estudos ainda sejam necessários para confirmar essa pesquisa, é recomendável a atenção para os problemas e qualidade do sono. O ronco e a apnéia do sono geram cansaço, sonolência diurna e desânimo, impedindo as pessoas de desenvolverem bem suas atividades diárias.

As mulheres em tratamento precisam estar dispostas para terem a energia necessária na busca da cura do câncer e os problemas do sono dificultam o restabelecimento da disposição.
Portanto é importante ressaltar que mulheres com câncer ou em tratamento, devem dormir bem, sem ronco para atrapalhar.

Apresentar a sensação logo ao acordar de que não descansou durante o sono, ou que o sono foi insuficiente, também exige atenção.

O Tratamento

Por incrível que possa parecer, próteses ou aparelhos nos dentes feitos especificamente para o paciente com distúrbios do sono, são métodos altamente eficazes para eliminar o problema.

Após uma consulta inicial onde vários aspectos são avaliados, solicita-se um estudo detalhado do sono, o exame do sono, chamado de polissonografia,   cujo responsável é um médico do sono. A partir desse exame, tem-se um diagnóstico para se saber os níveis de ronco , e se existem outros distúrbios do sono presentes, como a própria apnéia ou o bruxismo do sono.

O aparelho oral é confeccionado de acordo com o tipo de arcada dental de cada indivíduo. Existem vários tipos de aparelhos, escolhidos após o exame clínico das condições orais e faciais que incluem um exame odontológico completo. O aparelho oral é eficaz para o ronco e a apneia do sono e o tratamento deve ser realizado por um especialista dentista do sono .

    Prof.Dr. Eduardo Rollo ; CD
Periodontista-Protesista
Dentista do Sono
Dor Orofacial e ATM

Membro Associação Brasileira do sono
www.eduardorollo.com.br

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TOUCA TÉRMICA

Por: Isabela Mol – Cat Colunista

A cat sugeriu uma matéria super interessante sobre a touca térmica, que promete segurar a maioria dos cabelos que deveriam cair por causa da quimioterapia, confira:“A notícia de um câncer é muito difícil para a maioria das pessoas que recebem o diagnóstico. Além disso, a expectativa de perder os cabelos durante as sessões de quimioterapia agrava a dor de quem está passando pelo desafio da doença.
Para reduzir a queda dos cabelos durante as sessões, dou algumas sugestões:
. Evite prender os cabelos;. Procure utilizar pentes largos, que atingem menos os fios;. Lave menos vezes os cabelos;. Substitua algumas lavadas por xampu a seco;. Evite o uso do secador, chapinha e danos químicos, como tintura, alisamento, etc.
Se você tiver condições de ter uma uma touca térmica, que promete segurar a maioria dos fios, vale tentar!Durante as sessões de quimioterapia, use o Elasto-Gel Chemotherapy Hypothermia Cranial Helmet , ou seja, uma touca hipotérmica (foto acima). Já testada em São Paulo, ela pode ajudar a evitar a perda dos fios durante as sessões. Já vi à venda no site da Amazon.com . O site do fabricante é o Elastogel .
A touca hiportérmica deve ser congelada pelo menos três horas antes do início da quimioterapia e trocada a cada 40 minutos, pois é preciso estar em uma temperatura entre 28 e 22 graus para ser eficaz. Para um acompanhamento mais preciso, pode-se controlar a temperatura debaixo da touca colocando-se um termômetro junto aos fios. Quando a temperatura subir acima de 25 graus, uma nova touca deve ser aplicada. Se não usar o termômetro, troque de touca a cada 40 minutos.
O mecanismo de ação é simples. Mantendo o couro cabeludo gelado durante a sessão, o fluxo de sangue diminui na região. Com isso, o quimioterápico não atinge o folículo piloso, diminuindo a perda dos fios.
Para quem já perdeu as madeixas e deseja acelerar o processo de retorno, sugiro o uso de laser frio, ou Multiwaves-LED . Tenho vários pacientes pós-quimioterápicos que utilizaram e o resultado foi muito bom. São feitas duas ou três sessões indolores de 30 minutos por semana e o crescimento dos fios é acelerado. Os cabelos retornam saudáveis, bonitos e fortes.
Quem não pode usar o laser, não precisa ficar desanimado. Após um tratamento de quimioterapia, os fios dos cabelos retornam naturalmente. Pode levar um pouco mais de tempo, mas voltam. Inicialmente mais finos, claros e um pouco mais anelados, como se observa nos novos cachos do ator Reinaldo Gianecchini após o tratamento do linfoma. Com o tempo, vão normalizando.”

Fonte: Blog Dr Ligia Colucci

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Festa surpresa pós transplante!

Texto por: Marcella Meneghetti

Assim que recebi o diagnóstico, minha mãe montou um grupo no Whatsapp com as pessoas mais próximas e amigas da gente, para então dar as notícias sobre como eu estava e o que viria pela frente.Esse grupo começou como um grupo “Feed da Marcella” e conforme os dias iam passando, o carinho e o número de pessoas aumentavam. Todos em oração por mim e também compartilhando suas histórias e problemas com a nova família que surgiu ali, para sempre dar apoio, gratidão, amor, carinho e compartilhar a simples alegria de todos os dias.
Entre conversas e mais conversas e um conhecendo o outro.. Resolvemos então, combinar um horário para nos unirmos: todos os dias as 22h, estaríamos ali de coração aberto, ouvindo um áudio de uma oração enviada cada dia por um integrante do grupo.Esse grupo foi crescendo tanto, com tanto AMOR e a vontade de ajudar de cada um, que hoje temos pessoas que nunca vimos pessoalmente que ficaram sabendo do grupo por alguém especial que já fazia parte e, por necessidade por também estar passando por um momento difícil, pediram para entrar nessa corrente do bem.Hoje temos nomes de pessoas que estão em algum tipo de tratamento para pedirmos por elas e também lista de pessoas curadas que receberam sua graça através desse grupo e que agradecemos todos os dias pelas graças alcançadas. E lógico, também temos as brincadeirinhas rsrs, as risadas, o bom dia de cada um, o dia compartilhado e o consolo e apoio de todos diante de uma tempestade. Enfim, temos de tudo um pouco nesse grupo maravilhoso que agradeço todos os dias, e o principal: muito amor pra dar e receber!Essa festa foi feita e organizada por este grupo que se chama ALEGRIA, sim pois desde o início minha mãe sabia que tudo teria um final feliz, e concebeu esse nome ao grupo, com um símbolo lindo de um Sino do lado (o sino, faz parte da minha vida desde o começo do meu tratamento, pois no Hospital Santa Paula, onde fiz as quimios e o transplante, no andar de tratamento, há um sino maravilhoso com a seguinte mensagem: Toque este sino três vezes bem alto. Assim todos vão saber: meu tratamento foi concluído, esta fase acabou e vou seguir o meu caminho.) Maravilhoso, né? Então, a partir do dia que vi essa imagem, não tirei ela da minha cabeça, e fiquei me imaginando tocando muito alto, chorando de alegria e de felicidade. Está quaaaase chegando hahaha, quando acabar de verdade o tratamento, ou seja, depois da consolidação das radioterapias, é que vou com toda a alegria do mundo TOCAR O SINO!!!!Essas pessoas maravilhosas se uniram para me dar uma festa de bem-vindo após 42 dias internada no hospital para fazer o transplante. Cheguei em casa, abri o portão e lá estavam todos me esperando com um SINO gigante, gritos, pulos, bexigas de gás hélio branca para eu soltar para o céu, cartaz, apitos, bolo, vela de 0 anos hahaha e todo o amor e alegria dentro de cada um!!Não tenho palavras pra explicar o que senti nesse dia maravilhoso!
Foi muito, muito, muito emocionante e agradeço por terem me proporcionado tudo isso!! AMO O MEU GRUPO ALEGRIA!

Recebi carta com mensagem e beijo de todas, pois eu não podia beijar nem abraçar ninguém)Assistam aos vídeos da minha chegada =)

Ops, arrebentei o sino!!! Hahahaha, era o mínimo vai?! =)Beijos para todos!!!

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Você pode salvar uma vida com apenas 5ml de sangue!

Você sabia que pode salvar uma vida doando apenas 5ml do seu sangue?

Texto por: Marcella MeneghettiEu tive o privilégio de poder fazer um autotransplante (receber células tronco de mim mesma), mas muitas pessoas não estão com a medula óssea limpa e boa o suficiente, e então precisam de um transplante alogênico (receber células tronco de um doador) para se curar.Você sabia que pode ser um doador de medula óssea e salvar vidas?Muitas pessoas estão em bares e baladas a procura de um par como diz a campanha abaixo, enquanto outras buscam por umpar perfeito e 100% compatível para se curar.Quando eu tive a notícia de que iria precisar de um transplante de medula óssea, me desesperei pois não é muito falado e nem divulgado. Eu não sabia o que viria pela frente, mas os meus médicos me disseram: fique tranquila pois o seu o doador já temos, você mesma!! Eu poderia me salvar, me dar a vida saudável novamente. Mas logo pensei: e os que não podem? Esses podem ser salvos por VOCÊ!!!!Para ser um doador é muito fácil, basta você acessar o site da AMEO (Associação de Medula Óssea), digitar na parte superior do lado direito da tela, o seu CEP e ele indica o hemocentro mais perto de você! Chegando lá, você faz a coleta de 5ml de sangue e se cadastra no banco de Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. O segundo passo é aguardar, pois a chance de encontrar um doador compatível é em média de 1 em 100 mil.Se o sistema encontrar um paciente que seja compatível com você, eles entrarão em contato.Depois de coletar mais sangue e terem a certeza da compatibilidade, eles pedem alguns exames para saber o estado de saúde do doador, e então se estiver tudo certo vai para a parte da doação.A doação de medula óssea pode ser feita de 2 maneiras: o primeiro modo é coletando do osso da bacia onde ficam as células tronco, esse procedimento é cirúrgico que dura aproximadamente 60 minutos, e os efeitos colaterais nada mais é do que uma dorzinha nas costas como se tivesse caído em uma partida de futebol ou tomado uma injeção de benzetacil, o que não é nada perto do que pacientes com câncer passam. Por isso não deixe de ser um doador de medula!O segundo modo é coletar pela veia, o doador toma um remédio por 5 dias para estimular as células tronco para que circulem nas veias periféricas, assim fazem a coleta com uma máquina que filtra o sangue e separa as células tronco.Viram como é fácil?E aí pessoal, vamos doar medula óssea??Assistam abaixo o vídeo da campanha que a agência Plan B elaborou, se inspirando no aplicativo Tinder (de encontros e relacionamentos) para promover a campanha de doadores de medula óssea!
É muito lindo e emocionante!!

Reflita e vá a um hemocentro agora mesmo!! 

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Espero que tenham gostado!Beijos!

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ELGE WERNECK: O CÂNCER MUITO ALÉM DO PRÓPRIO PACIENTE

O processo do adoecimento traz consigo inúmeras ansiedades e medos, mesmo quando a doença é uma patologia benigna, sem maiores complicações, os sentimentos habitualmente precedem o diagnóstico, sendo deixados de lado a medida que tomamos consciência da real gravidade (ou não) do quadro em questão.
Entretanto, quando a doença que acomete o paciente é o câncer, a tendência é que esses sentimentos negativos sejam amplificados com seu diagnóstico e sofram uma série de transformações com o decorrer do tratamento.
Elisabeth Kubler-Ross, falecida pesquisadora suíça, que trabalhou durante décadas com o processo adaptativo no luto (entre os quais, inclui-se o adoecer), afirmava que, definido como um mecanismo de preenchimento de uma perda e fundamental a nova realidade daquele indivíduo, o luto decorre de uma gama de ocasiões, dentre as quais já citamos a doença, mas também de problemas financeiros, mudanças de rotinas de vida, rupturas amorosas entre outras. Todos os acontecimentos que culminam na redução ou suspensão de alguma forma de contato que se encontrava em uma “zona de conforto”, remete o ser humano ao sentimento da dor, justamente por encontrar na ausência um risco para aquilo que o deixava feliz e realizado. Uma vez que se considera a saúde o que há de mais nobre, provavelmente decorra desta perda a maior expressão do luto. A autora, após observar e estudar a relação do fato com as consequências aplicadas ao indivíduo, classificou o luto em 5 fases:
1) A negação: surge a primeira fase do luto, é no momento em que nos parece impossível a perda, em que não somos capazes de acreditar. A dor da perda seria tão grande que não poderia ser real;
2) A raiva: surge depois da negação, mas mesmo assim, apesar da perda já consumada, negamo-nos a acreditar. Pensamentos de por que comigo? surgem nesta fase, como também sentimentos de inveja; qualquer palavra de conforto parece-nos falsa, sendo difícil acreditar em sua veracidade;
3) A negociação: surge quando o indivíduo começa a enxergar a hipótese da perda e, perante isso, tenta negociar, a maioria das vezes com Deus, para que não seja verdade. Tais negociações são sempre sob forma de promessas ou sacrifícios;
4) A depressão: surge quando o indivíduo se dá conta de que a perda é inevitável e incontornável. Não há como escapar a ela, assim, sente-se o espaço vazio deixado pela pessoa (ou coisa) perdida e se toma consciência de que nunca mais irá ver aquela pessoa (ou coisa), e, com o desaparecimento dela, vão juntos todos os sonhos, projetos e lembranças associados;
5) A aceitação,última fase do luto. Ela ocorre quando a pessoa aceita a perda com paz e serenidade, sem desespero nem negação, o espaço vazio deixado pela perda é preenchido. Esta fase depende muito da capacidade da pessoa mudar a perspectiva e preencher o vazio.  O diagnóstico do câncer, desde o início dos sintomas ou a partir de achados silenciosos de exames de rotina, é associado a uma forma de medo muito grande, que, não raramente, manifesta-se como pânico, e talvez, constitua uma das formas mais claras de exemplificar o luto e as fases a ele atribuídas.   Há aqueles pacientes que optam pelo silêncio inquebrável, como também, encontramos outros que preferem se abrir com todos que os rodeiam. A fase do tratamento não é mais simples ou menos pesada que o choque do diagnóstico. Apesar do desespero inicial habitualmente não ser mais tão intenso, a morbidade atribuída aos mecanismos terapêuticos como cirurgias extensas, quimioterapia e radioterapia faz com que os pacientes padeçam de uma ansiedade muito grande. É uma fase em que a dor física se associa ao sofrimento emocional e tornam acentuados aqueles sentimentos que tenderiam a ser mais leves.O desfecho do tratamento é a última fase desse processo que se iniciou no diagnóstico e se divide em duas frentes completamente distintas: a cura ou a terminalidade da vida.

É óbvia a expectativa gerada por essa polaridade.

Mas o que faz com que o paciente A que enfrenta de forma diferente, mais leve e menos sofrida essa situação do que o paciente B?  O que leva o paciente a não ter raiva e o outro a manifestá-la continuamente durante seu tratamento? Essa talvez seja a grande dúvida e a resposta mais buscada por todos aqueles vinculados ao processo de cuidar.
O conhecimento desse questionamento conseguiria uniformizar tratamentos, tanto físicos como emocionais, buscando oferecer a todos os pacientes uma excelência de serenidade para o enfrentamento dessa fase de vida. Embora ainda não reconheçamos essas respostas, alguns fatos são claros e influenciam nesse curso. A individualidade marcada aqui pela expressão genética e pela interferência do meio em que o cidadão vive, configura peculiaridades que por si só são capazes de explicar quão diferentes são as reações perante o câncer. Visto que a expressão genética é imutável (são as características que temos trazidas pelos nossos genes: cor do cabelo, altura, inteligência etc.), o meio ambiente e social no qual o paciente está inserido é a chave para fortalecê-lo e torná-lo mais preparado para essa luta, e nada constitui de forma mais importante esse meio do que a família.  A relação existente entre o paciente e sua família, definida aqui como aqueles entes com parentesco consanguíneo, é de suma importância em todo esse processo. Olhando pelo lado médico, a presença da família transmite segurança à medida que todas as responsabilidades pelo tratamento e desfecho do caso serão divididas. Oferece um meio de comunicação transparente para aqueles momentos críticos e informações as quais poderão interferir no humor do doente. Já pela ótica do paciente, é a família, na grande maioria das vezes, a responsável pelo primeiro desabafo ao surgimento dos sintomas ou achado de exame; é ela o acompanhante da primeira consulta, da segunda opinião, da definição de onde e com quem será feito o tratamento, de qual opção terapêutica será a escolhida; é com ela que o paciente estará na antessala cirúrgica ou no apartamento para receber a quimioterapia; é dela a opinião sobre qual lenço ou peruca lhe caiu melhor; é nela que está depositada a confiança pela solução de problemas em momentos nos quais estiver impossibilitado e é com ela que se espera receber palavras de cura ou estar nos momentos mais críticos do tratamento.
Esses momentos acima citados, abrangem todas as fases do luto, desde a negação, passando pela raiva, negociação e depressão, até atingir a aceitação, nada mais são que sensações vividas durante o processo de doença. Muitas das vezes eles se misturam, sobrepõe-se, duram mais ou menos, mas uma característica lhes é comum em praticamente todos os pacientes: aqueles que mantém uma relação sólida e harmoniosa com sua família aceitam e enfrentam de maneira muito mais clara esse período. Não que eles sofram menos ou que tenham menos efeitos colaterais, mas geralmente são tomados por um objetivo de superação muito grande, focados na manutenção daquele elo e nas responsabilidades familiares, como a formatura de um filho, um casamento de outra filha, o nascimento do neto e assim por diante. O vínculo familiar oferece substrato energético emocional para a manutenção da luta e advém desse laço o estímulo para as várias crises de desânimo que invariavelmente ocorrerão. Além disso, há várias publicações na literatura que confirmam que seres humanos envolvidos com suas famílias são mais felizes e padecem menos de depressão. Esta, que a cada dia acomete mais e mais pessoas em fases mais precoces da vida, parece estar relacionada com redução de imunidade e níveis mais baixos de células de defesa orgânica. Talvez decorra dessa associação o fato de que aqueles pacientes envolvidos nesse elo familiar tenham melhor aceitação e tolerância ao tratamento.  Assim, vista a amplitude desse cenário, o qual se estende da ansiedade pré-diagnóstica à aceitação da doença e reconhecendo o doente como um ser humano repleto de sentimentos e afazeres, é que concluímos o quanto a família é a principal alavanca de apoio. O reconhecimento da frustração, a consciência da dificuldade de tolerância ao tratamento até a lucidez pela recuperação, situações do dia a dia de um paciente oncológico, confirmam que esses entes mais próximos são de extrema importância nessa trajetória.
Cuide de quem você ama. Ame quem lhe cuida. A estrada será mais leve, tenha certeza.

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ELGE WERNECK: A MODA DO BIGODE AZUL

Em todos os cantos da cidade, nos comerciais de televisão a persistente divulgação na internet, provavelmente um dos temas mais vistos nos dias atuais obedece ao Novembro Azul. Embora reconheçamos que trata-se de uma iniciativa pela saúde e que sua identificação passa por um bigode pomposo, a lá Mário Bross, não é muito difundida a origem dessa proposta e sua abrangência. Pois bem, lançada em 2003 na Austrália com o objetivo de conscientização da população masculina, o Novembro Azul prima pela atenção à saúde do homem, incluindo aí alguns tipos de câncer, além de outras patologias pouco exploradas, como a depressão. Mas algumas condições atribuíram a essa mobilização um foco um pouco mais restrito e deu ao Câncer de Próstata a notoriedade de grande protagonista. E quais foram essas condições? Vejamos: – Só para o ano de 2014, temos previsto em nosso país aproximadamente 60.000 novos casos (excluindo-se o câncer de pele não melanoma); – Mesmo com grandes chances de cura quando diagnosticado em estágios iniciais, a doença ainda mata muitos homens e atenção ao diagnóstico precoce deve ser sempre priorizada; – Tão importante quanto isso é o fato de que o tratamento acarreta risco de complicações, tais como impotência, incontinência urinária e redução de libido; – Talvez o principal motivo de tamanho destaque a essa discussão é o estigma que envolve a avaliação clínica e os exames diagnósticos do câncer de próstata. Esse pacote de relevância confirma que essa doença realmente necessita mais do que um mês de atenção, precisa de cuidados contínuos. Para dar alento àqueles homens preocupados, algumas mensagens a serem difundidas no Novembro Azul: – Embora com elevada prevalência, cada dia aumenta mais o número de casos de diagnóstico em estágios iniciais. Isso deve-se à informação da necessidade desse screening associado ao aumento e acesso aos exames diagnósticos; – Em estágios iniciais as chances de cura são bem maiores e as complicações decorrentes do tratamento instituído tendem a ser menores. Essa campanha que a cada ano ganha mais adeptos e torna-se mais abrangente é para você se atentar. Para você entender que vale a pena ir ao seu Urologista após os 50 anos e realizar exames de rotina. Para você perder o medo e compreender que o mais importante é a sua saúde e que no caso de um câncer de próstata, o diagnóstico precoce representa vida. Para você perceber que ano após ano, mais casos de sucesso e sobrevivência de pacientes com câncer estão em nossas casas, em nossos trabalhos. Enfim, previna-se. Cuide-se! E se você não é homem, portanto não tem risco de desenvolver essa doença, mas não deixe de cuidar daqueles que você ama: seu pai, seu marido, seu irmão, entre outros.  Esta é a grande mensagem que a campanha do bigode azul deixa para você!

Elge Werneck Araújo Júnior, é Oncologista Clínico e membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, atuando na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer na Clínica de Oncologia e Hematologia de São Paulo, no Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), no IAMSPE e no Hospital Heliópolis.