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História da Cat Roberta Guariglia

“Minha luta contra o câncer de mama começou em 4 de maio de 2021. Estava no banho quando senti um caroço no seio direito, no mesmo momento meu mundo desabou! Senti que algo estava errado e marquei uma consulta com a minha médica geral. Fui encaminhada a exames, além de mamografia e ultrassom. 

Após o ultrassom, a assistente pediu para que eu aguardasse. A médica entrou na sala e disse que havia uma mancha suspeita no exame. Perguntou se eu poderia fazer uma biópsia em alguns minutos, era questão só de preparar a sala. Meu mundo desabou. Liguei para o meu marido que aguardava no estacionamento e nem conseguia falar de tanto nervoso. Pediu pra eu ficar calma e disse que me esperaria. O que era para ser uma consulta de uma hora se transformou em quatro horas de nervoso. 

O diagnóstico veio três dias depois: carcinoma ductal in situ em estágio inicial. Já que o tumor era pequeno não precisei de quimioterapia antes da cirurgia. Continuei trabalhando e levando minha vida normalmente em meio a tantos exames e consultas médicas. 

Dia 16 de junho passei por uma tumorectomia e retirada de dois linfonodos para biópsia. Os exames mostraram que o tumor não havia se espalhado; naquele dia estava livre do câncer. Mas a minha luta ainda não havia acabado; uma semana depois minha oncologista aconselhou a fazer quimioterapia pois havia grandes chances do câncer voltar caso eu não passasse pelo tratamento. Relutante,tirei três meses de licença do trabalho e comecei minha quimio. 

Com certeza está sendo uma das piores experiências da minha vida: dores pelo corpo, enjoo, falta de apetite, dias de depressão e incertezas do que a quimio ainda pode fazer no meu corpo. Fui diagnosticada com início de linfedema e outras complicações no braço por causa da cirurgia. 

Hoje faço fisioterapia e quando tenho energia vou para a academia. É muito difícil passar por tudo isso longe da minha família e amigos no Brasil; eu moro nos Estados Unidos há 11 anos. A equipe médica que me acompanha aqui é maravilhosa, minhas amigas sempre me apoiam e não me deixam ficar deprimida. Eu faço parte de um grupo de apoio que auxilia mulheres a se manterem fisicamente ativas antes, durante e depois do diagnóstico do câncer de mama. O câncer me forçou temporariamente a adiar meus planos para o futuro e definitivamente eu vou passar o resto da vida com medo dele voltar. Mas aprendi muitas coisas por causa dele: eu tenho certeza do que quero para o meu futuro e com quem eu posso contar nos momentos de desespero e incertezas”.

Roberta Oliveira Guariglia

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Linfedema? Trago boas notícias!

Oi, pessoal! Primeiramente, mil perdões pelo sumiço e demora em mandar uma coluna. Só faltou um puxãozinho de orelha do Quimioterapia e Beleza e já voltei.
Escolhi um tema super relevante para falarmos desta vez: o famoso linfedema. O linfedema é um dos efeitos colaterais, podemos assim dizer, mais comuns decorrentes do câncer de mama em si e, também, dos tratamentos do câncer de mama. Estamos falando daquele inchaço no bracinho das pacientes que, normalmente, está usando uma braçadeira de compressão. O linfedema é um acúmulo de fluídos, de líquidos no nosso tecido intersticial (que é tipo o espaço que existe entre a nossa pele e os órgãos, músculos e vasos sanguíneos) por causa de danos no sistema linfático, induzidos pela cirurgia e/ou radioterapia ou ainda podem ser induzidas pelo próprio tumor.
Como podemos imaginar, o linfedema causa desconforto nas pacientes com sentimentos de fraqueza, peso, dor e, ainda, aumenta o risco de infecções e doenças crônicas. Consequentemente, as pacientes podem apresentar estresse psicológico e prejuízos na qualidade de vida. Já sabemos onde quero chegar, né? Na prática de exercícios físicos. Além dela, é recomendado que, para prevenção e redução do risco de linfedema, perca-se peso corporal, no caso de pacientes com sobrepeso e obesidade. Um estudo recente de revisão sistemática (que é um tipo de estudo que basicamente procura por outros estudos e faz um resumo do que esses estudos falam) demonstrou que não há contraindicação de exercício físico para mulheres com linfedema relacionado ao câncer de mama, não havendo restrições quanto ao tipo do exercício. Diversas modalidades foram testadas: treinamento aquático, natação, musculação, yoga, aeróbico. Não foram todos os estudos que relataram diminuição do volume do braço, mas todos relataram melhoras subjetivas das pacientes, ou seja, estas se sentiam melhor após o treinamento.
Então, pessoal, o exercício não é páreo nem para o linfedema e, mais importante, não, isso não é uma limitação ou impedimento para a prática de exercícios físicos! 

Referências:

Baumann, F.T., Reike, A., Reimer, V., Schumann, M., Hallek, M., Taaffe, D.R., Newton, R.U. and Galvao, D.A., 2018. Effects of physical exercise on breast cancer-related secondary lymphedema: a systematic review. Breast cancer research and treatment, pp.1-13. 

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Vulgarização da informação: Linfedema e câncer de mama

A querida Marcia Aquino, fisioterapeuta, acupunturista e professora de dermato-funcional, especializada pelo INCa em fisioterapia em Oncologia e Boiética no Instituto Fernandes Figueira, fez um artigo ótimo sobre linfedema e câncer de mama pra gente entender um pouco mais sobre o tema. Confira abaixo:

O linfedema é o acúmulo de líquidos no espaço intersticial devido à reduzida capacidade de transporte linfático por lesões a vasos linfáticos ou linfonodos… Explicando: é um inchaço que pode atingir o braço após a mastectomia radical ou radioterapia.

O diagnóstico do linfedema é feito através da anamnese, ou pelo exame físico. O inchaço do braço, quando não tratado, aumenta progressivamente, assim como aumenta a frequência das complicações a ele relacionadas, como infecções, dificuldade na movimentação do braço, alterações posturais, dor e a perda da autoestima.

  • O tratamento do linfedema consiste em:
  • Cuidados com a pele
  • Drenagem linfática manual (DLM)
  • Contenção na forma de enfaixamento ou por braçadeiras
  • Meias elásticas
  • Cinesioterapia (execícios fisioterapêuticos) específica.

IMPORTANTE: a drenagem linfática deve ser feita por um fisioterapeuta com especialização e conhecimento no assunto. Caso contrário, há riscos de complicação.

10 dicas de cuidados com a pele que devem ser seguidas desde a quimioterapia

  1. Hidrate-se: beba bastante água: você vai escutar muito isso, mas é fundamental;
  2. Use filtro solar com mínimo de FPS 30: o sol, mesmo mormaço somente até as 10h ou após as 16h. Use chapéu ou boné, e invista no protetor solar e um pó compacto com FPS que segura o creme solar. O filtro solar deve ser usado com generosidade e retocado ao longo do dia se você sair de casa;
  3. Hidrate sua pele com um creme que não tenha hormônios, parabenos etc, e com data de validade em dia. Evite usá-lo se ele estiver aberto há muito tempo, pois corre o risco de ter contaminação de bactérias;
  4. Não utilize alicate de unhas, nem tire cutículas, pois isso é uma porta para infecções;
  5. Não faça as unhas no salão: mesmo que você não tire as cutículas, o esmalte e os outros instrumentos podem conter fungos por serem utilizados em outras pessoas e não termos muito controle sobre isso. Não arrisque-se;
  6. Se você se cortou em alguma parte do braço do lado do câncer ou mastectomia, utilize um bactericida para evitar que infeccione;
  7. Use creme repelente para evitar mosquitos e insetos sempre!
  8. Não use o braço comprometido para a coleta de sangue ou qualquer outra intervenção: fale sempre antes com a enfermeira que você não pode utilizar esse braço;
  9. Converse com sua família e amigos: conscientização, participação e, principalmente, adesão ao tratamento são fatores importantes para o sucesso do resultado;
  10. Procure seu oncologista, mastologista ou fisioterapeuta se você sentir um peso, incomodo ou aumento no volume (inchaço) somente de um lado do braço afetado, ou se notar que esse braço está “mais gordinho”. O linfedema pode ser bem controlado se diagnosticado, tratado e controlado se diagnosticado imediatamente.

Seja feliz e não tenha medo…VIVA a vida!