No Outubro Rosa, mês em que, tradicionalmente, se procura conscientizar as mulheres para a prevenção, o diagnóstico precoce e o controle do câncer de mama, o JC DEBATE chama a atenção para os efeitos do tratamento contra a doença sobre a autoestima das mulheres. Uma questão delicada e não menos importante para elas e também para os médicos. O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres, no mundo e no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer avalia que, em 2016, 57 mil novos casos de câncer de mama serão diagnosticados no país. CONVIDADAS: 1 – FLÁVIA FLORES – criadora do Instituto Quimioterapia e Beleza 2 – MARIA DO SOCORRO MACIEL – médica mastologista.
A ONG Américas Amigas convidou sua madrinha Ticiane Pinheiro, jornalista e apresentadora, para conduzir um bate papo sobre a autoestima de quem luta contra um câncer de mama. A ex-modelo e e fundadora da ONG Quimioterapia e Beleza, Flávia Flores deu quatro dicas eficazes e otimistas:
Chá de lenços e acessórios:“A ideia é um evento promovido pela paciente para reunir amigas e oferecer um chá em casa, assim que a doença for diagnosticada, antes mesmo do início do tratamento. Em troca, as convidadas presenteiam a anfitriã com acessórios que irão valorizar sua beleza. Perucas, turbantes, maquiagens, lenços, brincos e todos os tipos de acessórios são bem-vindos. Vale a imaginação. Desde que coloquei a ideia do chá, no meu livro, centenas de pessoas já compartilharam comigo fotos e relatos sobre o sucesso de cada encontro. De vez em quando, eu publico nas minhas redes sociais.”
Nada de tristeza, na hora de raspar o cabelo:“Costumo dizer que um dos efeitos do tratamento é o de dar a oportunidade para a mulher ousar e conhecer a sensação de não ter cabelo. Encarar isso como uma oportunidade é estimulante e encorajador. A proposta aqui é aproveitar e exibir a careca com todas as suas vantagens e não escondê-la. É lindo e estiloso uma mulher careca. Uma descoberta libertadora é um banho de mar, careca. É uma sensação maravilhosa e singular. Acho que todas as pessoas deveriam experimentar.”3. Irreverência e multiplicidade:“Ao invés de procurar uma peruca linda, maravilhosa e caríssima, sugiro que a pessoa experimente ser várias mulheres em uma mesma semana, comprando 8 perucas sintéticas e coloridas. Uma paciente oncológica tem direito a tudo, a mudar de cores e de aparência. Essa irreverência também irá ajudá-la a quebrar o gelo com as amigas e a encarar de maneira mais divertida seu tratamento.”4. Namorar é bom e eu gosto:“Ao contrário do que muitos acreditam, namorar bastante é essencial para uma paciente. Ela quer e precisa ser tocada. Para isso, alguns truques ajudam a apimentar a relação. O uso de lingeries e de perucas coloridas criam novos personagens e inspiram para fantasias entre o casal. Outra dica é o uso de lubrificantes. Uma vez que o tratamento medicamentoso prejudica a libido, é recomendável que a mulher use o lubrificante com a ajuda de um aplicador vaginal, antes do namoro começar. Aí, é só aproveitar o momento e ser feliz.”
As aulas de dança do ventre espantam a tristeza e espalham sorrisos em uma clínica de oncologia de Palmas. O projeto é uma ideia da professora Cecília Custódio que, voluntariamente, decidiu ajudar a recuperar a autoestimas das mulheres que passam pelo longo período de tratamento que traz tantas mudanças físicas.
A dança do ventre trabalha a feminilidade da mulher e contribuiu para deixar as pacientes com um temperamento mais leve. “A autoestima é a primeira coisa que se perde ao longo do tratamento do câncer e as aulas podem ajudá-las a passar por isso”, disse a professora.
Para as pacientes, as aulas são uma motivação fundamental e traz benefícios que não estão presentes na quimioterapia. “Aqui você se diverte, ri o tempo todo. São novas histórias e novas amizades. É muito bom”, disse Lourença Coelho, que descobriu a doença há seis meses.
Agora os momentos difíceis das pacientes são compartilhados em grupo e acabam se tornando motivos para sorrir, como conta Rosa Teodoro os resultados são visíveis. “Dançar não é só passo e ritmo, é envolvimento e paixão. Sinceramente eu me entrego na dança”, afirmou.
Há cinco anos, Magali Aparecida Borges, de Umuarama, no noroeste do Paraná, teve uma das piores notícias da vida: estava com câncer de pele. Desde então, viu a vida mudar completamente. Durante o tratamento, Magali precisou se aposentar, perdeu os cabelos e os pelos da sobrancelha. Após 30 sessões de radioterapia, o câncer desapareceu, mas a autoestima se perdeu. Sem sobrancelha, o rosto não voltou a ser o mesmo.
“Depois do tratamento raramente saía de casa por causa da falta de sobrancelha. Quem olha leva um choque, é nítido que tive a doença. Fico abalada. Parece que está escrito. Todo mundo olha e vem perguntar, saber o que aconteceu. Então, prefiro não sair de casa, tenho vergonha”, diz Magali.
Casos como o da aposentada, de mulheres que sofrem por falta de sobrancelha, não são raros. Alguns procedimentos estéticos resolvem o problema por um período, como a rena, mas não são permanentes. Uma das únicas alternativas é a micropigmentação, um serviço caro, que custa em média R$ 400 e oferecido por poucas profissionais.
Ao analisar esse cenário, a enfermeira Michaely Natali fez cursos de micropigmentação para reconstruir sobrancelhas e decidiu oferecer o serviço de graça para mulheres em tratamento de câncer ou que já se curaram.
“Estou querendo sair da enfermagem, mas não completamente. Quero usar a minha mão como enfermeira para ajudar as pessoas. Depois de fazer o curso de micropigmentação percebi o quanto essas mulheres precisam do serviço, então decidi disponibilizar quatro atendimentos gratuitos por mês para pacientes com câncer. Mas, quero oferecer a mais pessoas”, explica a enfermeira.
A primeira a ser atendida foi Magali Borges. Com a liberação médica em mãos, autorizando o procedimento, ela ganhou sobrancelhas novas na noite de terça-feira (9).
“Cheguei a chorar no dia que recebi a notícia que ganharia a micropigmentação, não tenho condições de pagar. Antes tinha vergonha de sair de casa, de me expor, agora isso é passado”, enfatiza a aposentada.
Michaely explica que antes de marcar o procedimento estético exige das mulheres interessadas laudos médicos autorizando o tratamento.
“O procedimento é um pouco invasivo, então se a paciente estiver com a imunidade baixa corre o risco de desenvolver uma infecção ou até ter uma cicatriz. Por isso, a única exigência é essa liberação médica, uma vez que os tratamentos de quimioterapia e radioterapia são muito fortes”, detalha.
Um procedimento que dura em média uma hora, mas que faz bem tanto para quem recebe o serviço quanto para quem oferece o procedimento.
“Ajudar uma pessoa provoca um calorzinho no peito, é uma sensação tão gostosa. Ver o sorriso no rosto da Magali gera uma sensação inexplicável. Para mim é algo simples, mas para essas mulheres é algo grandioso”, destaca Michaely Natali.
Shannen publicou em sua página no Facebook uma sequência de fotos cortando o cabelo e, por fim, com ele raspado. Nas imagens, ela aparece ao lado da mãe e de uma amiga.
As publicações da atriz emocionaram seus seguidores na rede social. “Shannen, você está linda! Seja forte! Orações a você”, escreveu um fã. “Estou rezando por você todo dia e espero que você esteja forte. Muitas pessoas te amam e torcem por você”, comentou outro admirador.
Em agosto do ano passado, Shannen Doherty revelou ter sofrido de câncer de mama, segundo o “Hollywood Reporter”. Na época, ela afirmou que a doença se desenvolveu num período em que estava descoberta por seu plano de saúde.
Segundo a atriz, a culpa seria de seu antigo empresário, que ela está processando por negligência. A informação veio à tona justamente pela briga na Justiça americana. Shannen alegou que o ex-empresário seria o responsável por manter o seguro em dia.
Até o dia 10 de julho o Shopping Metrópole (Praça Samuel Sabatini, 200), em São Bernardo, recebe a exposição fotográfica De Peito Aberto – A Autoestima da Mulher Com Câncer de Mama, Uma Abordagem Humanista. A entrada é gratuita e a mostra pode ser vista de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 12h às 22h.
Em 60 quadros as fotos retratam a história de luta de mais de 50 mulheres e um homem, de todos os cantos do Brasil, Estados Unidos, Portugal e Espanha, entre 18 e 90 anos, que enfrentaram ou ainda convivem com o câncer de mama. As imagens captam as emoções vividas por essas pessoas em diversas etapas da doença.
O projeto é uma iniciativa da jornalista e escritora Vera Golik e do fotógrafo e sociólogo Hugo Lenzi, que vivenciaram casos de câncer em suas próprias famílias e mostram a doença sob perspectiva mais humana e sensível. Além da mostra, os interessados poderão conferir, no dia 5, a partir das 19h30, no corredor central do centro de compras, palestra sobre o assunto com médicos, pacientes e apoiadores do projeto.
Dois meses após descobrir câncer no ovário, Cristiane, 37 anos, organizou um chá de lenço com as amigas (Foto: Babi Cocolichio/Divulgação).
Cristiane Gomes da Luz, 37 anos, foi diagnosticada com câncer de ovário. Tumor virou metástase; gaúcha luta para tratar a doença de forma positiva.
Em menos de três meses, a vida de Cristiane Gomes da Luz, 37 anos, passou por uma transformação. A rotina da porto-alegrense, casada há 15 anos e mãe dos pequenos João, 4, e Maria, 7, foi completamente alterada em função das idas cada vez mais frequentes ao hospital. Em abril deste ano, a advogada foi diagnosticada com câncer no ovário. Em poucos dias, porém, o quadro de saúde dela apontou uma constatação ainda mais grave: já era metástase.
Apesar do abalo inicial, Cristiane buscou alternativas para encarar a temível doença. Organizou um chá de lenço, fez um ensaio de fotos dando adeus aos longos cabelos de que tanto gostava e apostou na autoestima e positividade para seguir em frente, apesar dos desafios. Para isso, se armou de bom humor. A autopiedade não combina muito com ela.
Sinto que a minha alegria é o que vai me ajudar a matar o câncer. É assim que eu vou levar a vida, de qualquer forma”
“Eu tive muito medo de morrer, mas não posso mentir que ficar careca era um pânico pra mim”, afirma ela em entrevista ao G1, em meio a uma sessão de quimioterapia. “Mas hoje eu sinto que a minha alegria é o que vai me ajudar a matar o câncer. É assim que eu vou levar a vida, de qualquer forma”, completa ela.
O câncer de ovário não é o mais incidente entre as mulheres e perde no ranking para os mais comuns, como de mama e o de colo de útero. No Rio Grande do Sul, a estimativa para 2016 é de 350 casos para cada 100 mil gaúchas, segundo o último levantamento divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Sem histórico familiar e fora da idade considerada de risco, Cristiane descobriu a doença por acaso, quando estava prestes a fazer uma laqueadura, cirurgia que fecha as tubas uterinas para impedir a descida do óvulo e a subida do espermatozoide, causando a esterilização da mulher. Dias antes, cólicas intensas e sangramentos esporádicos causaram estranhamento e a levaram duas vezes para a emergência de um hospital em Porto Alegre.
“Eram cólicas de chorar. Mas achei que pudesse ser alguma coisa do DIU (dispositivo intrauterino) e por isso optei pela laqueadura. Ninguém acha que vai ter câncer nova assim”, conta ela, que diz que estava acostumada a visitar a ginecologista anualmente para passar por exames de rotina.
Mas não era o DIU. Em 12 de abril deste ano, já no bloco cirúrgico para ser submetida a laqueadura, a médica de Cristiane se deparou com uma massa cinzenta cobrindo os dois ovários, em um deles aparecia bem maior que o outro. Imediatamente, ela colheu um pequeno fragmento do tecido e encaminhou para a biópsia, que confirmou: era um tumor maligno. “Eu não ouvi quase nada que ela me disse, só queria saber se ia morrer”, lembra.
Ainda com poucas informações, foi mandada de volta para casa. Recorreu, porém, ao que chama de “Doutor Google”, na tentativa de acalmar a ansiedade. Mas o efeito foi contrário. Os resultados do buscador a impressionaram mais ainda.
“Li um monte de coisa ruim na internet e logo passei a sentir fisgadas muito fortes na barriga. No outro dia, doía muito. Eu estava apavorada”, afirma ela, que voltou ao hospital, às pressas.
O câncer no ovário migrou para outros órgãos Internada por conta de um inchaço na barriga, Cristiane teve a cirurgia antecipada. O procedimento durou sete horas. Foi quando o cirurgião oncológico Márcio Boff percebeu que o câncer no ovário, na verdade, já estava percorrendo o corpo de Cristiane.
“Eu estava tomada. Era para ser só o aparelho reprodutor, mas tirei vesícula, apêndice, um pedaço do baço, um pedaço do intestino”, lista ela, que por conta da última remoção passou a usar uma bolsa de ileostomia, uma espécie de recipiente adesivo externo usado por quem tem uma abertura na região abdominal, para armazenar as fezes. Segundo Cristiane, a bolsa de ileostomia é esvaziada, no mínimo, dez vezes ao dia. “É uma das partes mais chatas”, afirma.
O diagnóstico de metástase abalou ainda mais a família. Cristiane confessa que pensou em desistir. Chorou, sofreu, mas levantou a cabeça e, antes de abrir mão da própria vida, resolveu lutar. “Tinha momentos que eu queria que Deus me levasse, sabe? Queria desistir, de tanta dor, tanto sofrimento. Mas não podia, tenho meus filhos, meu marido”, diz.
Após 20 dias internada, Cristiane sentia-se fraca. Teve alta do hospital, mas passou os dez dias seguintes deitada na cama, debaixo das cobertas. Deixou de lado as tarefas do dia-a-dia que mais lhe davam prazer, como cuidar dos filhos, levá-los e buscá-los na escola. “Eu estava ali deitada só esperando o meu tempo passar”, recorda.
Só depois Cristiane percebeu que, na verdade, viver da mesma forma que vivia antes de descobrir a doença e retomar a velha rotina lhe traria de volta a felicidade que estava faltando. “Eu já não tinha mais dor, depois da cirurgia. E foi assim que comecei a me sentir feliz de novo”, diz ela.
Apoio nas redes sociais reerguem Cristiane
Comunicativa, desinibida e com tempo livre, ela encontrou nas redes sociais uma maneira de contar sua história. Foi quando criou a página “Luz da Cris” no Facebook, em alusão também ao seu sobrenome, onde resolveu compartilhar por meio de vídeos e textos sua rotina de tratamento, e percebeu que isso a ajudou a se reerguer.
“Eu acho que o maior erro das pessoas com câncer ou com qualquer doença grave é se esconder. Porque o que se recebe de mensagens de apoio é impressionante. Eu estava na padaria outro dia, com uma amiga, e uma moça me viu e quis me dar um abraço. Disse que achou a minha página nas redes sociais. Eu nunca vou esquecer disso”, detalha.
Mesmo após a cirurgia, o tratamento recém começaria. Seis sessões de quimioterapia lhe aguardavam. A primeira, realizada no dia 15 de junho, empolgou Cristiane.
“Eu estava louca pra fazer quimio. Cheguei lá, vi todo mundo quieto, e pensei: ‘Que tristeza é essa, dessa gente?’. Eu achei que era todo mundo junto, todos os carecas ali trocando ideias, conversando. E não, é só eu em uma sala, muito confortável e tal, mas eu adoro bater papo, ia adorar estar com as pessoas”, conta.
Cristiane ao lado do marido e dos filhos em sessão de fotos que registrou seu novo corte de cabelo (Foto: Babi Cocolichio/Divulgação)
Chá de lenço reúne as amigas e ensaio de fotos registra a perda do cabelo No entanto, as consequências da quimioterapia viriam. Embora não sinta os efeitos colaterais do tratamento, um deles era fato: em 15 dias, os longos fios de cabelo começariam a cair. Era o câncer atingindo em cheio a feminilidade de Cristiane, facilmente percebida nas unhas bem feitas e no delineador traçado nos olhos.
“Saí no mesmo dia em todas as lojas de peruca de Porto Alegre. E achei tudo meio brega. Eu queria uma peruca que fosse igual ao meu cabelo. Eu amava o meu cabelo. E a vendedora me indicou os lenços. E eu sempre associei: ‘Ai, está andando de lenço, está com câncer, está na cara’. Mas aí eu experimentei e me apaixonei. Saí com dois lenços da loja”, conta.
Inspirada pelo livro “Quimioterapia e Beleza” da ex-modelo Flavia Flores, que aos 35 anos foi diagnosticada com câncer de mama, Cristiane teve a ideia de organizar um “chá de lenço”. Convocou as amigas e armou a festa, que teve chá só no nome. Taças de vinho e espumante acompanharam a formação da nova coleção de lenços, turbantes, boinas, toucas e chapéus.
“Foi um sucesso total. Eu digo que as minhas amigas mataram minhas células cancerígenas a cada depoimento, a cada força que elas me dão. O câncer não quer um corpo bom. Ele quer um corpo derrotado pra tomar conta. O meu cabelo, a quimio tirou, mas o câncer não vai me derrubar”, pontua.
E antes que as madeixas começassem a cair, Cristiane criou coragem a marcou horário no cabelereiro. “Na noite anterior, lavei meu cabelo e chorei muito tempo no banheiro. Foi muito triste, muito difícil pra mim”, recorda.
O momento, embora doloroso, foi registrado em um ensaio de fotos, com a presença do marido e dos dois filhos. “Meus filhos são muito especiais. Para ela eu disse que tinha uma bolinha, que me causava muita dor. Aí depois contei que era câncer. Ela sabe o que é, porque viu nas novelas. E achou que eu ia virar uma estrelinha o céu. Mas agora ela entende melhor”, observa. “Ele, de início, ficou assustado com o fato de eu ficar careca. Disse que eu ia ficar feia. Depois de um tempo ele me disse que ia me amar igual, mesmo careca. Chorei, né?”.
Médico garante que encarar doença de forma positiva traz ‘mais sucesso’ Médico oncologista do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, Stephen Stefani acompanha de perto o tratamento de Cristiane. Durante a sessão de quimioterapia, que dura em média quatro horas, ele faz uma rápida visita e impressiona-se com a reação da paciente ao procedimento.
O médico sustenta que o diagnóstico de câncer já não é mais uma sentença de morte. Ele pondera que cada caso é um caso, mas afirma que não é conversa fiada que o pensamento positivo ajuda na recuperação. Segundo ele, a ciência comprova que encarar o diagnóstico e o tratamento de forma positiva traz mais sucesso aos resultados.
“A maneira como se encara essa doença e as adaptações faz toda a diferença. Parece intuitivo, mas é cientificamente comprovado que uma atitude positiva e uma expectativa responsável, mas otimista, traz resultados mais interessantes do que aquela pessoa que se entrega”, garante. “A mensagem de encarar a doença, e de não querer disfarçá-la, é muito poderosa. O posicionamento de enfrentamento é que torna a pessoa bonita”, acrescenta.
Parece intuitivo, mas é cientificamente comprovado que uma atitude positiva e uma expectativa responsável, mas otimista, traz resultados mais interessantes do que aquela pessoa que se entrega”
Stephen Stefani, médico oncologista
O médico diverte-se ao falar do caso de Cristiane. “É verdade, ela está acima da média”, ri, e brinca com a receita dela de aliar a fé e o temperamento alegre mesmo em ambiente melancólico como o de um hospital.
“Ela é realista, mas encara muito bem. Vou começar a marcar a quimio dela para de manhã bem cedo e na verdade iniciar mais tarde, que enquanto isso ela fica por horas animando o pessoal na recepção”, sugere.
No entanto, ele destaca a importância da informação e do acompanhamento médico. “É claro que existem essas maneiras culturais e de posicionamento que fazem a diferença, mas ninguém encara isso se não tem ferramentas para isso, por exemplo a informação. E posso assegurar que não é o Google, como todos os pacientes fazem. O problema que lá tem muita informação, boa e ruim. As pessoas que estão lendo não estão treinadas para interpretar isso”, alerta, mas reforça que o amparo de amigos e familiares também é fundamental no processo. “Nenhum suporte é mais poderoso que o amparo da família e amigos”, conclui.
Mulheres em tratamento contra o câncer realizaram uma sessão fotográfica em Gaspar, no Vale do Itajaí, para elevar a autoestima. O resultado vai virar uma mostra em Blumenau, também no Vale, no Shopping Neumarkt de 23 de maio a 4 de junho.
O grupo “As superpoderosas”, como elas se denominam, atualmente conta com 30 mulheres moradoras das cidades do Vale como Gaspar, Blumenau, Brusque, Indaial, além de Curitiba, no Paraná. Elas formaram uma rede virtual, e trocam apoio e dicas de tratamento pelo Whatsapp.
Destas, 15 mulheres, entre 18 e 52 anos, aceitaram participar da sessão, batizada de “A Beleza Além do Câncer”. “A gente tem o direito de ver a nossa beleza para encarar o tratamento”, disse a representante comercial Deise de Oliveira Silva.
Algumas já se conheciam pessoalmente, outras somente por meio das redes sociais até a data da sessão. “A gente já estava se ajudando há muito tempo, mas estar cara a cara, uma diante da emoção da outra foi especial”, disse a administradora Nicasssia Zimmermann Kuhunen.
Para elas, vaidade é fator primordial para lidar com a doença. “Eu procurava estar sempre bonita para não parecer doente, porque eu não me sentia doente. Eu me sentia eu mesma e queria mostrar isso para meu marido e filhos. Com isso, tinha mais força e me sentia bem”, contou a advogada Ana Paula Voss Gomes.
“A gente quer mostrar que o câncer é muito mais do que aquilo que se vê, ele pode te trazer muito mais do que ele leva e que é possível sorrir, é possível ser feliz, é possível crescer e continuar a viver”, completa a comissária de bordo Daiane Gallasini.
Aos 37 anos, a inglesa Angelica Fenney é um modelo. Ou melhor, uma modelo. Melhor ainda, as duas coisas. É que, após 20 anos se recuperando de três tipos de câncer, ela engordou cerca de 40kg.
Em vez de se queixar, comemorou o fato de ter superado as doenças, claro. Além de câncer de mama, ela teve câncer de pele e de colo do útero. Após tamanho desafio, virou um símbolo de superação ao se utilizar do ganho de peso para mostrar que a obesidade também tem sensualidade. E se tornou uma modelo.
Natural de St. Helens, Merseyside, ela está em processo de recuperação e, conforme conta o jornal Mirror, tem celebrado seu corpo posando para fotos, inclusive de sua nudez, em lugares onde a natureza e o glamour falam mais alto.
Além de ter engordado por causa da doença, ela teve de conviver, segundo conta, com insultos devido à sua obesidade. Essa triste realidade também foi transformada e, com muitos amigos, ela aprendeu a acreditar que o lado bom do ser humano prevalece na maioria das pessoas.
Não é porque alguns tentaram desanimá-la que ela iria deixar de acreditar em seu potencial. Mas, para isso, primeiro era importante se recuperar. E depois disso ela viu tudo com mais clareza.
— Não estamparei mais um sorriso artificial (diante das críticas). Atravessei o furacão e cheguei ao outro lado podendo dizer que nós, mulheres, cada uma à sua maneira, deve abraçar as próprias curvas e mostrar às pessoas hostis que todas somos lindas à nossa própria maneira.
Ela quer servir de exemplo para outras mulheres, principalmente aquelas que passam por dificuldades: — Para todas as mulheres o corpo têm curvas sensuais e estou fazendo uma sessão de fotos para mostra isso.
A doença, de drama se tornou um estímulo. — Levei perto de 21 anos para finalmente aceitar o meu corpo e realmente começar a amá-lo, apesar de todos os meus sustos.
Angelica tentou perder peso de várias maneiras, mas teve dificuldades. Por fim teve de se aceitar como ela é. E agradeceu à sua amiga Angel Sinclair por ter organizado a sessão de fotos, na qual Angelica iniciou uma nova atividade.
Sua maior suspeita é o uso de tamoxifeno, substância para tratar o câncer de mama na adolescência, a levou a ter as outras doenças. Ela criou um blog para falar sobre sua recuperação e informou online o momento em que viajou para Londres para saber que estava em estado de remissão.
— Eu me sinto fortalecida, porque eu realmente não sabia sobre a minha própria coragem emocional
Diante de tudo isso, chega-se à resposta do primeiro parágrafo. Essa nova modelo é realmente um modelo. De superação.
Vocês já conhecem o Banco de Lenços Flávia Flores? Tem uma reportagem que saiu na Veja falando sobre!! Confira a seguir:
“No Hospital Santa Paula, Flávia Flores e Paula Gallo coordenam projeto que já ajudou mais de 1 000 pacientes.
Em outubro de 2012, a ex-modelo Flávia Flores recebeu a notícia de que havia desenvolvido um câncer de mama. O que seria motivo de tristeza, no entanto, transformou-se em desafio para não deixar baixar a autoestima. “Após enfrentar as primeiras sessões de quimioterapia, comecei abuscar formas para me manter bonita”, relembra.Sua estratégia foi criar uma página no Facebook e oferecer dicas de beleza a outras pacientes em situação semelhante.
A iniciativa chamou a atenção da economista Paula Gallo, diretora de marketing do Hospital Santa Paula, na Vila Olímpia, que a procurou para propor uma parceria. Assim, no fim do ano passado, as duas fundaram o Banco de Lenços, com o objetivo de arrecadar e distribuir as peças a mulheres que perdem o cabelo durante o tratamento contra a doença. “A inspiração veio de uma ação parecida, mas envolvendo perucas”, explica Flávia. Em menos de um ano, o projeto recebeu mais de 4 000 doações. Cerca de 1 000 itens, a maioria de segunda mão, foram passados adiante após ser higienizados e esterilizados. “Enviamos lenços até para fora do Brasil, para países como Portugal e Espanha”, diz Paula.
Para receber o acessório, é preciso preencher um cadastro no site da organização.Caso a interessada se sinta à vontade, também pode compartilhar sua história pessoal.“Escolhemos até a cor do lenço que vamos entregar, de acordo com a personalidade de cada paciente”, afirma Flávia. Feito o pedido,o artigo é enviado pelo correio. O principal ponto de coleta de doações é o Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula, mas há parceiros que colaboram na arrecadação das peças, como a escola de inglês CNA, a lavanderia Lavebras, o instituto CIEE e a agência de viagens LeBlog. A própria Flávia às vezes dá “expediente” no centro de saúde,como conselheira das mulheres em tratamento no local. “Costumo ficar ali ensinando-as a fazer diversos tipos de nó nos lenços”,explica. “O momento de enfrentar um câncer é muito complicado e triste. Meu objetivoé devolver a alegria e a vontade de viver às pacientes”, completa.
Banco de Lenços. Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula – Avenida Santo Amaro, 2382, Vila Olímpia, 3040-8000. www.bancodelencos.com.br“