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CONHEÇA O PAPEL FUNDAMENTAL DO ENFERMEIRO ESPECIALISTA EM ONCOLOGIA NO TRATAMENTO DOS PACIENTES COM CÂNCER POR DR. FELIPE ADES

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Cats,  esse texto do nosso diretor científico Dr. Felipe Ades – Oncologista nos conta qual o verdadeiro papel do enfermeiro da área oncológica, um dos profissionais que mais auxilia os pacientes com câncer. 

Oncologia é uma área da medicina que requer um cuidado multidisciplinar. Para que um tratamento seja feito com sucesso é necessário que se trabalhe em equipe com um grande número de especialistas das mais diversas áreas da saúde. Veja no texto abaixo o papel fundamental do enfermeiro especialista em oncologia no tratamento dos pacientes com câncer. Texto elaborado por Iracema Coelho, enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein.

O enfermeiro oncológico é o profissional que vai prestar assistência ao paciente, em todas as fases do tratamento do câncer. Desde o diagnóstico da doença, passando pelas várias fases do tratamento como a cirurgia, a radioterapia, e o tratamento com medicamentos e quimioterapia. A oncologia é uma área muito específica, portanto é importante que os enfermeiros tenham formação de especialista na área e que estejam sempre se atualizando.

Além de prestar assistência, o enfermeiro oncologista tem outras atribuições, como tomar providências administrativas para a liberação e agendamento dos procedimentos de tratamento além de ter papel educacional, orientando tanto o paciente quanto os familiares durante o tratamento.

No dia-a-dia da assistência o enfermeiro recebe o paciente após a decisão de tratamento pelo médico oncologista. Neste momento o paciente é acolhido pelo enfermeiro que realiza a conferência do protocolo de tratamento, checando informações como o peso e altura, doses de medicações e medicações de suporte para a quimioterapia, conhecidas com “pré-QT”. Isto garante uma maior segurança na administração dos protocolos de tratamento.

Um aspecto muito importante para o tratamento é a escolha de dispositivo para a infusão dos quimioterápicos que serão feitos pela veia. Nesta avaliação o enfermeiro avalia as veias do paciente, e junto com a equipe médica, escolhe a melhor opção para a aplicação dos medicamentos. Algumas medicações podem ser feitas nas veias superficiais dos braços ou das mãos, por cateteres que chamamos de periféricos; já outros medicamentos precisam de veias mais fortes, sendo necessária a colocação de cateteres profundos. A escolha depende do tipo de tratamento e das veias de cada pessoa.

A maior parte das vezes o tratamento é feito no ambulatório. O paciente vem ao hospital apenas para a aplicação do medicamento e retorna para casa no mesmo dia. Quando o paciente chega ao centro de infusão, é realizada uma consulta inicial de enfermagem, onde são coletadas todas as informações relevantes para o tratamento e também são dadas as orientações importantes ao paciente e acompanhante, como possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, coleta de exames, cuidados com cateter, como realizar os agendamentos, o que muda no dia-a-dia do paciente durante o tratamento, quando entrar em contato com a equipe médica ou quando e como procurar um pronto atendimento em caso de necessidade.

Realiza-se também um exame físico geral e analisa-se a necessidade de avaliação e acompanhamento de outros profissionais, como psicólogos, dentistas, fonoaudiólogos, etc. Após realizar esta consulta inicial, o enfermeiro fornece todas as orientações e esclarece as dúvidas, para então dar início ao tratamento.

Tão importante quanto os medicamentos quimioterápicos, é o controle e manejo dos sintomas colaterais; que podem ser determinantes para o sucesso e continuidade do tratamento. É importante estar atento à prevenção e controle destes sintomas indesejados.

Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein
Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein

Atualmente, com o avanço das pesquisas, há no mercado uma ampla gama de opções de tratamento de suporte que amenizam os transtornos causados pelos quimioterápicos como, por exemplo, os medicamentos para enjôo de última geração, que podem reduzir significativamente o surgimento de náuseas. O uso da touca gelada para diminuir a queda de cabelo, pode ser uma opção, principalmente para pacientes do sexo feminino, que buscam manter a autoestima.

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Equipe de Multidisciplinar de Oncologia do Hospital Albert Einstein na festa de aniversário do Centro de Oncologia

O enfermeiro oncológico atua não apenas durante o período da quimioterapia, a assistência é integral também durante o tratamento radioterápico (caso este seja necessário); onde o enfermeiro também intervém fazendo a avaliação pré-tratamento, acompanhamento durante a radioterapia e orientando após o fim deste tratamento. Caso seja necessária a internação hospitalar, quer seja para tratamento quimioterápico, ou para controle dos sintomas, a equipe de enfermagem oncológica acompanha o paciente durante todo este período. Tanto para o paciente ambulatorial, quanto para o paciente internado, existe enfermeiro especializado em curativos para pacientes com câncer, caso haja essa necessidade.

O enfermeiro é provavelmente o profissional com o qual o paciente tem mais contato durante o tratamento. Por isso é muito comum que o enfermeiro seja o primeiro profissional a reconhecer possíveis alterações clínicas ao longo do tratamento, podendo detectar problemas quando ainda estão em sua fase inicial, mesmo que não sejam ainda notados pelo paciente. É o enfermeiro que faz, muitas vezes, o primeiro alerta dentro da equipe assistente, para que se avaliem possíveis problemas ao longo do tratamento.

O enfermeiro oncologista é um elo fundamental no tratamento multidisciplinar dos pacientes com câncer, trabalhando em conjunto com os demais profissionais e assim promovendo uma assistência integral e de qualidade aos pacientes.

Iracema Coelho - Enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein
Iracema Coelho – Enfermeira do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein

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CÂNCER E VACINAÇÃO: QUEM JÁ TEVE CÂNCER OU ESTÁ EM TRATAMENTO PODE SER VACINADO? por Dr. Felipe Ades

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Bom dia, Cats!!  Essa é uma dúvida que muita gente tem: Quem está em tratamento contra o câncer, ou quem já tratou, pode ser vacinado?  O Dr. Felipe Ades, nosso diretor científico, responde para nós nesse texto!!  Confiram:

Uma questão que aparece com frequência durante surtos de doenças infecciosas é: Quem está em tratamento contra o câncer, ou quem já tratou, pode ser vacinado? Recentemente esta questão tem aparecido muito em consultas, visto que estamos no meio de um aumento de casos da gripe H1N1.

Para responder essa pergunta são necessários alguns conhecimentos sobre a imunidade, o tratamento do câncer e sobre a composição das vacinas.

Os vírus e bactérias que atacam nosso corpo possuem uma composição de moléculas diferentes das nossas. Nossa imunidade natural funciona identificando essas partes das bactérias ou dos vírus, e assim criando anticorpos capazes de identificar essas substâncias. Os anticorpos, por sua vez, são moléculas produzidas pelas nossas células de defesa, direcionadas contra essas substâncias dos agentes invasores, como uma bala teleguiada. Os anticorpos são produzidos por uma célula de defesa, conhecida como linfócito B, e em seguida despejados no sangue. O anticorpo então circula pelo corpo e, assim que encontra o agente invasor, se gruda a ele. Isto faz com que este agente invasor se torne visível para as demais células de defesa, que então destroem o vírus ou bactéria que está grudado ao anticorpo.

Este processo de identificação da bactéria ou vírus até a produção dos anticorpos leva alguns dias para se completar. Por isso que, em geral, demoramos entre 3 a 7 dias para ficar curados de um resfriado. Os anticorpos feitos desta maneira geram o que chamamos de memória imunológica. Sempre que o mesmo agente invasor tentar entrar no corpo novamente nós já teremos os anticorpos e o sistema imunológico irá destruir o agente invasor antes que ele possa nos fazer ficar doentes por uma segunda vez.

É por causa desta característica da memória imunológica que as vacinas são tão eficazes na prevenção de doenças infecciosas. A ideia é “treinar” as células de defesa com as vacinas para que elas aprendam a combater a doença, sem precisar que nós fiquemos doentes.

Vacinação e câncer.

Vacinação e câncer.

Existem tipos diferentes de vacinas. Algumas são feitas com vírus ou bactérias mortas. Quando são injetados em uma pessoa, o sistema imunológico consegue reconhecer as partes das bactérias e vírus mortos e fazer anticorpos que ficam “guardados”. Se por acaso a pessoa entrar em contato com o vírus vivo ela já terá as armas para combater a doença, e não ficará doente. Este é o caso das vacinas da gripe, do tétano, da meningite, do pneumococo, da hepatite e do HPV.

Um outro tipo de vacina é feita com vírus ou bactérias vivas atenuadas. Neste tipo de vacina o vírus ou bactéria é modificado em laboratório para ficar bem mais fraco, com pouca capacidade de causar qualquer tipo de doença. Assim quando é injetado o agente invasor não consegue se espalhar no corpo e a imunidade rapidamente consegue destruí-lo, fazendo também anticorpos. Estes anticorpos funcionarão caso a pessoa entre em contato com o vírus ou bactéria normal, impedindo que a pessoa fique doente. Este é o caso das vacinas com BCG, sarampo, caxumba, catapora, poliomielite (gotinha, Sabin), febre amarela e rubéola.

Em geral essa imunidade é permanente, quem já teve uma doença não tem a mesma doença de novo. O que acontece com o caso da gripe é que o vírus muda muito rapidamente, de um ano para o outro. Ele muda tanto que consegue escapar dos anticorpos que nós possamos já ter. Por isso é importante se vacinar todos os anos. Todos os anos é feita uma nova vacina, para atacar essas novas partes do vírus que mudam com o tempo.

Qual é o problema de tomar a vacina durante um tratamento contra o câncer?

A pessoa que está em tratamento pode estar usando medicamentos, como a quimioterapia, que reduzem a imunidade e a capacidade de lutar contra bactérias e vírus. Para estas pessoas, mesmo o vírus ou bactéria atenuado e enfraquecido pode ser um problema. A pessoa sem imunidade pode ficar doente se entrar em contato com as bactérias ou vírus atenuados destas vacinas. Logo, pessoas em tratamento contra o câncer, que estejam com imunidade baixa, não podem de nenhuma maneira tomar vacinas com vírus ou bactérias vivos e atenuados.

Já as vacinas de vírus ou bactérias mortos não são capazes de causar nenhum problema para a pessoa em tratamento. A questão aqui é que talvez essas vacinas não sejam eficazes. Como a imunidade está baixa pelo tratamento, é possível que o corpo não consiga produzir os anticorpos. A pessoa então teria tomado a vacina “à toa”. Para saber se a vacina funcionou a única maneira é fazer um exame de sangue, depois de algumas semanas, e medir a quantidade de anticorpos.

Depois de 3 a 6 meses do fim do tratamento a imunidade volta completamente ao normal. Qualquer pessoa que esteja nessa situação pode fazer qualquer vacina sem nenhum problema.

E o que fazer agora durante o surto de gripe H1N1?

Esta vacina é feita de vírus morto. Não há chance da pessoa em tratamento contra o câncer contrair a gripe pela vacina, no entanto, existe uma chance razoável da vacina não fazer efeito. Pessoalmente eu não vejo nenhum problema em vacinar, mesmo que a eficácia da vacina seja reduzida nessas pessoas. Lembrando que a melhor medida para prevenir a gripe, em quem está em tratamento, é a lavagem das mãos, e evitar o contato com pessoas que apresentem os sintomas de gripe. Ao menor sinal de febre, tosse, ou qualquer outro sintoma que sugira infecção das vias respiratórias deve-se entrar em contato com a equipe médica em que se esta tratando.

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Tratamento oncológico: o que levar na mala? por Cyntia Soares

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Olá, Cats!  Hoje a nossa colaboradora, a Cat Cyntia Soares, do grupo Cancer Sem Tabu, fala nesse texto sobre o que devemos levar conosco no início de um tratamento do câncer e o que deveríamos deixar para trás. 

Hoje estava fazendo minha mala para uma viagem e depois de um tempo comecei a refletir sobre o que precisamos colocar na nossa bagagem quando vamos começar um tratamento oncológico e o que precisamos retirar para diminuir o peso!

Primeiro temos que começar retirando o que está ocupando espaço desnecessariamente para depois podermos adicionar o que realmente importa, né?! Vamos lá!

Eu começaria retirando o medo, a vergonha, a ansiedade, a culpa, a raiva por estar doente, as dúvidas, os curiosos de plantão, as receitinhas milagrosas e a sensação de estar sem chão!

Depois adicionaria os elementos principais para que o tratamento seja o menos sofrido possível, como fé (independente de religião), esperança, coragem, muitas peças de paciência (precisamos de muito paciência para esperar a próxima etapa, para guardar o repouso, etc), humildade para aceitar ajuda, força, energia física/mental, resiliência e determinação.

Você percebeu que está faltando alguma coisa na mala? Pois é, não adicionei os nossos fiéis escudeiros (família, amigos e profissionais de saúde). Sei que eles não medem esforços para diminuir as dores físicas e acalmar o nosso coração, mas eles não entram na mala… você sabe o motivo? É muito simples: eles não entram na mala porque precisamos da ajuda deles para carregá-la! E eles lindamente carregam a bagagem com a gente durante toda a jornada, assim temos a adição de amor, alegria (dá para ser feliz durante o tratamento), compreensão, cuidado, carinho e companheirismo!

Sei que a tarefa de retirar alguns dos itens que citei é bem difícil, talvez até impossível, mas, pelo menos, se esforce para adicionar os que citei… você poderá até pagar excesso de bagagem, mas com certeza terá um voo mais tranquilo e chegará ao destino com um sentimento enorme: gratidão!

Agora fiquei curiosa!
O que você retiraria da sua mala? E o que adicionaria?

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Minha experiência com cuidados paliativos por Vivi Roos

A nossa querida Cat Viviane Roos nos contou a experiência dela com os cuidados paliativos! Confiram! 

“Os cuidados paliativos, na verdade, não são uma opção, eles são indicados pelos médicos no caso da doença ter avançado para o estágio de metástase onde o paciente terá medicamentos para controlar a doença, mas não para curar. É a assistência integral oferecida para pacientes e familiares quando estão diante de uma doença grave que ameace a continuidade da vida, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Quando o meu oncologista me encaminhou, fiquei com um pouco de receio, porque o que a gente tem na memória desse assunto é que os cuidados paliativos significam que não tem mais jeito, e tal, mas na verdade hoje é indicado que sejam iniciados o quanto antes, junto com os demais tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgias, além de incluir todas as investigações necessárias para uma melhor compreensão e manejo dos sintomas.
Os médicos, enfermeiros, massoterapeutas devem conhecer o paciente a fundo e assim melhorar a qualidade de vida dele. Embora eu trate um câncer de mama com metástase óssea e no fígado, tenho poucos problemas que necessitem de intervenção e medicação para dor, mas, caso ocorra, tenho o contato direto com a equipe de enfermagem do hospital onde eu me trato para me ajudar.
Além disso, faço exercícios liberados pelos médicos, me alimento bem, pratico yoga e massagens…tudo para manter meu corpo e mente funcionando da melhor maneira possível.” 

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A vida é uma troca por Dra. Fabiola La Torre

Cats queridas, a nossa parceira Cat Master, médica e escritora, Fabiola La Torre – de médica à paciente. Drafabiolalatorre.com, traz esse lindo depoimento sobre sua experiência de luta contra o câncer e todo o seu aprendizado com essa experiência! 

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 “A foto à esquerda foi tirada exatamente há 2 anos atrás, e a foto à direita é como eu me pareço agora….A quimioterapia tomou muito de mim. Um pouco da minha força física, meus cabelos, minhas sobrancelhas, meus cílios e meu tempo no sol no verão. Ela tentou me causar olheiras, mas eu usei e abusei da minha dermatologista @clinicadanielapellegrino e da maquiagem 

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para não permitir isso. Aliás, esse foi um ponto positivo dela : fiquei craque na make.Eu olho para esta foto e não posso deixar de me sentir a pessoa mais sortuda do planeta….Eu me lembro do que a quimioterapia e toda essa jornada do câncer me deram e meu coração pulsa forte. Esta jornada me deu uma perspectiva por cada momento que tenho nesta Terra….A Fabíola de 40 anos de idade à esquerda tinha algo a ensinar para a Fabíola que viveria após os 42 anos. Ela precisava ensinar que o mundo é lhennnnndo, mas a seleção é necessária. Seleção de amigos, que na verdade não são amigos. Seleção de empregos, que não sua razão de vida, mas apenas uma ponte para que possamos chegar onde realmente é o nosso lugar. E precisava me mostrar que apesar de tentar acertar, erramos. E os tropeços servem de exemplo para muitos e para nós mesmas. E embora um dia minha aparência possa ter parecido cansada e doente, as coisas que cresceram na minha alma, por mais que nunca possam ser vistas em uma foto, são lindas. Por tudo isso, sou eternamente grata… Em resumo, a quimio tomou muito de mim, mas me devolveu muito em troca. A vida é uma troca. Não desista, você sempre será a inspiração de alguém!!!!”

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O que são Cuidados Paliativos?

Olá Cats queridas, vamos falar sobre cuidados paliativos? 
Os cuidados paliativos são um conjunto de ações voltado para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes que passem por situações de doença que ameace a vida, seja incurável ou não responda mais aos tratamentos, procurando prevenir e aliviar as dores, os sofrimentos e outros sintomas que a doença possa causar. Esses cuidados geralmente oferecem também suporte psíquico-espiritual e social, apoios que inclusive devem estar presentes desde o diagnóstico até o fim da vida, pois o tratamento de um paciente com câncer não é interrompido porque ele está recebendo cuidados paliativos.

Esse tipo de ação promove muitos benefícios aos pacientes oncológicos como:
– Tratamento para as condições clínicas do paciente não relacionados ao câncer. 
– Apoio emocional. 
– Ajuda com preocupações práticas, como questões financeiras e profissionais. 
– Aconselhamento espiritual. ‍
– Alívio para os cuidadores. 

Se a quimioterapia ou outros métodos já não mostram resultado ou melhoram a qualidade de vida, você pode conversar com o seu médico oncologista sobre o prognóstico e os riscos potenciais de continuar o tratamento do jeito tradicional, assim ele poderá te ajudar a tomar decisões sobre o rumo do seu tratamento e a optar por cuidados paliativos. Existe, sim, a opção pessoal do paciente de optar por interromper o tratamento ativo para o câncer e tornar os cuidados paliativos o foco principal, mas não é obrigatório. Compreender o papel dos cuidados paliativos nos ajuda a fazer as escolhas adequadas.

Os cuidados paliativos podem ser administrados em casa, onde o paciente está geralmente mais confortável, ou em hospitais e clínicas de grande porte, onde há especialistas em cuidados paliativos em sua equipe multidisciplinar. Eles também podem ter uma equipe de cuidados paliativos que monitora e atende às necessidades dos pacientes e familiares. Alguns hospitais podem ter programas ou serviços que tratam de questões específicas de cuidados paliativos, como linfedema, controle de dor, sexualidade ou problemas psicossociais. Se você pretende iniciar essa nova fase na sua vida com câncer, peça ao seu médico de confiança uma indicação de especialistas que trabalham com cuidados paliativos ou informe-se em hospitais da região ou centros médicos.

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O que é metástase por Dr. Felipe Ades

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Bom dia Cats, o texto novo do nosso diretor científico Dr. Felipe Ades esclarecendo para nós o que é metástase e como ela funciona!! Confiram!! 

Metástase é uma palavra de origem grega que significa “próximo local”. As metástases ocorrem porque células do câncer se desprendem do seu lugar de origem, migrando para locais distantes do corpo, onde voltam a crescer formando novos tumores. A capacidade de gerar metástases é uma das características que definem o câncer.

As células cancerígenas são capazes de liberar substâncias ao seu redor que quebram as ligações normais que existem entre as células saudáveis. Ao quebrar essas espécies de âncoras biológicas, as células cancerígenas podem “caminhar” e alcançar os vasos sanguíneos ou linfáticos (por onde caminham parte das células de defesa). Este processo é conhecido tecnicamente como transição epitélio-mesenquimal.

Câncer e metástase. A figura representa uma célula cancerígena saindo do seu lugar de origem, entrando em um vaso sanguíneo e saindo em outro local, para formar a metástases

Ao chegar nos vasos sanguíneos e linfáticos as células cancerígenas fazem pequenos furos entre as células que formam os vasos. Posteriormente elas podem entrar na corrente sanguínea ou linfática e a partir daí alcançar locais distantes do corpo.

Ao circular pelo sangue eventualmente esta célula pode entupir um vaso sanguíneo menor, ou pode se ligar à parede de um vaso sanguíneo longe do local de onde ela entrou. Em seguida a célula cancerígena sai do vaso sanguíneo e volta a crescer formando um novo tumor, que chamamos de metástase.

É importante notar que as células da metástase continuam sendo células com as características do seu local de origem. Por exemplo, um câncer de intestino pode crescer invadindo os vasos sanguíneos, e causando metástases à distância no fígado. Estas metástases são compostas por células do câncer de intestino e continuam tendo o mesmo comportamento. Esta pessoa deve ser tratada com medicamentos contra o câncer de intestino.

Um outro exemplo: O câncer de mama pode causar metástases ósseas, nestas situações é comum haver confusão e se achar que tem duas doenças: um câncer na mama e outro câncer no osso. Na realidade se trata da mesma doença, um câncer de mama que causou metástases para os ossos. Estas metástases continuam sendo câncer de mama, mas crescendo a distância do seu lugar de origem.

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Por que o cabelo cai durante a quimioterapia por Dr. Felipe Ades

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Boa tarde, Cats!  Vocês têm dúvida sobre o motivo da queda de cabelo durante a quimioterapia??  O nosso diretor científico Dr. Felipe Ades esclarece o assunto para nós nesse texto! 

Existe um mecanismo de ação em comum, todos os medicamentos conhecidos com quimioterapia agem atacando as células de rápido crescimento. Como a célula cancerígena tem a característica de crescer e se multiplicar mais rapidamente que as células normais do corpo, ela é mais afetada pelos medicamentos.

O problema é que existem células normais do corpo que também se reproduzem rápido, e estas células são igualmente afetadas pelos medicamentos. Logo, alguns efeitos colaterais são esperados durante o tratamento com quimioterapia, e um deles é a queda de cabelos. Como os cabelos estão em constante crescimento, a quimioterapia afeta sua raiz, levando a queda dos cabelos. Este é um efeito comum de medicamentos como as antraciclinas (doxorrubicina e epirrubicina), os alquilantes, como a ciclofosfamida e os inibidores de topoisomerase, como o irinotecan. Outros medicamentos, como os taxanes (docetaxel e paclitaxel), afetam a estrutura do fio de cabelo, tornando-os mais quebradiços e também causando sua queda. A radioterapia na região da cabeça é outro tratamento que causa queda de cabelos. Por vezes, quando o tratamento é mais intenso, ou a pessoa mais sensível, pode haver queda de pelos corporais, e até mesmo cílios e sobrancelhas.

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história sobre Cuidados Paliativos: daniele castro e renato leite

Cats, temos uma história linda para esse sábado: o relato da Daniele Castro sobre o Renato Leite, seu namorado, que passou pela experiência de viver sob cuidados paliativos, um conjunto de práticas de assistência ao paciente incurável que visa oferecer dignidade e diminuição do sofrimento, um assunto super interessante! Confiram o texto dela! 

Quando recebemos o diagnóstico da médica, no início de fevereiro, já soubemos que o Renato era um paciente paliativo, ou seja, que sua doença, para nossa medicina, não tinha cura. Esse é o entendimento atual relativo ao câncer estágio IV (metastático), quando a doença já atingiu outros pontos do corpo além do órgão original. Era assustador mas precisávamos entender, para continuar lutando, que um paciente paliativo não é um paciente terminal. A busca é por controlar a doença e torná-la semelhante a uma condição crônica pra que o paciente possa viver bem pelo máximo de tempo (anos até) dentro de suas condições (permitidas e desejadas). Esse era o nosso desejo. Apesar de querer muito falar de sua situação abertamente, o Renato optou por não o fazer, imaginando que haveria muito mal entendido e que as pessoas, ao ouvirem a palavra paliativo, escutariam a palavra morte, o sentenciaram precocemente e transmitiriam energias de medo e desespero. E ele era um amante da vida. 
A verdade é que as pessoas se apegam muito, principalmente no caso do câncer, à palavra cura, esquecendo que nem todo paciente pode ser curado (e afinal o que é estar curado? Um conjunto de parâmetros médicos…). É preciso falar sobre isso, para que possamos falar sobre a possibilidade da morte e sobre toda a vida que deve ser vivida antes que isso aconteça. É assim pra todo mundo, a diferença é que o paliativo se dá conta disso todo dia (obrigada Thailinn Young por falar disso pra mim lá no início). No caso do Renato, e cada história é uma história, a doença estava bastante avançada, ele tinha muitos pontos de metástase e a luta era mais difícil, mas conhecemos outros casos de paliativos que viviam bem controlando suas doenças (nossa maior inspiração eram as @paliativas no insta, conheçam).
Hoje, vejo que a evidência da morte nos coloca cara a cara com a evidência da vida e nos questiona sobre a forma como queremos viver, inclusive se queremos viver dentro de determinadas condições. Conhecemos nesses meses a medicina paliativa, que ainda está engatinhando no Brasil. Os médicos e as equipes dos hospitais se esforçam mas estão presos a práticas criadas por uma ciência que se desenvolveu pelo olhar para a doença e sua cura e não para o paciente e sua forma (qualidade) de viver, como requer o paliativo. Os hospitais não estão preparados, seus protocolos se baseiam em confinamento, excesso de drogas e procedimentos invasivos. Muitos profissionais parecem perder a capacidade de enxergar o paciente como um ser pleno e autônomo pra conhecer inteiramente sua própria condição e decidir sobre seu corpo. O universo da medicina paliativa é novo e riquíssimo, amplia os horizontes do cuidado, requer uma conjunção de profissionais, práticas, saberes, afetos. Há muito a ser feito.
Não é de hoje, mas agora ainda mais, entendo que é preciso falar sobre a morte sem desespero, com consciência. Mesmo que essa realidade não esteja batendo na nossa porta (e quem sabe, afinal?), é preciso tê-la em nosso horizonte. Falar sobre morte sem que isso esgote nossa vontade de viver, para que possamos pensar nos cuidados, nos grandes e pequenos prazeres e desejos, em como respeitar escolhas relativas ao fim de nossas vidas e, enfim, em como maximizar a experiência de viver de cada um, dentro do que a própria vida permitir.

Obs.: O Renato fez tratamento com quimioterapia, que tinha o objetivo”paliativo” e não de “cura”. Não optamos em momento nenhum por não fazer o tratamento tradicional.

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A relação entre a dieta e o câncer

Boa noite, Cats!  Se vocês têm curiosidade de saber qual a relação das dietas e dos alimentos com o câncer, leiam a matéria abaixo e fiquem por dentro dos estudos científicos acerca desse assunto! 

Os especialistas concordam que manter o peso na faixa saudável, praticar atividades físicas regularmente e não fumar são fatores importantes na prevenção ao câncer. Se alimentar de forma saudável também é fundamental, mas quando se trata dos alimentos que compõem a dieta, no entanto, ainda não há muitas evidências científicas para nos indicar quais os alimentos ideais.

Segundo a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), um terço dos casos de câncer está relacionado a escolha de estilo de vida que inclui a alimentação. Embora muitos pesquisadores tenham se dedicado a esse tema, não é fácil chegar a conclusões definitivas.

Os cinco pontos mais importantes são os seguintes:

1) Não há provas da existência de dietas capazes de evitar o aparecimento da doença.  

É possível que dietas ricas em grãos, azeite de oliva, óleo de peixe, nozes, avelãs, amêndoas e castanhas do Pará reduzam a incidência de câncer de mama. Faltam, no entanto, estudos confirmatórios. Como a maior parte dos casos de câncer está associada a mutações gênicas, é pouco provável que alguns alimentos sejam capazes de corrigi-las.

2) Vegetais como as crucíferas (brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas e outras) são ricos em minerais e vitaminas. 

Seus efeitos protetores foram documentados em relação aos cânceres de boca, faringe, cordas vocais, esôfago e estômago. Por outro lado, pode ser que esses vegetais façam parte da alimentação de pessoas mais cuidadosas, com estilo de vida que as proteja de diversas doenças, inclusive o câncer.

3) A soja 

Um estudo mostrou que, num período de nove anos, mulheres com câncer de mama que consomem quantidades maiores de produtos de soja diminuem 21% no risco de morrer da doença.

4) O café 

São confusas as informações a respeito da relação entre consumo de café e o risco de câncer. Depois de rever perto de mil estudos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que tomar café não aumenta a incidência da doença, pelo contrário, reduz o risco de câncer de fígado e de endométrio, e que ingerir bebidas muito quentes aumenta o risco de câncer de esôfago.

5) Churrascos 

Um estudo recente mostrou que a ingestão de quantidades maiores de carnes grelhadas e defumadas pode aumentar a incidência de câncer de mama, uma vez que essas formas de preparo estão associadas à produção de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), substâncias carcinogênicas em animais de laboratório.

Alguns trabalhos levantaram a suspeita de que consumo exagerado de carne frita e de churrascos bem passados estejam associados ao aumento de risco de câncer de cólon, reto, pâncreas e próstata.

Fonte: Portal Drauzio Varella