Há cinco anos, Magali Aparecida Borges, de Umuarama, no noroeste do Paraná, teve uma das piores notícias da vida: estava com câncer de pele. Desde então, viu a vida mudar completamente. Durante o tratamento, Magali precisou se aposentar, perdeu os cabelos e os pelos da sobrancelha. Após 30 sessões de radioterapia, o câncer desapareceu, mas a autoestima se perdeu. Sem sobrancelha, o rosto não voltou a ser o mesmo.
“Depois do tratamento raramente saía de casa por causa da falta de sobrancelha. Quem olha leva um choque, é nítido que tive a doença. Fico abalada. Parece que está escrito. Todo mundo olha e vem perguntar, saber o que aconteceu. Então, prefiro não sair de casa, tenho vergonha”, diz Magali.
Casos como o da aposentada, de mulheres que sofrem por falta de sobrancelha, não são raros. Alguns procedimentos estéticos resolvem o problema por um período, como a rena, mas não são permanentes. Uma das únicas alternativas é a micropigmentação, um serviço caro, que custa em média R$ 400 e oferecido por poucas profissionais.
Ao analisar esse cenário, a enfermeira Michaely Natali fez cursos de micropigmentação para reconstruir sobrancelhas e decidiu oferecer o serviço de graça para mulheres em tratamento de câncer ou que já se curaram.
“Estou querendo sair da enfermagem, mas não completamente. Quero usar a minha mão como enfermeira para ajudar as pessoas. Depois de fazer o curso de micropigmentação percebi o quanto essas mulheres precisam do serviço, então decidi disponibilizar quatro atendimentos gratuitos por mês para pacientes com câncer. Mas, quero oferecer a mais pessoas”, explica a enfermeira.
A primeira a ser atendida foi Magali Borges. Com a liberação médica em mãos, autorizando o procedimento, ela ganhou sobrancelhas novas na noite de terça-feira (9).
“Cheguei a chorar no dia que recebi a notícia que ganharia a micropigmentação, não tenho condições de pagar. Antes tinha vergonha de sair de casa, de me expor, agora isso é passado”, enfatiza a aposentada.
Michaely explica que antes de marcar o procedimento estético exige das mulheres interessadas laudos médicos autorizando o tratamento.
“O procedimento é um pouco invasivo, então se a paciente estiver com a imunidade baixa corre o risco de desenvolver uma infecção ou até ter uma cicatriz. Por isso, a única exigência é essa liberação médica, uma vez que os tratamentos de quimioterapia e radioterapia são muito fortes”, detalha.
Um procedimento que dura em média uma hora, mas que faz bem tanto para quem recebe o serviço quanto para quem oferece o procedimento.
“Ajudar uma pessoa provoca um calorzinho no peito, é uma sensação tão gostosa. Ver o sorriso no rosto da Magali gera uma sensação inexplicável. Para mim é algo simples, mas para essas mulheres é algo grandioso”, destaca Michaely Natali.
Shannen publicou em sua página no Facebook uma sequência de fotos cortando o cabelo e, por fim, com ele raspado. Nas imagens, ela aparece ao lado da mãe e de uma amiga.
As publicações da atriz emocionaram seus seguidores na rede social. “Shannen, você está linda! Seja forte! Orações a você”, escreveu um fã. “Estou rezando por você todo dia e espero que você esteja forte. Muitas pessoas te amam e torcem por você”, comentou outro admirador.
Em agosto do ano passado, Shannen Doherty revelou ter sofrido de câncer de mama, segundo o “Hollywood Reporter”. Na época, ela afirmou que a doença se desenvolveu num período em que estava descoberta por seu plano de saúde.
Segundo a atriz, a culpa seria de seu antigo empresário, que ela está processando por negligência. A informação veio à tona justamente pela briga na Justiça americana. Shannen alegou que o ex-empresário seria o responsável por manter o seguro em dia.
Até o dia 10 de julho o Shopping Metrópole (Praça Samuel Sabatini, 200), em São Bernardo, recebe a exposição fotográfica De Peito Aberto – A Autoestima da Mulher Com Câncer de Mama, Uma Abordagem Humanista. A entrada é gratuita e a mostra pode ser vista de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingos e feriados, das 12h às 22h.
Em 60 quadros as fotos retratam a história de luta de mais de 50 mulheres e um homem, de todos os cantos do Brasil, Estados Unidos, Portugal e Espanha, entre 18 e 90 anos, que enfrentaram ou ainda convivem com o câncer de mama. As imagens captam as emoções vividas por essas pessoas em diversas etapas da doença.
O projeto é uma iniciativa da jornalista e escritora Vera Golik e do fotógrafo e sociólogo Hugo Lenzi, que vivenciaram casos de câncer em suas próprias famílias e mostram a doença sob perspectiva mais humana e sensível. Além da mostra, os interessados poderão conferir, no dia 5, a partir das 19h30, no corredor central do centro de compras, palestra sobre o assunto com médicos, pacientes e apoiadores do projeto.
Sabrina Parlatore é uma Cat vencedora! Ela falou sobre sua luta contra o câncer de mama em entrevista no “Morning Show”, da rádio Jovem Pan, nesta terça-feira (21). E eu ainda recebi um recado essa linda, veja o vídeo:
Ela conta: “Um pouco mais de um ano atrás, fui diagnosticada com câncer de mama. É uma emoção falar sobre isso”, “Graças a Deus, foi em estágio inicial. Resolvi esperar o tratamento todo para poder falar, porque estava muito fragilizada. Então, agora tenho mais condições de falar e poder refletir. E, principalmente, ajudar as pessoas. No início, não queria falar, porque era uma coisa íntima. Pensei que seria a mesma coisa de ter uma micose no pé e falar ‘oi, estou com uma micose’. Por que, né? Eu senti uma necessidade e até um dever meu como figura pública em dividir essa experiência com todas as mulheres e alertar para importância do diagnóstico precoce, dos exames preventivos todos os anos a partir de certa idade. Deu tudo certo”.
Sabrina tem 41 anos e já foi modelo, VJ da MTV e apresentadora das emissoras TV Cultura e Band.
Um grupo de pesquisadores do Cancer Research UK descobriu um medicamento que pode reduzir a expansão do tipo mais agressivo de câncer de mama, segundo publicou nesta segunda-feira (13) a revista “Oncogene”.
O composto conhecido como JQ1 altera a reação das células cancerígenas perante a hipoxia, ou falta de oxigênio, um processo que se encontra presente em mais de 50% dos tumores e é mais comum nos cânceres de mama do tipo triplo negativo, o mais difícil de tratar.
Cientistas das universidades de Oxford e Nottingham (no centro da Inglaterra) concluíram em seu estudo que o JQ1 faz com que o tecido cancerígeno deixe de adaptar-se à carência de oxigênio, o que desacelera seu desenvolvimento.
O coautor da pesquisa, Alan McIntyre, afirmou que “o tratamento da hipoxia às vezes compromete o tratamento do câncer de mama e o JQ1 pode ser a chave para ajudar às pacientes desta doença”.
Quando este tipo de tumor se acostuma aos níveis baixos de oxigênio, sua biologia se altera e se torna resistente a tratamentos comuns, razão pela qual este novo remédio poderia mudar a forma de combater este câncer, segundo os pesquisadores.
Nell Barrie, do Cancer Research UK, ressaltou que “o estudo mostra como funciona este fármaco”, que “poderia ser uma forma de deter a expansão do câncer”, embora ressalte que agora se deve examinar “a efetividade do JQ1 sobre os pacientes”.
Dois meses após descobrir câncer no ovário, Cristiane, 37 anos, organizou um chá de lenço com as amigas (Foto: Babi Cocolichio/Divulgação).
Cristiane Gomes da Luz, 37 anos, foi diagnosticada com câncer de ovário. Tumor virou metástase; gaúcha luta para tratar a doença de forma positiva.
Em menos de três meses, a vida de Cristiane Gomes da Luz, 37 anos, passou por uma transformação. A rotina da porto-alegrense, casada há 15 anos e mãe dos pequenos João, 4, e Maria, 7, foi completamente alterada em função das idas cada vez mais frequentes ao hospital. Em abril deste ano, a advogada foi diagnosticada com câncer no ovário. Em poucos dias, porém, o quadro de saúde dela apontou uma constatação ainda mais grave: já era metástase.
Apesar do abalo inicial, Cristiane buscou alternativas para encarar a temível doença. Organizou um chá de lenço, fez um ensaio de fotos dando adeus aos longos cabelos de que tanto gostava e apostou na autoestima e positividade para seguir em frente, apesar dos desafios. Para isso, se armou de bom humor. A autopiedade não combina muito com ela.
Sinto que a minha alegria é o que vai me ajudar a matar o câncer. É assim que eu vou levar a vida, de qualquer forma”
“Eu tive muito medo de morrer, mas não posso mentir que ficar careca era um pânico pra mim”, afirma ela em entrevista ao G1, em meio a uma sessão de quimioterapia. “Mas hoje eu sinto que a minha alegria é o que vai me ajudar a matar o câncer. É assim que eu vou levar a vida, de qualquer forma”, completa ela.
O câncer de ovário não é o mais incidente entre as mulheres e perde no ranking para os mais comuns, como de mama e o de colo de útero. No Rio Grande do Sul, a estimativa para 2016 é de 350 casos para cada 100 mil gaúchas, segundo o último levantamento divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Sem histórico familiar e fora da idade considerada de risco, Cristiane descobriu a doença por acaso, quando estava prestes a fazer uma laqueadura, cirurgia que fecha as tubas uterinas para impedir a descida do óvulo e a subida do espermatozoide, causando a esterilização da mulher. Dias antes, cólicas intensas e sangramentos esporádicos causaram estranhamento e a levaram duas vezes para a emergência de um hospital em Porto Alegre.
“Eram cólicas de chorar. Mas achei que pudesse ser alguma coisa do DIU (dispositivo intrauterino) e por isso optei pela laqueadura. Ninguém acha que vai ter câncer nova assim”, conta ela, que diz que estava acostumada a visitar a ginecologista anualmente para passar por exames de rotina.
Mas não era o DIU. Em 12 de abril deste ano, já no bloco cirúrgico para ser submetida a laqueadura, a médica de Cristiane se deparou com uma massa cinzenta cobrindo os dois ovários, em um deles aparecia bem maior que o outro. Imediatamente, ela colheu um pequeno fragmento do tecido e encaminhou para a biópsia, que confirmou: era um tumor maligno. “Eu não ouvi quase nada que ela me disse, só queria saber se ia morrer”, lembra.
Ainda com poucas informações, foi mandada de volta para casa. Recorreu, porém, ao que chama de “Doutor Google”, na tentativa de acalmar a ansiedade. Mas o efeito foi contrário. Os resultados do buscador a impressionaram mais ainda.
“Li um monte de coisa ruim na internet e logo passei a sentir fisgadas muito fortes na barriga. No outro dia, doía muito. Eu estava apavorada”, afirma ela, que voltou ao hospital, às pressas.
O câncer no ovário migrou para outros órgãos Internada por conta de um inchaço na barriga, Cristiane teve a cirurgia antecipada. O procedimento durou sete horas. Foi quando o cirurgião oncológico Márcio Boff percebeu que o câncer no ovário, na verdade, já estava percorrendo o corpo de Cristiane.
“Eu estava tomada. Era para ser só o aparelho reprodutor, mas tirei vesícula, apêndice, um pedaço do baço, um pedaço do intestino”, lista ela, que por conta da última remoção passou a usar uma bolsa de ileostomia, uma espécie de recipiente adesivo externo usado por quem tem uma abertura na região abdominal, para armazenar as fezes. Segundo Cristiane, a bolsa de ileostomia é esvaziada, no mínimo, dez vezes ao dia. “É uma das partes mais chatas”, afirma.
O diagnóstico de metástase abalou ainda mais a família. Cristiane confessa que pensou em desistir. Chorou, sofreu, mas levantou a cabeça e, antes de abrir mão da própria vida, resolveu lutar. “Tinha momentos que eu queria que Deus me levasse, sabe? Queria desistir, de tanta dor, tanto sofrimento. Mas não podia, tenho meus filhos, meu marido”, diz.
Após 20 dias internada, Cristiane sentia-se fraca. Teve alta do hospital, mas passou os dez dias seguintes deitada na cama, debaixo das cobertas. Deixou de lado as tarefas do dia-a-dia que mais lhe davam prazer, como cuidar dos filhos, levá-los e buscá-los na escola. “Eu estava ali deitada só esperando o meu tempo passar”, recorda.
Só depois Cristiane percebeu que, na verdade, viver da mesma forma que vivia antes de descobrir a doença e retomar a velha rotina lhe traria de volta a felicidade que estava faltando. “Eu já não tinha mais dor, depois da cirurgia. E foi assim que comecei a me sentir feliz de novo”, diz ela.
Apoio nas redes sociais reerguem Cristiane
Comunicativa, desinibida e com tempo livre, ela encontrou nas redes sociais uma maneira de contar sua história. Foi quando criou a página “Luz da Cris” no Facebook, em alusão também ao seu sobrenome, onde resolveu compartilhar por meio de vídeos e textos sua rotina de tratamento, e percebeu que isso a ajudou a se reerguer.
“Eu acho que o maior erro das pessoas com câncer ou com qualquer doença grave é se esconder. Porque o que se recebe de mensagens de apoio é impressionante. Eu estava na padaria outro dia, com uma amiga, e uma moça me viu e quis me dar um abraço. Disse que achou a minha página nas redes sociais. Eu nunca vou esquecer disso”, detalha.
Mesmo após a cirurgia, o tratamento recém começaria. Seis sessões de quimioterapia lhe aguardavam. A primeira, realizada no dia 15 de junho, empolgou Cristiane.
“Eu estava louca pra fazer quimio. Cheguei lá, vi todo mundo quieto, e pensei: ‘Que tristeza é essa, dessa gente?’. Eu achei que era todo mundo junto, todos os carecas ali trocando ideias, conversando. E não, é só eu em uma sala, muito confortável e tal, mas eu adoro bater papo, ia adorar estar com as pessoas”, conta.
Cristiane ao lado do marido e dos filhos em sessão de fotos que registrou seu novo corte de cabelo (Foto: Babi Cocolichio/Divulgação)
Chá de lenço reúne as amigas e ensaio de fotos registra a perda do cabelo No entanto, as consequências da quimioterapia viriam. Embora não sinta os efeitos colaterais do tratamento, um deles era fato: em 15 dias, os longos fios de cabelo começariam a cair. Era o câncer atingindo em cheio a feminilidade de Cristiane, facilmente percebida nas unhas bem feitas e no delineador traçado nos olhos.
“Saí no mesmo dia em todas as lojas de peruca de Porto Alegre. E achei tudo meio brega. Eu queria uma peruca que fosse igual ao meu cabelo. Eu amava o meu cabelo. E a vendedora me indicou os lenços. E eu sempre associei: ‘Ai, está andando de lenço, está com câncer, está na cara’. Mas aí eu experimentei e me apaixonei. Saí com dois lenços da loja”, conta.
Inspirada pelo livro “Quimioterapia e Beleza” da ex-modelo Flavia Flores, que aos 35 anos foi diagnosticada com câncer de mama, Cristiane teve a ideia de organizar um “chá de lenço”. Convocou as amigas e armou a festa, que teve chá só no nome. Taças de vinho e espumante acompanharam a formação da nova coleção de lenços, turbantes, boinas, toucas e chapéus.
“Foi um sucesso total. Eu digo que as minhas amigas mataram minhas células cancerígenas a cada depoimento, a cada força que elas me dão. O câncer não quer um corpo bom. Ele quer um corpo derrotado pra tomar conta. O meu cabelo, a quimio tirou, mas o câncer não vai me derrubar”, pontua.
E antes que as madeixas começassem a cair, Cristiane criou coragem a marcou horário no cabelereiro. “Na noite anterior, lavei meu cabelo e chorei muito tempo no banheiro. Foi muito triste, muito difícil pra mim”, recorda.
O momento, embora doloroso, foi registrado em um ensaio de fotos, com a presença do marido e dos dois filhos. “Meus filhos são muito especiais. Para ela eu disse que tinha uma bolinha, que me causava muita dor. Aí depois contei que era câncer. Ela sabe o que é, porque viu nas novelas. E achou que eu ia virar uma estrelinha o céu. Mas agora ela entende melhor”, observa. “Ele, de início, ficou assustado com o fato de eu ficar careca. Disse que eu ia ficar feia. Depois de um tempo ele me disse que ia me amar igual, mesmo careca. Chorei, né?”.
Médico garante que encarar doença de forma positiva traz ‘mais sucesso’ Médico oncologista do Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, Stephen Stefani acompanha de perto o tratamento de Cristiane. Durante a sessão de quimioterapia, que dura em média quatro horas, ele faz uma rápida visita e impressiona-se com a reação da paciente ao procedimento.
O médico sustenta que o diagnóstico de câncer já não é mais uma sentença de morte. Ele pondera que cada caso é um caso, mas afirma que não é conversa fiada que o pensamento positivo ajuda na recuperação. Segundo ele, a ciência comprova que encarar o diagnóstico e o tratamento de forma positiva traz mais sucesso aos resultados.
“A maneira como se encara essa doença e as adaptações faz toda a diferença. Parece intuitivo, mas é cientificamente comprovado que uma atitude positiva e uma expectativa responsável, mas otimista, traz resultados mais interessantes do que aquela pessoa que se entrega”, garante. “A mensagem de encarar a doença, e de não querer disfarçá-la, é muito poderosa. O posicionamento de enfrentamento é que torna a pessoa bonita”, acrescenta.
Parece intuitivo, mas é cientificamente comprovado que uma atitude positiva e uma expectativa responsável, mas otimista, traz resultados mais interessantes do que aquela pessoa que se entrega”
Stephen Stefani, médico oncologista
O médico diverte-se ao falar do caso de Cristiane. “É verdade, ela está acima da média”, ri, e brinca com a receita dela de aliar a fé e o temperamento alegre mesmo em ambiente melancólico como o de um hospital.
“Ela é realista, mas encara muito bem. Vou começar a marcar a quimio dela para de manhã bem cedo e na verdade iniciar mais tarde, que enquanto isso ela fica por horas animando o pessoal na recepção”, sugere.
No entanto, ele destaca a importância da informação e do acompanhamento médico. “É claro que existem essas maneiras culturais e de posicionamento que fazem a diferença, mas ninguém encara isso se não tem ferramentas para isso, por exemplo a informação. E posso assegurar que não é o Google, como todos os pacientes fazem. O problema que lá tem muita informação, boa e ruim. As pessoas que estão lendo não estão treinadas para interpretar isso”, alerta, mas reforça que o amparo de amigos e familiares também é fundamental no processo. “Nenhum suporte é mais poderoso que o amparo da família e amigos”, conclui.
Susana Naspolini não aguentou a enxurrada de amor que invadiu suas redes sociais nesta sexta-feira (3), quando a notícia de que está afastada do “RJ-TV” por conta de um câncer de mama repercutiu na imprensa. Telespectadores e admiradores manifestaram carinho e solidariedade à jornalista, cuja alegria virou marca registrada à frente do quadro “RJ Móvel”, que ajuda moradores a resolverem os problemas de seus bairros.
— Eu chorei muito lendo essas mensagens. É uma energia tão boa! As pessoas estão rezando, fazendo correntes de oração por mim — emocionou-se ela, em conversa com o EXTRA.
Aos 43 anos, Susana descobriu um gânglio alterado na axila direita, após exames de rotina.
— Eu não suspeitava de nada, não sentia nada. Mas pelo meu histórico de saúde (ela teve um linfoma com 18 anos de idade e, há cinco, enfrentou um câncer de mama e outro na tireoide) sempre estive alerta. Faço check-up a cada seis meses. Tudo leva a crer que o câncer voltou porque não passei pela quimioterapia depois de retirar o nódulo da mama direita, em 2011. O médico não achou necessário, na época — contou a repórter da TV Globo.
Em abril, ao retornar de curtas férias, ela só trabalhou um dia, antes de sair de licença:
— Voltei com tudo no dia 25. Na mesma tarde, recebi um telefonema da minha médica, confirmando o câncer. No dia 28, já estava em São Paulo para a cirurgia.
Na próxima semana, Susana volta à capital paulista para a terceira sessão de quimioterapia.
— Não tenho sentido os famosos enjoos causados pelo tratamento, só cansaço. Sou muito agitada, não gosto de ficar parada. Mas nos dias seguintes à quimio, prefiro ficar em casa com minha filha (Júlia, de 10 anos, fruto de seu casamento com o jornalista esportivo Maurício Torres, que morreu em 2014), quietinha, lendo um livro. Estou torcendo para não ficar careca, mas já tenho o endereço de uma boa loja de perucas, caso aconteça — diz ela, que tem contado com o apoio presencial dos parentes de Santa Catarina: — Meus pais e irmãos se revezam para ficar com a Júlia no Rio e para me acompanhar no tratamento em São Paulo.
A previsão é de que Susana retorne ao trabalho em outubro. Até lá, ela revela, não tem assistido ao telejornal de que faz parte:
— Não consigo, acredita? Tenho um ciumão! (a repórter Larissa Schmidt a tem substituído) Vejo ali moradores que se tornaram meus amigos. Vou querer estar lá, comendo aquele bolo gostoso com eles…
Apesar dos pesares, a jornalista não perde a postura resiliente e otimista:
— Tenho que ser forte. Doença e problema fazem parte da vida, e ela é tão boa, né? Tanto, que a gente sempre quer viver muito. Hoje é o câncer, amanhã vai ser outra coisa. No dia em que recebi o diagnóstico positivo, chorei muito. Pensei: “Meu Deus, será que eu vou dar conta? Vou conseguir tratar ou vou morrer?”. Agora, rezo muito: “Deus, me dá colo, vamos juntos!”. É só uma coisa ruim entre tantas boas que me acontecem dia após dia. Olha quanta gente de bem me ajudando, vibrando! Daqui pra frente, o que eu puder fazer para desmitificar essa doença, vou fazer. É minha missão.
Você deve ter milhões de desculpas para não fazer a mamografia anual, mas suas razões podem não ser tão boas quanto pensa.
Sou muito jovem para fazer o exame.
O câncer de mama é o tipo mais comum em mulheres a partir dos 55 anos de idade, mas, também pode acometer mulheres jovens. O rastreamento mamográfico consiste em realizar mamografia anual em mulheres com 40 anos ou mais. A partir dos 70 anos, a frequência dependerá do critério médico. Para mulheres com risco aumentado, a mamografia deve ser anual a partir dos 35 anos de idade. No Brasil, mulheres a partir dos 40 anos de idade, têm amparo na Lei 11664/08 para solicitar que seja feita mamografia de rastreamento, apesar da falta de recomendação formal pelo Ministério da Saúde.
Câncer de mama não acometeu nenhum membro de minha família, por isso eu não corro risco.
É verdade que se o câncer de mama acomete sua família, você tem maior risco de ter a doença, principalmente se sua mãe ou irmã já tiveram. Mas, a maioria das mulheres que tem câncer de mama (85%) não tem histórico familiar da doença. Portanto, faça o rastreamento mamográfico de qualquer maneira.
A radiação é muito arriscada.
A mamografia utiliza raios X para formar a imagem da mama e é utilizada para o rastreamento do câncer de mama. A imagem é obtida com o uso de um feixe de raios X de baixa energia, após a mama ser comprimida entre duas placas. O risco associado à exposição à radiação é mínimo, principalmente quando comparado com o benefício obtido.
Eu tenho medo do que pode ser encontrado.
Cerca de 80% dos nódulos encontrados nas mamas tendem a ser benignos. A mamografia também não altera nada, apenas mostra com precisão o que já está lá. Se for encontrada alguma alteração na mamografia é importante fazer o diagnóstico e o tratamento, se necessário, para evitar futuras complicações.
É um exame muito caro.
Não. Toda paciente atendida pelo SUS não paga nada para a realização da mamografia. Todos os convênios e seguros de saúde cobrem o custo do exame.
A mamografia dói.
A mamografia é um exame muito rápido, pode provocar dor, em algumas mulheres, dependendo da sensibilidade individual, mas é tolerável, e o desconforto provocado pelo exame é breve. O que pode ajudar:
Agende seus exames quando suas mamas estiverem menos sensíveis, ou seja, não agende antes da menstruação.
Tome um analgésico antes do exame para aliviar a dor.
Deixe que a técnica saiba que você pode estar sensível. Ela poderá assim ser capaz de tornar o exame menos doloroso oferecendo uma experiência positiva.
Eu não tenho nódulos nas mamas tenho que fazer mamografia.
Nas mamografias podem encontrar-se pequenos nódulos com tamanho de 1 milímetro, até 3 anos antes de você poder senti-los. Os tumores pequenos, em estágio inicial, são tratáveis e o diagnóstico precoce tem chance de até 95% de cura.
Eu sou uma pessoa muito ocupada.
Reserve um tempo. Uma mamografia dura entre 15 a 30 minutos, e é parte de seus exames de rotina anuais. Será muito mais demorado se você ficar doente.
Meus seios são muito densos.
A mamografia pode não ser tão eficaz na detecção de nódulos ou lesões cancerosas em mamas densas, mas também não é inútil. Se sua mamografia não está clara em função das mamas densas, poderá ser feito um segundo exame de imagem, por exemplo, ultrassom ou ressonância magnética.
Eu me alimento bem e me exercito regularmente, logo, não corro riscos.
Dieta equilibrada e prática de exercícios para manter uma vida saudável podem diminuir o risco de um câncer de mama, mas não o elimina completamente, por conta disso é muito importante a realização da mamografia a partir dos 40 anos. Cuide de sua saúde, cuide de suas mamas!
Quando tinha 11 anos, Eliete Malta, atualmente com 43, foi diagnosticada com um tumor benigno e ficou curada com tratamentos contra o câncer infantil. Dois anos depois e com a saúde em dia, começou a fazer diferentes esportes com a turma da escola. Na época, a corrida fazia parte do aquecimento nas aulas. E começava ali, sem que ela imaginasse, o amor pela modalidade que a mudaria para sempre.
Eliete corria pelas ruas da cidade de Sumaré, na região metropolitana de Campinas, em São Paulo, onde morava e fazia parte de um clube. O talento para correr chamou a atenção e ela foi convidada a participar de um grupo de atletas amadores. Sua primeira prova foi em 2002. Alguns meses depois, a corredora disputou a tradicional Corrida de São Silvestre. No ano seguinte, Eliete deslanchou de vez e começou a subir nos pódios das provas.
– Fui me destacando em várias corridas e em várias cidades diferentes. Passei por duas grandes equipes em São Paulo e assim fui ganhando mais pódios. Hoje, tenho mais de 300. No universo das corridas eu sou a Mulher-Maravilha – brincou Eliete, que é professora de educação física.
Por trás do apelido existe uma história inusitada. Isso porque Eliete sempre subia no pódio com uma faixa na cabeça. Em 2006, ela correu a São Silvestre – de novo – e, após ter acabado a prova, colocou a medalha no pescoço e foi acompanhar um amigo que não estava tão bem preparado.
– Alguns me viram correndo com os homens e começaram a falar: “O que você está fazendo aí, pangaré. Sua prova já foi”. De tanto ouvir esses comentários, meu amigo ficou indignado, puxou a medalha do meu pescoço e falou que eu já tinha completado a prova feminina e correria o total de 30km. A multidão começou a gritar “É a Mulher-Maravilha!” – lembrou ela, com orgulho.
A notícia se espalhou pelos grupos de corrida da cidade e o apelido pegou. Eliete ganhou o traje da heroína dos quadrinhos, a sua personagem.
– Conheci meu marido nas corridas de rua. Nós éramos amigos e o esporte nos uniu. Quando namorávamos, ele disse para eu me vestir como a Maravilha. Ele produziu as fantasias, que eram os uniformes para as provas – explicou a atleta.
Nos pódios das provas que participa, Eliete leva a “cadela maravilha” em todas as oportunidades e faz sucesso, tirando muitas fotos com outros corredores. O marido também ganhou fantasia para entrar no clima. Ele virou o Super-Homem.
– Na véspera da Maratona da Disney, nos Estados Unidos, rodamos a cidade de Orlando inteira procurando uma fantasia para correr. Quando encontramos, pensei: por que o meu marido não poderia correr fantasiado? Buscamos como loucos a roupa do Super-Homem e viramos celebridades na prova. Viramos a família da Liga da Justiça nas corridas – brincou.
Superar os problemas da infância com a ajuda do esporte garantiu para Eliete um incentivo ainda maior para seguir em frente e confiante. Para a corredora, toda pessoa tem a capacidade de superar e alcançar os objetivos desejados. Basta começar e, claro, se dedicar com afinco.
– O que me faz feliz e me motiva são as mensagens que recebo das pessoas dizendo que sou inspiração pra elas, tanto na corrida, como na minha luta contra o câncer. Esse carinho que me motiva cada vez mais a correr. A fantasia virou minha marca registrada. Mas não somente pelo visual e sim pela superação dos problemas. O esporte pode curar todos os males – encerrou a atleta, que há 15 anos é voluntária de um centro de combate ao câncer infantil, em Campinas.